Na disputa eleitoral de 2026, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificam esforços para ampliar suas coligações e garantir mais tempo de propaganda na televisão e no rádio — um recurso considerado estratégico mesmo em tempos de redes sociais. A batalha inclui uma ofensiva por partidos do centrão, cujo apoio pode dobrar o tempo de exposição de Flávio em relação a Lula. De acordo com informações do UOL Notícias.
Por que a propaganda na TV ainda importa em 2026?
Apesar da crescente influência das redes sociais, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro avaliam que a TV aberta continua relevante por alcançar eleitores com renda de até dois salários mínimos — público onde Lula tem vantagem de 52% a 37% sobre Flávio no segundo turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 6 de março. O rádio também é visto como ferramenta eficaz para atingir regiões remotas do país.
A estratégia envolve não apenas reforçar propostas e fortalecer a imagem dos candidatos, mas também desconstruir a do adversário e aumentar sua rejeição entre segmentos-chave do eleitorado.
Como funciona a divisão do tempo de propaganda?
O tempo de propaganda eleitoral no primeiro turno é calculado com base na composição das coligações: 90% são distribuídos proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos por cada partido em 2022, e os 10% restantes são divididos igualmente entre os candidatos à Presidência. Caso Flávio Bolsonaro permaneça isolado com apenas o PL, Lula teria 49% do tempo total contra 35% do senador. Nesse cenário, o programa diário de Lula duraria 5 minutos e 44 segundos, enquanto o de Flávio ficaria em 4 minutos e 35 segundos.
No entanto, se Flávio conseguir alianças com União Brasil, PP e Republicanos — partidos que formam o chamado centrão —, sua fatia subiria para 57%, quase o dobro da de Lula (32%). Seu programa passaria a ter 7 minutos e 5 segundos, contra 3 minutos e 51 segundos do petista.
Quais partidos estão em jogo?
Flávio Bolsonaro busca formalizar apoio da federação União Brasil-PP e do Republicanos. Já Lula, ciente de que essas siglas dificilmente aderirão à sua chapa nacionalmente, tenta rachá-las nos estados para evitar que reforcem integralmente a candidatura de seu adversário. Além disso, o presidente negocia com o MDB, oferecendo a vaga de vice, embora mais da metade dos diretórios estaduais da legenda tenham assinado manifesto pela neutralidade.
- PDT deve apoiar Lula em 2026 (o partido lançou Ciro Gomes em 2022)
- Solidariedade e Pros romperam com Lula e devem ficar neutros
- Avante, PSDB/Cidadania e Podemos ainda não definiram posição
Apenas partidos que superaram a cláusula de desempenho nas eleições de 2022 têm direito a tempo de TV. A cláusula de desempenho é a regra que condiciona o acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral ao resultado obtido pelas siglas nas urnas. Por isso, pré-candidatos como Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão) não terão acesso à propaganda oficial.
A publicidade na TV e no rádio ocorrerá de 28 de agosto a 1º de outubro, com programas diários de 12 minutos e 30 segundos, exibidos às terças, quintas e sábados, além de inserções curtas ao longo da programação. No segundo turno, o tempo será dividido igualmente entre os dois finalistas, independentemente do tamanho das coligações.

