O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 10, em Santo André, no ABC paulista, que meninas podem sofrer violência até mesmo quando vão procurar emprego, durante entrevistas. A declaração foi dada na inauguração da unidade Tamanduatehy da Universidade Federal do ABC (UFABC), em um discurso no qual ele defendeu a educação como caminho para a autonomia feminina e para a ampliação de oportunidades. De acordo com informações do UOL Notícias, a fala ocorreu um dia após a sanção da lei que amplia o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores.
Durante o evento, Lula associou o acesso à educação à independência das mulheres e também à redução de situações de vulnerabilidade. Ao defender programas educacionais, ele afirmou que a formação escolar e profissional pode ampliar a liberdade de escolha e diminuir a dependência econômica em relações marcadas por desigualdade.
O que Lula disse sobre violência contra mulheres e emprego?
Ao discursar na cerimônia, o presidente declarou que mulheres podem ser alvo de violência em diferentes contextos, inclusive no momento de buscar uma vaga de trabalho.
“As meninas são violentadas às vezes [até] quando vão procurar emprego, numa entrevista”
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Lula também reiterou a defesa da educação como instrumento de independência. Em outro trecho do discurso, afirmou:
“As mulheres precisam estudar, estudar, estudar para viver com quem quiserem, e não viver com ninguém por causa de um prato de comida ou por causa do aluguel”
Segundo a reportagem, não é a primeira vez que o presidente relaciona a falta de qualificação profissional a situações de violência contra a mulher. O tema já havia sido mencionado por ele em 2024, ao comentar os efeitos da dependência econômica sobre a permanência em relações abusivas.
Qual foi o contexto da declaração na UFABC?
A fala ocorreu durante a inauguração da unidade Tamanduatehy da UFABC, que integra o projeto de expansão do campus de Santo André. No evento, Lula também abordou políticas de permanência estudantil e de formação de professores, citando o programa Pé-de-Meia, voltado a alunos do ensino médio, e o Pé-de-Meia Licenciaturas, destinado a estudantes de cursos de formação docente.
O presidente afirmou que cerca de 500 mil jovens deixavam o ensino médio todos os anos para ajudar na renda familiar e questionou o impacto da evasão escolar no país.
“Qual é o futuro de um país em que meio milhão de jovens abandona a escola para trabalhar?”
Ao longo do discurso, ele também defendeu a continuidade de políticas educacionais, mesmo com alto custo orçamentário.
“Custa caro? Custa. Mas quanto custa não fazer? Quanto custa o atraso?”
O que foi inaugurado e qual é o investimento na nova unidade?
A cerimônia marcou a entrega da nova unidade da UFABC em Santo André. De acordo com a reportagem, o espaço recebeu investimento de R$ 155,7 milhões do governo federal, dos quais R$ 35,8 milhões vieram do Novo PAC.
A estrutura foi projetada para apoiar a formação de estudantes das engenharias e reúne diferentes instalações acadêmicas e administrativas. Entre os espaços previstos, estão:
- salas de aula;
- auditórios;
- laboratórios didáticos e de pesquisa;
- espaços multiuso;
- setores administrativos ligados ao ensino e às atividades institucionais.
Segundo o reitor da UFABC, Dácio Roberto Matheus, o prédio deve atender cerca de 3.000 alunos por dia. Ele afirmou ainda que a obra levou quase dez anos para ser concluída. Matheus atribuiu a finalização à retomada dos investimentos e citou a construção de uma passarela sobre o rio Tamanduateí, que deverá conectar as duas unidades do campus.
Quais outros dados sobre ensino superior foram citados no evento?
Ao lado de Lula, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o perfil das universidades federais mudou nas últimas décadas. Segundo ele, metade dos estudantes dessas instituições vem de escola pública, e houve ampliação da presença universitária em áreas do interior e da periferia.
“Hoje a universidade federal é o retrato do povo brasileiro. Metade dos estudantes vem de escola pública”
De acordo com o ministério citado na reportagem, o número de universidades federais passou de 45 para 71, enquanto o total de estudantes nessas instituições subiu de cerca de 500 mil para aproximadamente 1,5 milhão nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, alunos cobram a ampliação de políticas de apoio à permanência, diante das dificuldades para concluir a graduação.
A transferência dos cursos de engenharia para a nova unidade deverá liberar espaço na sede atual para a expansão de licenciaturas e da formação de professores. No encerramento do evento, Lula voltou a defender a ampliação da rede federal de ensino e disse que pretende concluir o mandato com 780 institutos federais.