O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quinta-feira, 19 de março de 2026, que o caso do Banco Master é “obra” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. As declarações foram feitas durante evento em São Bernardo do Campo (SP), no ABC Paulista.
Segundo informações do Metrópoles e do Poder360, Lula criticou tentativas da oposição de vincular o PT ao caso que resultou em um rombo de R$ 51,8 bilhões. O FGC, citado por Lula, é uma entidade privada que protege depositantes e investidores dentro dos limites previstos na regulamentação do sistema financeiro.
“Vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo esse Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”
Qual a responsabilidade de Roberto Campos Neto no caso?
O presidente atribuiu diretamente a Roberto Campos Neto a autorização para a transferência do controle do Banco Máxima para o empresário Daniel Vorcaro em outubro de 2019, operação que deu origem ao Master. Lula contrastou essa decisão com a postura do ex-presidente do BC Ilan Goldfajn, que, segundo ele, havia negado o reconhecimento da instituição no início do mesmo ano. O Banco Central é a autarquia responsável por autorizar e supervisionar o funcionamento de instituições financeiras no país.
“No começo do ano, o ex-presidente do Banco Central Ilan negou o reconhecimento do Banco Master. Quem reconheceu em dezembro de 2019 foi Roberto Campos. E todas as falcatruas foram feitas por ele”
O caso do Banco Master levou ao desembolso de R$ 51,8 bilhões pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para amparar os clientes da instituição, que sofreu liquidação extrajudicial após investigações revelarem fraudes no sistema.
Como Lula pretende responder às acusações?
Durante o discurso, o presidente convocou a bancada do PT no Congresso Nacional a adotar uma postura mais combativa diante das tentativas da oposição de vincular o partido ao escândalo. Ele defendeu que os parlamentares petistas devem “ir para o enfrentamento” e não se calar diante das acusações.
Lula também mencionou outros casos investigados durante seu governo, como a “Farra do INSS”, revelada pelo Metrópoles, destacando que foi a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal que descobriram irregularidades na Previdência Social.
“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar. A gente não pode se calar, temos que abrir a boca e ir para o enfrentamento. Não tem aquele negócio de Lulinha paz e amor. Também não quero ser o Lulinha paz e ódio. Eu quero ser Lulinha paz e amor, mas com amor mais duro”
Qual o contexto político das declarações?
As falas de Lula aconteceram em São Bernardo do Campo, cidade do ABC Paulista ligada à trajetória sindical e política do presidente. O município abriga o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, espaço historicamente associado à ascensão de Lula no movimento sindical e na política nacional.
O presidente criticou o que chamou de “promiscuidade generalizada” nos debates políticos e alertou sobre a necessidade de o PT não “vacilar” para não pagar “um preço muito alto” politicamente. Ele demonstrou preocupação com a possibilidade de a oposição conseguir responsabilizar o governo petista pelo conhecimento prévio do escândalo do Master.



