As operações nas instalações de gás de Habshan, consideradas o maior local de processamento do insumo nos Emirados Árabes Unidos, foram totalmente suspensas na manhã desta sexta-feira (3 de abril) em decorrência de um incêndio. O fogo teve início após a queda de destroços resultantes de um ataque aéreo interceptado pelos sistemas de defesa da região. Não há registro de feridos até o momento.
De acordo com informações da OilPrice, as autoridades de Abu Dhabi confirmaram a interrupção das atividades para conter as chamas e avaliar os danos. Esta marca a segunda vez que o complexo é forçado a paralisar sua produção em resposta a ofensivas desde o início do conflito no Oriente Médio. Para o Brasil, interrupções em infraestruturas estratégicas de energia no Golfo Pérsico costumam gerar alertas, pois a oscilação nas cotações globais do petróleo e do gás natural afeta diretamente os preços dos combustíveis e os índices de inflação no mercado nacional.
Qual é a importância do complexo de gás de Habshan para o setor de energia?
As instalações terrestres de Habshan compõem uma das maiores plantas de processamento de gás do mundo. O complexo é operado de forma integral pela ADNOC, a companhia nacional de petróleo de Abu Dhabi, e possui uma infraestrutura de proporções massivas projetada para atender à demanda energética local e internacional.
O vasto Complexo de Habshan é estruturado com as seguintes capacidades operacionais:
- Cinco unidades distintas de processamento;
- 14 trens (linhas) de processamento em plena atividade;
- Capacidade de produção de 6,1 bilhões de pés cúbicos padrão por dia (bscfd).
Além de abrigar o maior polo de gás dos Emirados Árabes Unidos, o local também concentra instalações petrolíferas essenciais. Habshan funciona como o ponto de partida do oleoduto de petróleo bruto que se estende até a cidade portuária de Fujairah.
Como a infraestrutura de Habshan afeta a rota de exportação no Estreito de Ormuz?
A conexão com Fujairah é um elemento estratégico fundamental para o escoamento contínuo da produção energética do país. Como o porto de Fujairah está localizado fora do Estreito de Ormuz, a rota permite que os Emirados Árabes Unidos redirecionem parte de suas exportações de petróleo para longe deste ponto de estrangulamento geográfico, que se encontra de fato fechado para o tráfego comercial de energia devido ao conflito.
No entanto, a segurança dessa rota alternativa também tem sido testada repetidamente. O próprio porto de Fujairah já foi alvo e acabou atingido pelo Irã em vários ataques desde que as hostilidades começaram, demonstrando a vulnerabilidade contínua da cadeia de suprimentos de energia.
O que as autoridades disseram oficialmente sobre o incidente recente?
O Escritório de Mídia de Abu Dhabi emitiu um comunicado oficial nesta sexta-feira (3) para esclarecer a situação. A nota detalha a ação dos sistemas de proteção territorial frente à ameaça e confirma os procedimentos de segurança adotados nas instalações.
“As autoridades de Abu Dhabi estão respondendo a um incidente de queda de destroços nas instalações de gás de Habshan, após a interceptação bem-sucedida por sistemas de defesa aérea. As operações foram suspensas enquanto as autoridades respondem a um incêndio. Nenhum ferimento foi relatado.”
Houve outros alvos de ataques na região do Golfo nesta mesma sexta-feira?
Sim, a onda de violência não se limitou ao território dos Emirados Árabes Unidos. O Kuwait, outro importante produtor do Golfo Pérsico, também reportou sofrer com ofensivas iranianas nesta mesma data. A ação hostil atingiu diretamente as operações vitais de refino do país.
A Kuwait Petroleum Corporation confirmou publicamente que a refinaria de Mina Al-Ahmadi foi alvo de um ataque executado com o uso de drones nas primeiras horas desta sexta-feira (3). A investida militar resultou em incêndios espalhados por várias unidades operacionais da instalação.
Assim como ocorreu no caso de Habshan, o ataque no Kuwait não deixou vítimas ou feridos relatados. Esta já é a segunda vez que a refinaria de Mina Al-Ahmadi, localizada a aproximadamente 50 quilômetros ao sul da Cidade do Kuwait, sofre uma ofensiva, evidenciando o risco imposto às infraestruturas de petróleo e gás na região.


