O tenista argentino Marco Trungelliti alcançou um marco histórico no esporte aos 36 anos, ao se tornar o estreante mais velho a ingressar no top 100 do ranking mundial nos últimos 50 anos. A marca provisória foi atingida no início de abril de 2026, durante a disputa do ATP 250 de Marraquexe, no Marrocos, após o atleta derrotar o polonês Kamil Majchrzak nas oitavas de final da competição.
De acordo com informações do UOL Esporte, o jogador iniciou a semana ocupando a 117ª colocação. Com os 56 pontos somados ao avançar no torneio marroquino, ele garantiu temporariamente a centésima posição na lista dos melhores tenistas do mundo, superando os desafios enfrentados ao longo de sua trajetória profissional.
Por que o jogador foi ameaçado pela máfia das apostas esportivas?
O feito esportivo de Trungelliti coroa uma carreira marcada por um escândalo extracampo que abalou o tênis sul-americano. Em fevereiro de 2019, o argentino concedeu uma entrevista ao jornal La Nación revelando ter recebido e denunciado propostas para manipular resultados. Na ocasião, o esquema ilícito prometia pagamentos que chegavam à casa dos US$ 100 mil por partidas viciadas no circuito profissional.
A denúncia formal às autoridades esportivas resultou em desdobramentos significativos para o esporte na Argentina. O tema do combate à manipulação de resultados é de forte relevância também para o público brasileiro, especialmente após recentes investigações de esquemas em sites de apostas no futebol nacional e a posterior regulamentação do setor no Brasil. No caso argentino, a investigação gerou a punição de três jogadores do país diretamente envolvidos com o esquema ilícito de apostas:
- Patricio Heras
- Nicolás Kicker
- Federico Coria
Como a denúncia de manipulação afetou a vida de Marco Trungelliti?
Após expor a corrupção, o atleta se transformou em uma voz crítica contra o sistema de proteção aos esportistas que não fazem parte da elite mundial da modalidade. O posicionamento rendeu a ele comparações com o jogador de futebol americano Colin Kaepernick, devido à sua postura combativa. No entanto, a decisão de denunciar a máfia gerou desgastes emocionais profundos, perda de parcerias comerciais e receios contínuos em relação à sua segurança pessoal, forçando o tenista a fixar residência em Andorra.
Em 2023, ao retornar à Argentina para disputar um torneio quatro anos e oito meses após as revelações, o tenista detalhou os impactos psicológicos da situação à imprensa local. O esportista, que havia se tornado pai no final do ano anterior, explicou que a volta teve como principal motivação apresentar o filho aos avós e à bisavó. Durante a crise, ele foi defendido publicamente por poucas figuras proeminentes, sendo o ex-tenista John McEnroe uma delas.
Lembro-me daquela confissão com sentimentos contraditórios. Nunca com arrependimento, porque a fiz com convicção. Além disso, havia injustiça e coisas que estavam sendo ditas que não eram verdadeiras. Mas nunca pensei que isso incluísse o preço que paguei. Pensei que as coisas fossem diferentes, que o sistema estivesse preparado para algo assim.
Nunca voltei e só joguei na Europa, o que também não garantia minha segurança absoluta. Talvez em Andorra fosse, porque tudo lá é menor. Mas havia lugares, mesmo na Europa, onde eu não ia; joguei todas as minhas partidas na Espanha e na Itália. Só fui a Banja Luka (Bósnia) uma vez. Algo que me aconteceu, relacionado à depressão, foi que, assim que o torneio terminava, eu queria voltar para casa o mais rápido possível, porque era o único lugar onde me sentia seguro, confortável e amparado.
Qual foi a aventura do atleta de carro no torneio de Roland Garros?
Além da postura firme fora das quadras, Trungelliti possui histórias pitorescas dentro do esporte. Em 2018, o argentino havia sido eliminado na última fase classificatória do Grand Slam de Roland Garros pelo polonês Hubert Hurkacz. Com a derrota, ele planejava viajar até a cidade italiana de Vicenza para disputar um torneio de nível challenger.
No entanto, a desistência repentina do australiano Nick Kyrgios, motivada por uma lesão, abriu uma vaga na chave principal em Paris. Para aproveitar a oportunidade, o argentino alugou um veículo e dirigiu mil quilômetros em um período inferior a dez horas. Ele resolveu a burocracia durante a madrugada, entrou em quadra no fim da manhã e venceu o australiano Bernard Tomic por três sets a um, em uma partida que durou quase três horas.
Quem são os ídolos do mais novo integrante do top 100?
Nascido na província de Santiago del Estero, o jogador precisou sair de casa aos 14 anos para buscar treinamentos mais estruturados em outras cidades argentinas. Durante a juventude, ele tinha o espanhol David Ferrer como principal referência no circuito mundial de tênis.
Fora do universo das raquetes, ele é um ávido fã de basquete, acompanhando de perto as franquias San Antonio Spurs e Dallas Mavericks. Entre as lendas da NBA, o atleta nutre admiração por Michael Jordan, pelo compatriota Manu Ginobili e pelo alemão Dirk Nowitzki. A lista de preferências do esportista inclui ainda o gosto por churrasco, o filme A Era do Gelo e o trabalho do ator Denzel Washington.
