O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) divulgou, nesta quarta-feira (1º de abril), um balanço detalhado confirmando que o mês de março registrou temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado na maior parte do território paranaense. O clima no Paraná, um dos maiores produtores de grãos do país e sede da usina hidrelétrica de Itaipu, tem impacto direto na oferta nacional de alimentos e na geração de energia. De acordo com informações da Agência Paraná, a consolidação dos dados meteorológicos revela que o período foi caracterizado por uma forte irregularidade nas precipitações e marcas térmicas elevadas em quase todo o estado.
As temperaturas mínimas, observadas majoritariamente durante o amanhecer, mantiveram-se dentro da normalidade na faixa leste e no Vale do Ivaí. Contudo, nas regiões Oeste, Noroeste e, principalmente, no Sudoeste, os termômetros marcaram entre um e dois graus Celsius acima da média histórica para o mês. O registro mais baixo do estado ocorreu em General Carneiro, município da região sul tradicionalmente conhecido por registrar as menores temperaturas do Paraná, com 8°C no dia 14, enquanto outras estações em Curitiba e na Região Metropolitana também anotaram suas marcas mais baixas do ano de 2026 até o momento.
Quais foram os extremos de temperatura registrados no Paraná?
O calor intenso foi o grande destaque das tardes paranaenses. Na metade sul do estado, as máximas variaram entre 1°C e 2°C acima do padrão, com picos acentuados em cidades do Sudoeste, onde o desvio térmico chegou a 2,8°C em relação à média histórica. A temperatura mais alta de março foi aferida no município de Capanema, localizado na fronteira com a Argentina, atingindo 38,7°C no dia 30. Outras cidades como Apucarana, Ponta Grossa e Maringá também registraram recordes térmicos para o ano durante o período.
O meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, esclarece que esse cenário é resultado direto da escassez de nebulosidade e da predominância de massas de ar seco. Segundo o especialista, a falta de umidade impede a formação de nuvens, permitindo que a radiação solar atue com mais intensidade sobre a superfície por períodos prolongados.
“A ausência de chuva leva a maior predomínio de tempo seco e, por consequência, o sol predomina por mais tempo. Isso favoreceu com que as temperaturas, tanto ao longo das noites quanto das tardes, fossem mais elevadas que o comportamento normal.”
Por que as chuvas foram irregulares em todo o estado?
A precipitação foi o ponto de maior preocupação para o monitoramento ambiental do estado. Das 47 estações meteorológicas com histórico superior a seis anos de operação, apenas oito conseguiram atingir o volume pluviométrico esperado para o mês de março. Municípios como Cascavel, Curitiba, Irati e Pato Branco registraram volumes extremamente baixos, inferiores a 25 milímetros ao longo de todo o mês.
Em contrapartida, Londrina apresentou um comportamento atípico, sendo a primeira cidade a superar a média histórica com um acumulado de 262,4 milímetros, apesar de ter registrado chuva em apenas 12 dias. Esse volume concentrado foi fundamental para elevar a média local, superando os 139,4 milímetros previstos para o período. Outras cidades como Cambará, Cerro Azul e Telêmaco Borba também alcançaram seus índices médios na reta final do mês.
- Londrina: 262,4 mm (média histórica: 139,4 mm);
- Cambará: 220,4 mm (média histórica: 129,8 mm);
- Cornélio Procópio: 208,8 mm (média histórica: 152,6 mm);
- Fazenda Rio Grande: 113,6 mm (média histórica: 90,4 mm).
Como a estiagem está afetando os municípios paranaenses?
A combinação de calor excessivo e baixa pluviosidade agravou significativamente a seca, especialmente nas regiões Oeste e Sudoeste. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o cenário já motivou decretos de situação de emergência em 11 prefeituras. O coordenador executivo da instituição, coronel Ivan Fernandes, ressalta que o quadro de estiagem tem avançado de forma gradativa, atingindo até mesmo o Litoral, região tradicionalmente mais úmida.
Os municípios que formalizaram a situação de emergência até o momento são Antonina, Borrazópolis, Capanema, Espigão Alto do Iguaçu, Iretama, Laranjal, Nova Prata do Iguaçu, Roncador, Santa Helena, Boa Vista da Aparecida e Santa Mariana. O Governo do Estado já iniciou o planejamento para a entrega de veículos, kits de combate a incêndios e materiais de proteção para auxiliar as localidades mais atingidas.
Para os próximos meses, as previsões do Simepar indicam que o mês de abril deve seguir a tendência de temperaturas acima da média e chuvas abaixo da normalidade na maior parte do Paraná. O monitoramento contínuo é essencial para orientar o setor agrícola nacional, uma vez que a baixa umidade do solo pode impactar severamente o desenvolvimento das safras de grãos no estado, como a de milho, fundamentais para o abastecimento interno e para a balança comercial brasileira.


