O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países da América Latina e do Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos da região, da extração ao produto final, incluindo beneficiamento e reciclagem. A manifestação ocorreu em discurso lido pelo chanceler Mauro Vieira no sábado, 21 de março de 2026, durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, na Colômbia. Segundo o presidente, a medida é uma forma de usar as riquezas regionais para promover desenvolvimento interno, ampliar a soberania e evitar que outras nações concentrem os ganhos econômicos desses recursos.
De acordo com informações da Agência Brasil, Lula afirmou que a América Latina detém a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo. No discurso, ele ressaltou que esses insumos são estratégicos para a fabricação de chips, baterias e painéis solares, itens associados à revolução digital e à transição energética.
O que Lula disse sobre os minerais críticos da região?
Ao tratar do tema, Lula afirmou que a região tem a chance de alterar sua posição histórica na economia global. O presidente defendeu a criação de um marco regional com parâmetros mínimos comuns para fortalecer o poder de negociação dos países latino-americanos e caribenhos diante de investidores.
“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”
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Segundo o discurso, a proposta é que os países participem de todas as fases da cadeia produtiva desses minérios. Isso inclui não apenas a extração, mas também as etapas industriais e de reaproveitamento dos materiais, em vez de limitar a participação regional ao fornecimento de matéria-prima.
Por que a integração regional foi apresentada como prioridade?
Lula também associou a defesa dos minerais críticos ao fortalecimento da integração regional. De acordo com o presidente, o atual cenário de instabilidade política e geopolítica exige maior articulação entre os países da América Latina e do Caribe para reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a capacidade de resposta a desafios comuns.
“A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”
“Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A Celac representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional”
No discurso lido por Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, o presidente também defendeu a ampliação do comércio intrarregional, a integração das cadeias produtivas e o fortalecimento de blocos como o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. A avaliação apresentada é que a integração funciona como instrumento para ampliar soberania e desenvolvimento econômico na região.
Como o discurso relacionou a Celac ao diálogo internacional?
Ao mencionar a presidência da Celac exercida pela Colômbia, Lula destacou a importância da continuidade do diálogo com China, União Europeia e países africanos. A Celac reúne os países da América Latina e do Caribe e funciona como fórum político de articulação regional. Segundo ele, esses interlocutores enxergam potencial na América Latina e no Caribe que, muitas vezes, a própria região ainda não consegue reconhecer ou aproveitar integralmente.
“Esses países e blocos veem na América Latina e no Caribe um potencial que nós mesmos não sabemos reconhecer e aproveitar. É um paradoxo que uma região com tantos recursos ainda padeça de tantos males”
“Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura. Mas o que predomina neste quadrante do planeta são sociedades profundamente desiguais e tecnologicamente dependentes. O que nos falta para romper esse ciclo de subdesenvolvimento é liderança política”
A fala reforça a leitura de que a atuação conjunta dos países da região pode ampliar sua relevância nas negociações internacionais, especialmente em temas ligados a recursos naturais, energia, comércio e desenvolvimento.
Quais outras áreas foram citadas no discurso?
Além dos minerais críticos e da integração política, Lula defendeu maior conexão da infraestrutura regional. Ele mencionou a necessidade de rotas por terra, água e ar entre Atlântico e Pacífico, além da interligação das redes elétricas dos países latino-americanos e caribenhos.
“Precisamos de rotas por terra, água e ar, do Atlântico ao Pacífico, por onde produtos possam circular e cidadãos possam transitar”
“Em um mundo com bloqueios marítimos e cortes no abastecimento de insumos, essa integração é ainda mais importante”
O presidente também afirmou que uma região desarticulada favorece a atuação do crime organizado e defendeu cooperação entre os países para alcançar toda a cadeia de comando das organizações criminosas. No discurso, citou como pontos centrais o combate à fraude, ao fluxo de armas, à lavagem de dinheiro e a regulação do uso de criptomoedas.
“Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vem de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Apenas o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”
