O presidente do PSD, Gilberto Kassab, teria definido sua estratégia para a sucessão presidencial de 2026, optando por apoiar uma candidatura de direita com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em vez de buscar um nome de centro como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A decisão, que representaria uma guinada à direita do partido, é interpretada por analistas como uma resposta ao eleitorado conservador, que demonstraria preferência por figuras mais alinhadas ao estilo do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informações do UOL Notícias, a movimentação ocorre nos bastidores do partido.
A coluna de Josias de Souza, publicada nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, relata que Kassab sofreu “dois tombos” nos preparativos para a disputa, o que teria afetado sua estratégia inicial de posicionar o PSD como uma força centrista. A opção por Ronaldo Caiado simbolizaria, portanto, uma adaptação à realidade política percebida, na qual o eleitorado de direita mostraria pouco apetite por versões mais moderadas, preferindo o que é descrito como o “original” — uma referência a Bolsonaro — em detrimento de um “genérico”.
Por que o PSD estaria mirando o eleitorado conservador?
A análise sugere que a movimentação de Kassab é um reconhecimento tático da força do bolsonarismo no espectro político da direita. Apesar de Jair Bolsonaro estar inelegível, sua influência e a lealdade de sua base eleitoral permanecem como fatores decisivos. A aposta em Caiado, um político com trajetória e discurso conservadores, mas com um perfil governista e experiência executiva, seria uma tentativa de capturar esse eleitorado sem necessariamente abraçar a polarização radical do ex-presidente.
Ronaldo Caiado, que está no segundo mandato como governador de Goiás, construiu uma imagem de gestor associada ao agronegócio e a políticas econômicas liberais. Goiás tem peso relevante no agronegócio brasileiro, o que ajuda a explicar a projeção nacional do governador nesse campo. Seu nome circula há algum tempo como uma potencial carta na direita, mas a possível chancela do PSD daria um peso novo à sua candidatura, oferecendo uma estrutura partidária nacional e um discurso de união de setores que não se identificam com o lulismo.
Quais são os desafios para uma candidatura Caiado em 2026?
O caminho para consolidar Caiado como o principal nome da direita em 2026 não seria simples. O primeiro e maior obstáculo é a própria figura de Jair Bolsonaro e sua família, que mantêm um domínio forte sobre a base. Qualquer tentativa de criar uma alternativa dentro do mesmo espectro ideológico enfrentaria a resistência dos setores mais fiéis ao ex-presidente, que podem ver em outros nomes, como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), ou até mesmo em um de seus filhos, opções mais legítimas.
Além disso, a opção por Caiado significaria abrir mão de uma fatia do eleitorado de centro que o PSD tradicionalmente busca. A guinada à direita poderia afastar aliados e eleitores mais moderados, deixando um espaço que poderia ser ocupado por outros partidos. A estratégia de Kassab, portanto, é de alto risco: assume que o centro político está fraco ou indisponível e que a única rota viável para chegar ao poder é conquistando a direita consolidada.
O cenário para 2026 ainda está em formação, com muitas variáveis, incluindo a performance do governo Lula, a situação econômica do país e as investigações judiciais que envolvem figuras bolsonaristas. A movimentação do PSD, no entanto, é um dos primeiros sinais concretos de como as forças políticas começam a se organizar para a próxima grande disputa nacional, indicando que a polarização deve continuar a ser um elemento central do debate eleitoral.

