Lagostas do Golfo do Maine enfrentam ameaças reais com o aquecimento - Brasileira.News
Início Energia & Clima Lagostas do Golfo do Maine enfrentam ameaças reais com o aquecimento

Lagostas do Golfo do Maine enfrentam ameaças reais com o aquecimento

0
9
lobster trap
lobster trap Foto: Karl Magnuson via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

Pesquisadores dos Estados Unidos estão investigando como o aumento das temperaturas e a acidificação dos oceanos ameaçam o futuro das lagostas no Golfo do Maine, na costa nordeste americana. Por meio de estudos laboratoriais conduzidos no início de 2026, cientistas buscam compreender as adaptações fisiológicas desses crustáceos diante das rápidas mudanças climáticas globais. O cenário serve de alerta científico global, inclusive para o ecossistema e a economia pesqueira costeira do Brasil, que também enfrentam os impactos do aquecimento marinho.

De acordo com informações do Inside Climate News, a indústria pesqueira local colheu cerca de 35,7 mil toneladas (78,8 milhões de libras) do animal em 2025. Os dados oficiais revelam que os pescadores comerciais norte-americanos arrecadaram US$ 619 milhões com as operações.

Como o clima afeta as lagostas?

Curt Brown, um pescador e pesquisador com mestrado pela Universidade do Maine, observa que o ecossistema afetado é altamente complexo. Embora muitos temam que os animais migrem rapidamente para as águas mais frias do Canadá, ele acredita que diversos fatores interligados moldam o futuro da espécie e da indústria.

Um estudo do ano de 2015, liderado por Andrew Pershing, revelou que a superfície do Golfo do Maine está aquecendo 99% mais rápido do que o restante dos oceanos globais. Isso levanta profundas preocupações sobre a sustentabilidade da pesca, que possui registros documentados na Nova Inglaterra desde o ano de 1605.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Quais são os impactos biológicos do aquecimento?

Miguel Barajas, pesquisador do Gulf of Maine Research Institute, explica que as lagostas são ectotérmicas, o que significa que não regulam a própria temperatura corporal. O calor excessivo da água faz com que elas cresçam e se desenvolvam de forma acelerada, aumentando drasticamente sua necessidade metabólica diária.

A faixa ideal de sobrevivência do crustáceo fica entre 12 e 18 graus Celsius. Ultrapassar essa marca pode fazer com que atinjam a maturidade de forma precoce, resultando em um tamanho menor e em uma capacidade reprodutiva bastante reduzida. Problemas graves podem surgir se não houver alimento disponível devido ao descompasso dos ciclos naturais.

O aumento térmico também pode ditar onde os animais se estabelecem no oceano, forçando-os a migrar para áreas muito mais profundas e distantes da costa em busca de alívio. O especialista alerta para os riscos combinados no ecossistema.

“Muitas vezes você analisa um ou outro, mas às vezes, quando se tem esses múltiplos estressores, pode haver um efeito sinérgico, onde a soma deles é maior do que cada um isoladamente.”

Essa foi a constatação do pesquisador sobre a importância de monitorar temperatura e acidez simultaneamente para entender a crise atual.

O que revelam as pesquisas em laboratório?

Um estudo publicado no início de 2026, financiado pela Iniciativa da Lagosta Americana da NOAA (agência governamental dos EUA responsável pelos oceanos e atmosfera), analisou embriões ao longo de cinco meses contínuos. Os cientistas recolheram 24 espécimes da região natural e os transferiram para um laboratório avançado na Virgínia.

O experimento científico simulou com precisão as condições atuais e as previsões climáticas para o ano de 2100, variando os níveis térmicos e de pH. As condições recriadas no laboratório refletiram de forma rigorosa as mudanças sazonais típicas das águas do nordeste norte-americano. A equipe avaliou as seguintes métricas fundamentais de desenvolvimento:

  • Taxa de evolução dos ovos e monitoramento de batimentos cardíacos;
  • Consumo total de oxigênio pelas amostras em desenvolvimento;
  • Níveis de proteína presentes nos organismos testados;
  • O processo completo de eclosão dos filhotes.

Quais foram as descobertas sobre as larvas?

Emily Rivest, professora associada do Instituto de Ciências Marinhas da Virgínia e uma das autoras do projeto, pontuou que os embriões analisados se mostraram tolerantes às condições extremas de acidificação da água, mas demonstraram uma altíssima sensibilidade ao calor projetado.

“As larvas que estavam experimentando temperaturas mais quentes eram menores em tamanho quando eclodiram.”

A explicação da especialista destaca as alterações físicas imediatas causadas pelo clima adverso. A constatação fornece pistas importantes para que o setor pesqueiro que depende da espécie consiga planejar medidas de mitigação para um futuro inegavelmente mais quente.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here