O então ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, decidiu oficialmente deixar a gestão federal nesta quinta-feira (2 de abril de 2026) para articular uma possível candidatura ao Senado Federal pelo estado de São Paulo. A movimentação política, alinhada com a cúpula do PSB, tem como objetivo principal fortalecer o palanque estadual e reforçar a campanha do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes nas próximas eleições.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a decisão foi sacramentada após uma reunião decisiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no período da tarde. O chefe do Executivo concedeu o aval para a saída do auxiliar, reconhecendo a importância do ex-governador como uma liderança estratégica no maior colégio eleitoral do país.
Quais são os bastidores da saída de Márcio França do governo?
A princípio, o Palácio do Planalto avaliava a permanência do político paulista na Esplanada dos Ministérios por meio de uma troca de pastas. O governo trabalhava com a possibilidade de realocá-lo para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse cargo ficará vago devido à saída do atual titular, Geraldo Alckmin, que também deixará a função ministerial para focar em sua candidatura à reeleição como vice-presidente na chapa encabeçada por Lula.
A oferta do MDIC seria uma estratégia direta para evitar um cenário de atrito regional. A gestão federal temia que o político do PSB decidisse lançar uma candidatura própria ao Governo de São Paulo, competindo diretamente contra a chapa encabeçada por Fernando Haddad. Havia um forte desejo interno do ex-governador de disputar o Palácio dos Bandeirantes novamente, sustentando a tese de que sua presença na corrida eleitoral poderia garantir a realização de um segundo turno no estado.
Como fica a composição da chapa governista ao Senado em São Paulo?
Com a confirmação de que o ex-ministro mira a Casa Alta do Congresso Nacional, o campo político ligado ao presidente da República precisará recalcular a engenharia eleitoral no território paulista. A disputa interna pelas vagas majoritárias promete ser acirrada, visto que há outras figuras de peso nacional interessadas na mesma posição com o apoio do governo federal.
O cenário atual de pré-candidaturas governistas ao Senado por São Paulo apresenta os seguintes fatores de articulação:
- A entrada na disputa da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que recentemente se filiou ao PSB e também deixará o governo para concorrer.
- O interesse declarado da atual ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que almeja a mesma cadeira com as bênçãos do Palácio do Planalto.
- A constatação, por parte de aliados palacianos, de que pesquisas recentes de intenção de voto mostram viabilidade real na candidatura de Márcio França.
Qual é a posição do PSB e o histórico do pré-candidato?
Internamente, setores do Partido Socialista Brasileiro preferiam que sua liderança disputasse uma vaga como deputado federal. O raciocínio da legenda era usar seu capital político como um puxador de votos para fortalecer a chapa proporcional, garantindo um aumento expressivo da bancada na Câmara dos Deputados. No entanto, membros do Partido dos Trabalhadores reconhecem que o aliado possui prioridade na escolha do cargo que desejar disputar, dadas as alianças consolidadas.
A relevância do pré-candidato na geopolítica estadual remonta à sua experiência prévia no comando do Executivo paulista. Ele ocupou o cargo de governador de São Paulo durante um período de transição, governando entre os meses de abril e dezembro de 2018. Essa ascensão ocorreu justamente após Geraldo Alckmin renunciar ao mandato na época para disputar a Presidência da República, pavimentando o histórico de articulações conjuntas entre as legendas aliadas.

