Juros no Brasil: Conflito no Oriente Médio não deve afetar corte da Selic - Brasileira.News

    Juros no Brasil: Conflito no Oriente Médio não deve afetar corte da Selic

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    Conflito Oriente Médio não impactará redução dos juros no Brasil

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que a escalada do conflito no Oriente Médio não deve impactar a esperada redução da taxa de juros no Brasil. A declaração foi feita em entrevista ao programa *Alô Alô Brasil*, da Rádio Nacional. A Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), tem previsão de começar a ser reduzida na próxima reunião do colegiado, agendada para 17 e 18 de março.

    De acordo com informações da Agência Brasil, Haddad minimizou o impacto imediato do conflito, ressaltando que a equipe econômica está preparada para diferentes cenários. “Tudo é uma questão de momento, nós estamos falando de hoje. A gente não sabe como é que esse conflito vai acontecer, como é que as coisas vão suceder, mas é muito cedo para falar de uma reversão do que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes [da taxa Selic]”, afirmou Haddad.

    A taxa Selic, utilizada como principal instrumento para controlar a inflação, permanece no patamar mais elevado desde julho de 2006. Apesar da recente diminuição da inflação e da cotação do dólar, o Copom optou por manter os juros inalterados em sua última reunião, realizada no fim de janeiro. Na ata da reunião, o Comitê confirmou a intenção de iniciar o ciclo de redução dos juros na reunião de março, desde que a inflação permaneça sob controle e não ocorram eventos inesperados no cenário econômico. Contudo, mesmo com a redução, os juros devem ser mantidos em níveis considerados restritivos.

    Quais fatores poderiam alterar a decisão do Copom sobre a Selic?

    Conflitos armados, como o que ocorre no Oriente Médio, tendem a afetar as variáveis econômicas, principalmente as expectativas futuras, dependendo da gravidade dos acontecimentos. O ministro Haddad enfatizou que a equipe econômica deve estar preparada para enfrentar diversos cenários, incluindo conflitos armados, eventos climáticos extremos, pandemias e guerras tarifárias. Ele defendeu a necessidade de humildade, reconhecendo as limitações do país, sem, no entanto, desvalorizar suas forças.

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    O Brasil está preparado para enfrentar as consequências do conflito?

    Haddad expressou confiança na autonomia do Brasil para suportar as consequências do conflito. “O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]. Nós temos reservas cambiais, nós não temos dívida externa […], nós temos energia limpa”, acrescentou o ministro.

    Qual a relação do conflito com a expansão da China?

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a escalada do conflito no Oriente Médio pode estar relacionada à tentativa de conter a expansão econômica da China, vista como uma ameaça pelos Estados Unidos, além de consolidar a hegemonia de Israel na região. Segundo Haddad, a China “assusta demais os Estados Unidos”, e o conflito seria um movimento político estratégico. O ministro mencionou ainda a forte parceria estratégica e econômica entre China e Irã, com o país asiático sendo o principal comprador do petróleo iraniano.

    O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou preocupação com os ataques e pediu a interrupção das ações militares, defendendo o respeito à soberania e integridade territorial do Irã, além da retomada do diálogo para preservar a estabilidade no Oriente Médio.

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