Juro alto eleva endividamento de empresas para R$ 2,3 trilhões no Brasil - Brasileira.News
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Juro alto eleva endividamento de empresas para R$ 2,3 trilhões no Brasil

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Gráfico de barras ascendentes ao lado de moedas e uma calculadora, simbolizando o aumento da dívida empresarial.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O endividamento de 248 empresas brasileiras chegou a R$ 2,3 trilhões em 2025, em meio à pressão de juros elevados sobre o caixa das companhias, cenário que ajuda a explicar o avanço dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial no Brasil. De acordo com informações da CNN Brasil, o quadro é resultado de múltiplos fatores, mas tem na taxa básica de juros um denominador comum, ao encarecer o crédito e dificultar a sustentação das operações.

Os dados citados pela reportagem mostram que a dívida dessas companhias subiu de R$ 1,4 trilhão, em 2020, para R$ 2,3 trilhões no ano passado, segundo levantamento de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta. No mesmo período, também houve recorde de pedidos de recuperação judicial no país. Já a recuperação extrajudicial somou 80 empresas em 2025, o maior número da série, segundo o Obre, o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial.

Por que os juros altos afetam o caixa das empresas?

Segundo a reportagem, a manutenção da Selic em patamar historicamente elevado por um período prolongado fez disparar o custo do crédito no país. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para diversas linhas de financiamento. Isso comprime o caixa das empresas, especialmente em setores que dependem de capital de giro, refinanciamento de dívidas e consumo aquecido.

Além dos juros, o ambiente econômico adverso também pesa sobre as companhias. O texto cita guerras no Oriente Médio e na Europa, além das mudanças na política tarifária dos Estados Unidos, como elementos que ampliam o risco macroeconômico e dificultam a previsibilidade dos negócios.

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Em 21 de março de 2026, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 15% para 14,75%. Apesar do corte, a reportagem destaca que o nível continua elevado e comparável a taxas observadas 20 anos atrás, o que mantém a pressão financeira sobre empresas já endividadas.

Como esse processo de endividamento se formou?

Analistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que a deterioração do caixa começou a ser desenhada em 2020. Na pandemia, com a necessidade de preservar atividades e sustentar operações, a taxa de juros caiu para 2%, o que incentivou uma corrida por crédito.

Segundo Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF e especialista em reestruturação de empresas, tanto companhias em dificuldade quanto empresas que buscavam crescer recorreram ao endividamento naquele momento.

“As empresas que necessitaram de dinheiro para se manter contraíram dívidas, e as empresas que não estavam nessa situação crítica também contraíram dívidas, mas com olhar de crescimento”, conta Rodrigo Gallegos, sócio da consultoria RGF, especialista em reestruturação de empresas.

“Elas viram que o negócio estava crescendo, e com uma taxa de juros atrativa, a empresa opta por pegar o dinheiro barato, investir para gerar resultado”, pontua.

Com a posterior elevação dos juros, esse passivo passou a pesar mais intensamente nos balanços. A reportagem também menciona a carga tributária como fator adicional de pressão. Segundo dados do Ministério da Fazenda citados no texto, ela passou de 29,2% do PIB em 2020 para 32,3% em 2024.

Quais empresas e setores já mostram sinais mais claros da pressão?

Entre os casos citados na reportagem está a Raízen, que protocolou no início do mês um processo extrajudicial para tentar uma saída a R$ 65 bilhões em dívidas, no que foi descrito como o maior caso do tipo já registrado no país. O texto também menciona o Grupo Pão de Açúcar, que havia alertado em seu balanço trimestral para riscos à continuidade da operação.

Alexandre Temerloglou, especialista em recuperação judicial e CEO da Siegen, afirmou à CNN Brasil que a recuperação extrajudicial costuma ser mais eficiente quando a empresa ainda consegue negociar com uma base de credores relativamente concentrada.

“É um instrumento mais rápido, menos custoso. Já a recuperação judicial costuma ser acionada quando essa janela de negociação se fecha. Em cenários de pulverização de credores, conflitos mais intensos ou risco iminente de execuções que comprometam a operação”, explica.

De acordo com a reportagem, o varejo aparece como o principal setor afetado pela alta dos juros, porque o custo de financiar capital de giro aumenta ao mesmo tempo em que o poder de compra do consumidor diminui. O agronegócio também enfrenta pressão. Em 2025, o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial, alta de 56,4% em relação a 2024, segundo os dados reproduzidos pelo texto.

Há perspectiva de alívio para os pedidos de recuperação?

Estudos econômicos da Siegen citados pela reportagem indicam uma defasagem média de cerca de 12 meses entre a manutenção dos juros em patamares elevados e o impacto pleno sobre os pedidos de recuperação judicial. Isso significa que os efeitos do aperto monetário continuam aparecendo mesmo após sinais de estabilização ou recuo da taxa básica.

O texto resume esse cenário em alguns pontos principais:

  • juros altos encarecem o crédito e comprimem o caixa;
  • o impacto sobre recuperações judiciais ocorre com defasagem;
  • setores como varejo e agronegócio estão entre os mais afetados;
  • a queda da Selic é vista como fator central para uma reversão do ciclo.

Segundo Alexandre Temerloglou, a redução dos juros é o principal elemento capaz de reverter o crescimento dos pedidos de recuperação, mas os efeitos não seriam imediatos. A ata mais recente do Copom, comitê do Banco Central responsável por definir a Selic, segundo a reportagem, indicou que novos cortes dependerão dos dados e que as incertezas globais aumentaram, exigindo serenidade na condução da política monetária.

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