O Flamengo inicia sua jornada na Copa Libertadores da América nesta quarta-feira (8/4), às 21h30 (horário de Brasília), enfrentando o Cusco FC. A partida será realizada no estádio Garcilaso de la Vega, no Peru, localizado a impressionantes 3.350 metros acima do nível do mar, nos Andes peruanos. O local traz boas memórias ao clube carioca, pois foi exatamente neste gramado que a equipe registrou seu maior triunfo na história jogando sob os rigorosos efeitos da altitude sul-americana.
De acordo com informações do GE Futebol, o histórico da equipe em cenários acima de 2.500 metros é consideravelmente desafiador. Em 18 partidas disputadas sob estas condições atmosféricas, a agremiação brasileira amargou nove derrotas e registrou cinco empates. As vitórias somam apenas quatro, evidenciando o elevado grau de complexidade que o ar rarefeito impõe aos atletas em competições de alto rendimento no continente.
Das quatro vitórias conquistadas pelo time carioca na altitude ao longo de sua trajetória na competição, três ocorreram pela margem mínima de um gol de diferença. Os registros oficiais marcam triunfos sobre o Jorge Wilstermann por 2 a 1 na Bolívia, em 1981; contra o San José por 1 a 0, também em solo boliviano, no ano de 2019; e diante da LDU por 3 a 2 no Equador, em 2021. Nenhuma dessas atuações, no entanto, chegou perto de igualar o domínio imposto na histórica partida de 2008.
Como se desenhou a maior vitória do Flamengo na altitude?
O feito inédito ocorreu durante a edição da Libertadores de 2008, quando o clube rubro-negro superou o Cienciano por expressivos 3 a 0, atuando sob o comando do técnico Joel Santana. Naquela época, a instituição ainda atravessava um período de austeridade financeira, contando com um elenco formado por atletas como Bruno, Léo Moura, Fábio Luciano, o zagueiro Ronaldo Angelim, Juan, Cristian, Ibson, Kleberson, Toró, Renato Augusto e Souza. A partida exigiu grande esforço, uma vez que o adversário peruano ostentava uma invencibilidade atuando em seus domínios que já durava nove meses.
A primeira metade do confronto terminou empatada sem gols, com os peruanos parando em defesas cruciais do arqueiro brasileiro. O panorama se transformou na segunda etapa, quando o meia Renato Augusto aproveitou um rápido contra-ataque para abrir o placar aos oito minutos. Após a expulsão do atleta Bazalar, punido por uma falta dura, os brasileiros ganharam terreno. Toró ampliou a vantagem em novo contra-ataque aos 32 minutos, e o lateral Juan fechou o marcador nos acréscimos com uma precisa cobrança de falta.
“É engraçado, tenho uns flashes. Lembro que o adversário tinha um ponta direita que deu bastante trabalho, jogador muito rápido, forte. O placar favoreceu, a gente fez o primeiro gol e conseguiu jogar mais posicionado”, detalhou o ex-atleta em recente entrevista.
Qual a estratégia recomendada para superar o ar rarefeito?
O ex-lateral destacou que as condições geográficas alteram significativamente o comportamento da bola, tornando-a muito mais rápida, o que dificulta consideravelmente o tempo de reação dos goleiros. Ele revelou que, no momento da cobrança de falta que resultou no terceiro gol, já havia mentalizado a ideia de aproveitar a velocidade adicional gerada pelo ar com menor densidade. Além das exigências técnicas dentro de campo, a logística para esses confrontos envolve métodos peculiares liderados pela comissão técnica, como simulações para adaptação respiratória e o tradicional uso de cilindros de oxigênio suplementar.
Atualmente exercendo o cargo de diretor de futebol no interior do estado de São Paulo, aos 44 anos, o ex-jogador enviou direcionamentos valiosos para o atual elenco, que retorna à cidade de Cusco após um hiato de 18 anos. Segundo ele, o controle físico e o rigor tático são fatores determinantes para o sucesso no Peru. As principais orientações estratégicas incluem:
- Manter o controle absoluto do ritmo de jogo para conseguir dosar a energia durante os dois tempos;
- Evitar ataques desenfreados que impossibilitem a recomposição defensiva e gerem asfixia e falta de ar;
- Priorizar o posicionamento tático e atuar com níveis altíssimos de concentração coletiva;
- Avançar ao campo ofensivo apenas em momentos propícios, reduzindo o desgaste físico excessivo da equipe.
O adversário desta importante rodada de abertura, o Cusco FC, é a versão rebatizada do antigo Real Garcilaso, clube que passou por uma reformulação de identidade visual e nominal com o objetivo de estabelecer raízes e uma identificação mais profunda com a comunidade local. A missão dos brasileiros agora será aplicar a paciência e a eficiência tática para driblar as barreiras geográficas e assegurar os primeiros três pontos na tabela de classificação do mais prestigioso torneio de clubes da América do Sul.