O advogado Luiz José Bueno de Aguiar, amplamente conhecido nos meios político e jurídico como Lulinha do PT, faleceu no dia 2 de março, na cidade de São Paulo. O óbito ocorreu a duas semanas de o jurista completar 74 anos de idade. Ao longo de sua trajetória profissional, ele se notabilizou pela atuação ininterrupta na defesa de movimentos sociais e na proteção dos direitos humanos em diversas regiões do território nacional.
De acordo com informações do portal UOL Notícias, o advogado formou-se no ano de 1976 pela tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Desde o início de sua carreira, demonstrou uma crença firme no direito inalienável à defesa, o que moldou seu perfil de atuação nas décadas seguintes, inclusive manifestando-se de forma contrária ao que considerava abusos cometidos pela Operação Lava-Jato, a força-tarefa anticorrupção que marcou a política recente do país.
Quais foram as principais atuações institucionais do advogado?
Na esfera institucional, o jurista presidiu a Comissão de Direitos e Prerrogativas da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Além disso, dedicou-se à estruturação de políticas econômicas voltadas para populações vulneráveis, trabalhando no desenvolvimento e na implementação de projetos de microcrédito em parceria com a Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (ABCred).
Seu trabalho de campo abrangeu realidades complexas do sistema prisional e de conflitos de terra. A atuação profissional incluiu passagens marcantes pela cadeia da cidade de Osasco, na Grande São Paulo, e o apoio direto à comunidade de São Félix do Araguaia, no estado de Mato Grosso, região historicamente marcada por tensões fundiárias. Em conjunto com o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (um dos fundadores do PT), manteve um escritório de advocacia que assumiu a representação em dezenas de casos envolvendo conflitos agrários em diferentes estados brasileiros.
Como se deu sua relação com a política e a segurança pública?
A entrada efetiva no universo político aconteceu quando passou a integrar a assessoria de seu amigo pessoal, o então deputado estadual Geraldo Siqueira, conhecido como Geraldinho do Partido dos Trabalhadores (PT). A partir desse momento, estabeleceu laços profundos com a legenda, advogando para o partido durante várias décadas. Também foi peça fundamental na criação da Fundação Perseu Abramo, o centro de estudos e formação política do PT, instituição na qual exerceu a função de advogado por 20 anos contínuos.
No âmbito da gestão municipal, destacou-se ao assumir a chefia da secretaria da Guarda Civil Metropolitana durante o mandato da então prefeita Luiza Erundina (1989-1992) em São Paulo. Como estudioso da segurança pública, defendia um modelo baseado na proximidade com a população. Em sua visão, a eficácia do policiamento dependia dos seguintes fatores:
- Fortalecimento das relações comunitárias nos bairros;
- Implementação de iluminação urbana adequada;
- Criação de uma polícia de bairro integrada aos moradores;
- Disponibilização de espaços para a prática de esportes;
- Fomento à realização de projetos culturais nas periferias.
Quem era Luiz José Bueno de Aguiar na vida pessoal?
Na vida privada, herdou do pai, José, não apenas a vocação para a área do direito, mas também um interesse profundo pela história do Brasil e pela pesquisa genealógica de sua própria família. Por influência direta de sua mãe, Ely, desenvolveu forte conexão com o cenário das artes visuais, chegando a conviver com figuras importantes desse meio, como a artista plástica teuto-brasileira Mira Schendel.
Conhecido por sua personalidade generosa e entusiasmo constante, transportava a oratória dos tribunais para as reuniões familiares, onde gostava de contar histórias longas para os presentes. Seus gostos pessoais eram variados e incluíam o apreço por canções francesas, fados e música caipira raiz, que o conectava a memórias de infância no campo. Paralelamente, era um grande fã de rock, tendo comparecido a todos os shows da banda Rolling Stones na capital paulista ao lado de Adriana, sua companheira por 30 anos, com quem manteve forte amizade mesmo após a separação.
No convívio com os filhos, cultivava tradições simples e afetivas. Costumava assistir às partidas de futebol do Santos com o filho Martim, enquanto o programa favorito com a filha Marília era ver filmes de forma descontraída. Na cozinha, assumia o papel de anfitrião e preparava com frequência pratos tradicionais para seus convidados, com destaque para sua clássica sopa de feijão, o lombo assado e o macarrão estilo cabelo de anjo servido ao molho bolonhesa.
