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Mara Casares depõe por duas horas sobre investigação de camarotes no São Paulo

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Mara Casares caminha por um corredor interno, vestindo roupas formais, durante o depoimento sobre a investigação.
Foto: roger4336 / flickr (by-sa)

Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa de Julio Casares, prestou depoimento por cerca de duas horas nesta terça-feira (31 de março), em São Paulo, no inquérito que apura a possível exploração clandestina de camarotes do Morumbis, estádio do clube na capital paulista. A oitiva ocorreu na 3ª Delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), com participação do delegado Tiago Correia e dos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan. O caso investiga como teria funcionado a comercialização de um espaço do estádio em dias de shows.

De acordo com informações do GE, Mara Casares chegou à delegacia pouco antes das 11h, acompanhada de dois advogados. Na saída, a defesa afirmou que ela respondeu a todos os questionamentos apresentados por promotores e pela autoridade policial, enquanto aguarda a conclusão do inquérito.

“A senhora Mara respondeu absolutamente todas as perguntas dos dois promotores de Justiça que estavam presentes, a autoridade policial. E acredito que ela tenha elucidado todas as questões com extrema clareza. Agora, a gente aguarda a conclusão do inquérito policial para demonstrar absoluta lisura de toda a conduta dela no São Paulo”

A declaração foi dada ao GE pelo advogado Rafael Estephan Maluf após o depoimento. A investigação é conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público desde o ano passado, após a revelação de uma possível exploração irregular de camarote no estádio do clube paulista.

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O que a investigação apura no Morumbis?

O inquérito busca esclarecer a possível exploração clandestina de um camarote do Morumbis, caso revelado em dezembro. Segundo a reportagem original, a força-tarefa tem ouvido investigados e testemunhas no curso das apurações. Entre as pessoas chamadas a depor está Rita de Cassia Adriana Prado, apontada como intermediária do esquema, com participação também de Douglas Schwartzmann, então diretor de base do São Paulo.

Ainda de acordo com a apuração citada pela fonte, Rita de Cassia Adriana Prado permaneceu em silêncio durante o depoimento e desmaiou na saída da delegacia. Já Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos horas depois da divulgação do caso envolvendo a comercialização clandestina de um camarote do Morumbis em dias de shows.

Quais foram os desdobramentos dentro do São Paulo?

Paralelamente à investigação policial, a Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do São Paulo concluiu, nesta segunda-feira (30 de março), um relatório sobre o caso. O documento pede a pena de eliminação de Mara Casares e Douglas Schwartzmann do clube, o que, na prática, significa expulsão.

O relatório foi assinado por cinco integrantes da comissão:

  • Luiz Augusto Lia Braga
  • Antônio Maria Patiño Zorz
  • José Edgard Galvão Machado
  • Marcelo Felipe Nelli Soares
  • Milton Jose Neves Junior

O texto também menciona que o Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo prevê punições a sócios que cometam infrações. Entre as penalidades possíveis, estão:

  • advertência
  • suspensão
  • indenização
  • perda de mandato
  • inelegibilidade temporária
  • eliminação

Já o item Q do Artigo 10 do Regimento Interno do clube prevê suspensão de 90 a 270 dias para quem causar dano à imagem do SPFC, com possibilidade de aumento da penalidade em um terço quando o associado ocupa cargo em algum dos poderes do clube.

Como o caso foi descrito na apuração citada pela fonte?

Segundo o GE, áudios obtidos pela reportagem indicam que Douglas Schwartzmann e Mara Casares admitiram participação em um esquema de exploração clandestina ao menos no show da cantora Shakira, em fevereiro do ano passado. Em uma das gravações reproduzidas pela reportagem, Schwartzmann afirma que ele e outras pessoas ganharam dinheiro com a operação.

“E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.”

A reportagem informa ainda que, nessa conversa, o então diretor da base afirma que Mara Casares recebeu de Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo, o camarote que teria sido comercializado no show da Shakira. O espaço citado é o camarote 3A, no setor leste do estádio, identificado em documentos internos do clube como “sala presidência”. Conforme a apuração, o local ficava em frente ao escritório de Julio Casares e era usado para reuniões e entrevistas.

Com o depoimento de Mara Casares, a investigação avança para a fase final de coleta de esclarecimentos. A conclusão do inquérito deverá indicar se haverá responsabilização no âmbito policial, enquanto o clube já discute eventuais sanções internas com base em seu estatuto e regimento.

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