O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, a decisão do Banco Central (BC) de reduzir a Taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual. A declaração foi feita durante um evento do governo federal em São Paulo, após o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar o corte na taxa básica de juros da economia. De acordo com informações da Agência Brasil, o presidente expressou sua frustração com a decisão, argumentando que esperava um corte maior, de pelo menos 0,5 ponto percentual.
“Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, questionou Lula.
O Copom, órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros, diminuiu por unanimidade a Selic de 15% ao ano para 14,75%. A decisão já era prevista pelo mercado financeiro, conforme dados do boletim Focus, embora alguns analistas esperassem uma redução mais expressiva. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa majoritária era de um corte de 0,5 ponto percentual.
Por que Lula criticou a decisão do Banco Central?
O presidente Lula enfatizou o sacrifício que o governo está fazendo para impulsionar o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento dos salários. Ele ressaltou os impactos negativos que a Selic elevada causa na economia, como a desaceleração da atividade econômica.
“Nós estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção. O sacrifício que nós estamos fazendo para fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar o salário das pessoas, vocês não têm noção”, afirmou Lula.
Qual era o patamar da Selic antes do corte?
Em 15% ao ano, a Selic atingiu o maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro reuniões seguintes.
O que motivou a cautela do Banco Central?
Na ata da reunião de janeiro, o Copom indicou o início de um ciclo de corte nos juros na reunião daquela semana. No entanto, o comunicado divulgado na quarta-feira, 18 de março de 2026, demonstrou maior cautela diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. O BC não descartou a possibilidade de revisar o ciclo de baixa, se necessário.
A taxa básica de juros é utilizada como referência para as demais taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. A previsão do mercado é que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano.
Qual o impacto da inflação no cenário econômico?
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu para 0,7% em fevereiro, impulsionada por despesas com educação. No entanto, o acumulado em 12 meses diminuiu para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
De acordo com o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 aumentou de 3,8% para 4,1%, devido ao conflito no Oriente Médio. Esse valor está um pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão responsável por fixar as diretrizes da política monetária, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, podendo chegar a 4,5%.



