O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente nesta quinta-feira (19/3/2026) a decisão do Banco Central de cortar apenas 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, considerando a redução insuficiente. Em evento realizado em São Paulo, o petista expressou frustração com a medida e não poupou palavrões ao questionar a justificativa da autoridade monetária.
“Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste”, declarou Lula. “Triste porque esperava que o Banco Central abaixasse os juros em pelo menos 0,5%. E abaixou só 0,25% dizendo que é por causa da guerra. Porra, essa guerra até no nosso Banco Central?”, disparou o presidente, de acordo com informações do Metrópoles.
Por que o Banco Central cortou apenas 0,25 ponto percentual?
Na noite de quarta-feira (18/3/2026), o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, anunciou o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, fixando a taxa em 14,75% ao ano. O Copom é o colegiado do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia brasileira. A medida era amplamente esperada pelo mercado, especialmente após o início da guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
No entanto, antes da eclosão do conflito, o mercado apostava em uma redução de 0,50 ponto percentual, valor ao qual Lula se referiu em sua declaração. No comunicado oficial, o BC citou diversas vezes a guerra como uma nova e forte fonte de incertezas para a economia e o comportamento da inflação.
O que muda para a próxima reunião do Copom?
O Copom recusou-se a fazer qualquer indicação sobre os próximos passos da política monetária, deixando em aberto se haverá nova redução da Selic na próxima reunião do órgão, marcada para 29 de abril de 2026. Essa postura reflete a cautela da autoridade monetária diante das incertezas geopolíticas.
Como a guerra afeta os preços dos combustíveis no Brasil?
Durante o evento, Lula também abordou o aumento nos preços dos combustíveis e fez críticas contundentes aos responsáveis pelos reajustes abusivos. O presidente chamou de “bandidos” aqueles que aproveitam o conflito para elevar os preços do diesel, álcool e gasolina nos postos.
“E veja que coisa grave: não aumentou só o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã. Aumentou o preço da gasolina, que ainda não tinha por que aumentar. Significa que neste país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres, até com a miséria dos outros”.
O governo federal intensificou a fiscalização para coibir os aumentos considerados abusivos. Segundo Lula, foram mobilizadas a Polícia Federal, a Receita Federal e os Procons para investigar quem está promovendo aumentos desnecessários nos preços dos combustíveis.
Qual é a proposta do governo para os estados?
O presidente destacou uma proposta do governo para que os estados zerem temporariamente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a importação de diesel. O ICMS é um tributo estadual que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços. Em contrapartida, a União se propõe a bancar metade da renúncia fiscal, estimada em R$ 3 bilhões por mês.
“Os governadores, Alckmin, poderiam fazer uma isenção do ICMS, poderiam fazer para não permitir o aumento. E o governo ainda se dispõe a devolver para ele metade da isenção que eles fizerem. Nós vamos pagar a metade”, explicou o titular do Palácio do Planalto.
A proposta foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) na quarta-feira (18/3/2026). O Confaz reúne secretários estaduais de Fazenda e o governo federal para tratar de temas tributários, como regras do ICMS. Vale lembrar que Durigan assumirá o posto de ministro da Fazenda no lugar de Fernando Haddad, que confirmou sua saída nesta quinta-feira.
O objetivo da medida é evitar que o impacto da guerra no Oriente Médio chegue “ao prato do feijão com arroz do povo brasileiro, ao café da manhã, à merenda de nossas crianças”, como enfatizou Lula durante sua fala.



