A ex-senadora e ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu oficializou neste sábado, 4 de abril de 2026, sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) no estado do Tocantins. O movimento político, anunciado por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais, consolida a aproximação da pecuarista com o governo federal e tem como objetivo principal formar uma base sólida para apoiar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. De acordo com informações da Folha de S.Paulo / UOL e do portal Brasil 247, o ingresso na legenda marca uma nova etapa na trajetória da parlamentar, reconhecida historicamente por sua ligação com o setor ruralista e por ter presidido a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Durante o ato de filiação, Kátia Abreu fez questão de agradecer publicamente o convite que recebeu da alta cúpula petista, reforçando seu alinhamento com as diretrizes da atual gestão. Em seu discurso de entrada na legenda, a ex-ministra destacou os valores que pretende defender em sua nova casa partidária, unindo conceitos do agronegócio com as pautas sociais do partido em prol da democracia brasileira.
“Agradecer ao presidente Lula, que também reforça esse convite para que eu filie no PT do Tocantins. Estaremos juntos nessa luta pela democracia, pela reeleição do Presidente Lula, para que todos nós continuemos lutando por dias melhores, pela igualdade das pessoas, por mais justiça social. Porque este é o Estado da livre iniciativa, do trabalho e da justiça social acima de tudo”, declarou Kátia Abreu.
Como foi a evolução da relação entre Kátia Abreu e o PT?
A entrada de Kátia Abreu no Partido dos Trabalhadores representa o ápice de um longo processo de reposicionamento político. A ex-senadora nem sempre teve uma relação amistosa com a sigla e, inclusive, já foi uma crítica aberta de Lula em momentos passados de sua carreira política. No entanto, a convergência entre a pecuarista e o campo progressista começou a ganhar contornos definitivos durante o governo de Dilma Rousseff (PT).
A aproximação se materializou quando Kátia assumiu o Ministério da Agricultura na gestão de Dilma. O momento de maior lealdade ao projeto petista ocorreu durante o controverso processo de impeachment, em 2016, que resultou na queda da então presidente. Naquela ocasião, Kátia Abreu se indispôs fortemente com o seu próprio partido da época, o MDB. Ela decidiu permanecer ao lado de Dilma Rousseff até o fim, contrariando a orientação emedebista, que atuou decisivamente para alçar o então vice-presidente Michel Temer (MDB) ao comando do Palácio do Planalto.
Mais recentemente, esse diálogo e convergência voltaram a se fortalecer em âmbito nacional. Nas eleições presidenciais de 2022, a ex-senadora declarou apoio oficial a Luiz Inácio Lula da Silva, auxiliando na vitória eleitoral que o reconduziu ao seu terceiro mandato na Presidência da República. Agora, já filiada formalmente, a ex-ministra garante que trabalhará ativamente pelo projeto de reeleição do petista.
Qual é o histórico partidário e eleitoral da ex-senadora?
A trajetória de Kátia Abreu é marcada por uma intensa movimentação no xadrez político brasileiro, com passagens por legendas de espectros variados antes de chegar ao PT. O movimento atual indica uma mudança significativa tanto em sua base regional no Tocantins — estado que integra a estratégica fronteira agrícola do Matopiba — quanto no contexto político nacional, atraindo uma representante histórica do agronegócio para o centro do principal partido de esquerda do país.
O percurso eleitoral e as diversas filiações partidárias da ex-ministra e ex-senadora incluem as seguintes etapas fundamentais ao longo de sua vida pública:
- Início no PFL: Iniciou sua carreira política institucional no antigo Partido da Frente Liberal (PFL), sigla pela qual exerceu o seu primeiro mandato de deputada federal a partir do ano 2000.
- Chegada ao Senado pelo DEM: Em 2006, disputou e venceu as eleições para o Senado Federal, desta vez representando o Democratas (DEM). Tanto o antigo PFL quanto o DEM foram as bases formadoras do que hoje constitui o partido União Brasil.
- Segundo mandato e trânsito partidário: No ano de 2015, deu início a um segundo mandato consecutivo no Senado Federal, período em que passou pelos quadros do Partido Social Democrático (PSD) e, posteriormente, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
- Candidatura ao Executivo nacional: Nas eleições de 2018, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) para compor, como candidata à vice-Presidência da República, a chapa encabeçada pelo ex-ministro Ciro Gomes. A dupla terminou o pleito eleitoral na terceira colocação geral.
- Término do mandato legislativo: O seu período como parlamentar no Senado Federal se encerrou oficialmente após as eleições de 2022, abrindo caminho para esta nova fase de militância política diretamente ligada ao Palácio do Planalto.
O que essa filiação muda no cenário político nacional?
O ingresso da ex-senadora no Partido dos Trabalhadores é visto como um indicativo claro das estratégias da legenda visando as eleições de 2026. Ao atrair uma figura com amplo trânsito histórico entre os ruralistas e defensores do agronegócio, o PT demonstra a intenção de ampliar suas bases políticas e reduzir resistências em setores econômicos que tradicionalmente apresentam forte oposição às pautas da esquerda brasileira. A filiação no estado do Tocantins também reforça a necessidade de criar palanques regionais diversificados e consistentes para sustentar o projeto de reeleição de Lula.


