O pescador de enguias Declan Conlon vai recorrer à Alta Corte de Belfast para sustentar que autoridades da Irlanda do Norte permitiram o colapso ecológico de Lough Neagh, o maior lago do Reino Unido em área, ao não agir contra a poluição. A audiência ocorre em 24 de março de 2026, em Belfast, e o caso questiona a atuação do Departamento de Agricultura, Meio Ambiente e Assuntos Rurais, conhecido como Daera, diante da deterioração ambiental do lago, afetado por florações recorrentes de algas e pela suspensão da pesca de enguias em 2025.
De acordo com informações do Guardian Environment, Conlon, cuja família pesca no lago há gerações, pede uma revisão judicial contra o Daera. O argumento central é que o departamento deixou de agir contra poluidores, apesar de evidências claras da crise ecológica enfrentada por Lough Neagh. Para o leitor brasileiro, o caso chama atenção por envolver a responsabilização do poder público diante da degradação de um ecossistema estratégico, tema que também aparece com frequência em disputas ambientais no Brasil.
O que está sendo discutido na Justiça em Belfast?
A ação apresentada por Conlon busca contestar, na Justiça, a resposta das autoridades à poluição do lago. Segundo o relato, o pescador afirma que os órgãos públicos seguiram apoiados em planos insuficientes e em regimes de controle da poluição que não foram efetivamente aplicados, mesmo com o agravamento da situação ambiental.
Lough Neagh, situado no centro da Irlanda do Norte, é um local de importância global e protegido internacionalmente. Ainda assim, o lago enfrenta uma crise aguda, associada ao excesso de fósforo e nitrogênio provenientes da agricultura, inclusive de escoamento de fazendas, fertilizantes e resíduos animais, além de falhas em instalações de tratamento de águas residuais e vazamentos de fossas sépticas.
Como a poluição afetou o lago e a atividade pesqueira?
As águas do lago, antes descritas como claras e de tonalidade castanho-clara, passaram a apresentar coloração verde por causa de florações recorrentes de algas. Esse fenômeno reduz o oxigênio disponível na água e compromete a vida aquática. Segundo a organização Friends of the Earth Northern Ireland, toxinas ligadas às algas mataram cisnes, peixes e até cães de estimação.
O impacto também atingiu diretamente a economia local e o modo de vida de quem depende do lago. A pesca de enguias foi suspensa em 2025, e turistas deixaram de frequentar uma área que, segundo o texto original, deveria ser um refúgio de água doce com diversidade ecológica e abundância de salmões e enguias. Casos assim também têm repercussão mais ampla por tratarem de segurança hídrica, proteção da biodiversidade e fiscalização sobre fontes difusas de poluição, temas presentes em diferentes regiões do Brasil.
- Excesso de fósforo e nitrogênio no lago
- Contribuição da atividade agrícola, fertilizantes e resíduos animais
- Problemas em estações de tratamento de esgoto
- Vazamentos de fossas sépticas
- Suspensão da pesca de enguias em 2025
O que disseram o pescador e os apoiadores da ação?
Conlon afirmou estar vendo o lago morrer diante de seus olhos e relacionou a proliferação de algas verde-azuladas à destruição de seu sustento. Em declaração reproduzida no texto original, ele defendeu medidas efetivas para conter o problema e proteger o lago para as próximas gerações.
“Meu modo de vida foi destruído pelas algas verde-azuladas, e eu quero que o Daera faça tudo o que for necessário para deter as algas e salvaguardar e proteger Lough Neagh, os peixes, os insetos e a vida selvagem para o benefício das futuras gerações”, disse. “Não se trata apenas do meu sustento — trata-se de justiça para o lago antes que não reste nada para a próxima geração.”
Enda McGarrity, diretor da PA Duffy & Co, escritório que representa Conlon, disse que o processo reflete a experiência de pessoas cujo sustento depende da saúde do lago. Ele afirmou que, onde antes havia abundância, agora quase não há insetos para alimentar as enguias, poucas aves e trechos de água com odor intenso.
“Onde antes havia abundância, agora não há insetos para as enguias se alimentarem, quase não há aves, e há trechos de água com um odor tão forte que não se consegue ficar por perto”, disse McGarrity.
Quem mais acompanha o caso e qual foi a resposta oficial?
As organizações Friends of the Earth Northern Ireland e River Action buscam intervir no caso, que começou a ser analisado em 24 de março de 2026. Segundo a reportagem, mais de 50 mil pessoas apoiaram o plano da Friends of the Earth Northern Ireland para salvar o lago, incluindo a proposta de devolvê-lo à propriedade comunitária.
Emma Dearnaley, chefe da área jurídica da River Action, afirmou que o processo levanta questões urgentes sobre a suficiência das medidas adotadas para enfrentar a poluição que impulsiona o declínio de Lough Neagh. Para ela, decisões baseadas em planos e promessas permitiram a continuidade da contaminação e a deterioração visível do lago.
Procurado, um porta-voz do Daera informou apenas que já há um processo em andamento sobre o tema e, por isso, seria inadequado comentar as questões submetidas ao tribunal. Com isso, a disputa judicial deve concentrar o debate sobre responsabilidade pública, fiscalização ambiental e recuperação de um dos ecossistemas mais relevantes da Irlanda do Norte.


