
O ex-superintendente geral do São Paulo Futebol Clube, Marcio Carlomagno, foi formalmente expulso do quadro associativo da agremiação esportiva. A medida extrema foi definida pela Comissão de Ética do clube no dia 31 de março e motivada por investigações de envolvimento em um esquema de exploração indevida das instalações do estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbis, localizado na zona sul da capital paulista.
De acordo com informações do GE, a exclusão do ex-dirigente, que atuava como braço direito do atual presidente do clube, Julio Casares, fundamentou-se nas regras de conduta interna da instituição. A punição foi aplicada com base na alínea “S” do décimo artigo do Regimento Interno do São Paulo, diretriz que prevê a eliminação sumária do sócio flagrado ao praticar ato classificado como de gestão irregular ou temerária.
Qual é o envolvimento de Marcio Carlomagno nas investigações policiais?
A Polícia Civil do Estado de São Paulo (PC-SP) conduz um inquérito que apura a exploração clandestina de um camarote localizado no estádio do Morumbis. Neste contexto, as autoridades apontam o ex-superintendente como suspeito de atuar como sócio em uma organização que visava o benefício financeiro ilícito por meio do patrimônio do clube paulista.
Os investigadores detalharam em um relatório analítico que o ex-dirigente faria parte de um quarteto suspeito de dividir lucros provenientes dessa atividade não autorizada pela diretoria. Segundo a apuração oficial, as forças de segurança classificaram a união destas pessoas como uma suposta associação criminosa operando furtivamente nas dependências da instituição esportiva.
O grupo investigado pelas autoridades policiais brasileiras é composto pelos seguintes nomes revelados nos documentos do inquérito de apuração:
- Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral do clube;
- Rita de Cássia Adriana Prado, alvo da investigação;
- Mara Casares, suspeita de envolvimento;
- Douglas Schwartzmann, suposto operador.
Como as autoridades descobriram o suposto esquema no estádio?
O aprofundamento das investigações ocorreu após uma operação policial realizada na residência de Rita de Cássia Adriana Prado. Durante as buscas no imóvel, as autoridades apreenderam um caderno contendo anotações financeiras que, pela primeira vez no curso do inquérito, inseriram formalmente o nome do ex-superintendente na dinâmica operacional do esquema suspeito.
O relatório oficial da Polícia Civil foi contundente ao descrever a importância das evidências físicas encontradas pelas equipes de busca. As autoridades registraram a seguinte conclusão técnica no documento oficial que embasa a investigação criminal sobre o caso do Morumbis:
“Este documento (o caderno) é o elo que une Marcio Carlomagno, a influência de Mara Casares e Douglas Schwartzmann e a operação de Adriana Prado em uma engrenagem sistêmica de saque ao patrimônio”
O que diz a defesa e quais são os próximos passos do processo?
Anteriormente, o nome do ex-dirigente já havia sido mencionado por Douglas Schwartzmann em um registro de áudio revelado pela imprensa esportiva em dezembro do ano passado (2025). Naquela gravação específica, ele era apontado como o indivíduo diretamente responsável por autorizar e ceder o espaço do camarote ao trio de operadores. Na ocasião em que as primeiras denúncias vieram a público, o ex-superintendente manifestou-se à imprensa negando veementemente ter recebido qualquer tipo de compensação financeira ou dinheiro relacionado à cessão de camarotes no Morumbis.
Com a efetivação da expulsão pelo comitê disciplinar são-paulino, o processo administrativo interno ainda não está totalmente encerrado. O regimento do clube garante ao acusado o pleno direito a entrar com um recurso formal contra a penalidade máxima imposta pela diretoria.
Contudo, a tramitação do regulamento interno determina que qualquer apelação apresentada pela defesa será obrigatoriamente analisada e julgada pelos mesmos integrantes da Comissão de Ética que redigiram o relatório final determinando a sua exclusão do quadro associativo. A instituição aguarda agora os desdobramentos legais e o desenrolar das investigações criminais da Polícia Civil para avaliar se medidas adicionais de ressarcimento aos cofres da agremiação serão buscadas judicialmente no futuro.