Mais de 50 mil soldados americanos estão posicionados no Oriente Médio após o envio de 5 mil tropas adicionais, em meio à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, que completou um mês no sábado, 28 de março de 2026, segundo o jornal The New York Times. O Pentágono reforçou a presença militar na região com a chegada de 2,5 mil fuzileiros navais e 2,5 mil marinheiros, o que representa cerca de 10 mil militares a mais que o número habitual.
De acordo com informações do G1, o primeiro contingente chegou na sexta-feira, 27 de março de 2026, a bordo de um navio de assalto anfíbio. O reforço ocorre enquanto o Pentágono demonstra preocupação com o estoque de munição para dar continuidade aos ataques contra o Irã. A escalada no Oriente Médio tem potencial de impacto global por envolver uma região central para o mercado de energia, com reflexos sobre preços internacionais do petróleo e dos combustíveis, tema que também afeta o Brasil.
O que motivou o envio de tropas adicionais para a região?
Na terceira semana do conflito, os EUA decidiram enviar os 2,5 mil fuzileiros navais. Embora ainda não esteja claro quais serão as funções exatas desses soldados, autoridades americanas afirmam que o presidente avalia a possibilidade de realizar um ataque de maior escala, que envolveria o Estreito de Ormuz e as ilhas do canal.
O Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é uma das principais rotas marítimas de petróleo do mundo. Por isso, qualquer ameaça à navegação na área é acompanhada com atenção por governos e mercados internacionais.
Qual a posição do Irã diante da possível incursão terrestre?
O jornal Washington Post informou que o Pentágono se prepara para operações terrestres no Irã, que poderiam incluir ações de forças especiais e tropas convencionais. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que os EUA podem atingir seus objetivos sem o uso de tropas em solo, mas que o envio de forças amplia as opções do governo.
O Irã afirmou no domingo, 29 de março de 2026, estar pronto para reagir a um possível ataque terrestre dos Estados Unidos. O país acusou Washington de preparar uma ofensiva por terra ao mesmo tempo em que fala em negociações.
“Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação. Nossos ataques continuam. Nossos mísseis estão posicionados. Nossa determinação e fé aumentaram”
A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf. Ele afirmou que os EUA enviam sinais de diálogo, mas estariam planejando o envio de tropas nos bastidores.
Quais são os alvos estratégicos avaliados por Trump?
Segundo o The Wall Street Journal, o presidente Donald Trump avalia uma operação militar para extrair quase mil libras de urânio do Irã. A missão seria considerada complexa e arriscada, pois envolveria incursão terrestre por dias ou mais. Trump ainda não tomou uma decisão sobre autorizar o plano.
O presidente também teria dito ao Financial Times que o país “poderia pegar o petróleo no Irã” e tomar a ilha Kharg, centro petrolífero iraniano responsável por 90% da exportação de petróleo do país. Apesar das ameaças, Trump ressaltou que um cessar-fogo poderia ocorrer rapidamente.
Quais esforços diplomáticos estão em andamento?
Ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram no domingo, 29 de março de 2026, em Islamabad para discutir formas de encerrar a guerra, que já dura um mês e deixou milhares de mortos. Os países apresentaram propostas aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural.
Entre as ideias discutidas estão a criação de um sistema de tarifas inspirado no modelo do Canal de Suez e a formação de um consórcio internacional para administrar o fluxo de petróleo. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o país sediará em breve negociações entre Estados Unidos e Irã. Como grande importador de combustíveis e derivados, o Brasil também é sensível a oscilações no mercado internacional de petróleo provocadas por crises nessa rota.
Como foi o ataque iraniano à base americana na Arábia Saudita?
Imagens verificadas pela AFP mostram que uma aeronave E-3 Sentry da Força Aérea dos Estados Unidos foi destruída após um ataque iraniano à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, no domingo, 29 de março de 2026. O avião de vigilância aérea ficou partido ao meio após o impacto de mísseis e drones.
Pelo menos 12 militares americanos ficaram feridos, sendo dois em estado grave. O modelo E-3 Sentry, que faz parte do sistema AWACS, tem custo unitário estimado em US$ 270 milhões e é capaz de rastrear drones, mísseis e aeronaves a centenas de quilômetros de distância.
O ataque integra uma sequência de ofensivas iranianas contra estruturas militares dos EUA no Golfo Pérsico, atingindo bases na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Kuwait nas últimas semanas. Essas ações representam a resposta de Teerã à atuação americana na região e aumentam a tensão em uma das áreas mais estratégicas para a produção e transporte global de petróleo.

