Jürgen Maier, chefe da GB Energy, defendeu o aumento da produção de petróleo e gás no Mar do Norte como parte de uma transição energética “bem administrada”, em meio à crise de custos de energia no Reino Unido. A posição foi manifestada em publicações nas redes sociais relatadas pelo The Guardian em 24 de março de 2026, nas quais ele afirmou que a medida não reduziria as contas de energia, mas poderia gerar benefícios econômicos, como mais empregos e maior arrecadação tributária. O debate ocorre enquanto o governo britânico enfrenta pressão por causa da alta dos preços em meio à escalada da guerra no Irã. Para o leitor brasileiro, a discussão interessa porque petróleo e gás têm preços formados em mercados internacionais, o que pode influenciar custos de energia e combustíveis em vários países, inclusive no Brasil.
Segundo a reportagem, Maier rejeitou a ideia de que ampliar a extração no Mar do Norte ajudaria a derrubar os custos da energia para os consumidores. Ainda assim, argumentou que o aumento da produção poderia trazer vantagens para a economia do Reino Unido. Com base nesses efeitos, declarou ser favorável a uma transição energética que inclua “todas as formas de energia”. O tema também dialoga com debates travados no Brasil sobre segurança energética, expansão da produção de óleo e gás e avanço das fontes renováveis.
O que Jürgen Maier disse sobre petróleo e gás no Mar do Norte?
Em uma publicação no LinkedIn, Maier sustentou que a expansão da produção no Mar do Norte pode coexistir com a transição para fontes renováveis. Depois, em uma postagem separada, esclareceu que apoia integralmente a proibição do governo à emissão de novas licenças de exploração para campos inéditos de petróleo e gás.
Ele afirmou que o plano do governo de usar campos já existentes e tiebacks ao longo de sua vida útil é compatível com uma abordagem de “todas as energias” na transição. Na prática, esse modelo permite extrair novos depósitos de petróleo ou gás quando eles podem ser alcançados a partir de infraestrutura já instalada. Segundo Maier, essa estratégia daria às empresas da cadeia de suprimentos tempo suficiente para migrar, enquanto as fontes renováveis seguem como objetivo final.
Como o governo britânico responde a essa pressão?
O governo britânico mantém a posição de não conceder novas licenças para exploração em novos campos no Mar do Norte. Ao mesmo tempo, autoridades e ministros ainda avaliam se aprovam os projetos Rosebank e Jackdaw, que receberam licenças no governo anterior.
De acordo com a reportagem, integrantes seniores da indústria do Mar do Norte esperam que esses campos recebam sinal verde nas próximas semanas e afirmam que eles poderiam começar a produzir combustíveis fósseis até o fim do ano. Essa possibilidade, porém, tende a provocar reação de grupos ambientalistas, que fazem campanha contra esses projetos há anos.
Uma fonte da indústria ouvida pelo jornal sugeriu que a autorização pode sair depois das eleições locais de maio, para evitar criar uma linha de divisão entre o Partido Trabalhista e o Partido Verde, que tem ganhado popularidade entre eleitores de esquerda.
Quem mais apoia ampliar a produção doméstica de energia?
As declarações de Maier se somam às de outros nomes do setor de energia renovável. Entre eles estão Greg Jackson, da Octopus Energy, e Tara Singh, nova diretora-executiva da RenewableUK. Ambos defenderam, em manifestações públicas, maior produção de energia no Reino Unido, inclusive de petróleo e gás.
Singh argumentou, em um editorial no Daily Telegraph citado pela reportagem, que o país deveria produzir mais energia “de todo tipo” e que é hora de tirar a política energética das chamadas guerras culturais. Já Jackson, integrante do conselho do Cabinet Office desde o ano passado, disse ao mesmo jornal que o Reino Unido precisa de mais energia soberana e de decisões práticas e pragmáticas.
“Ideologia, pensamento fantasioso, nostalgia e guerras culturais não oferecem soluções reais. Devemos usar o que está disponível no Mar do Norte”, disse Jackson. “Embora o preço seja definido globalmente, não faz sentido trazer gás do outro lado do mundo quando o temos aqui.”
Por que a discussão ganhou força agora?
O debate ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado de energia. A reportagem informa que a guerra no Oriente Médio entrou na quarta semana e que a escalada do conflito provocou um choque de oferta de petróleo e gás, fazendo o preço do gás no Reino Unido mais do que dobrar em menos de um mês.
Nesse contexto, a entidade setorial Offshore Energies UK alertou que deixar de produzir mais petróleo e gás no Mar do Norte tornará o país cada vez mais dependente de importações em um cenário de crescente instabilidade global. O governo, no entanto, rejeitou esse argumento e afirmou que novas licenças não trariam segurança energética nem reduziriam as contas.
- O governo descarta novas licenças para explorar novos campos.
- Rosebank e Jackdaw seguem em análise pelas autoridades.
- O Executivo sustenta que o preço do petróleo e do gás é definido no mercado internacional.
- A gestão afirma que a saída para evitar choques de preços é reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Segundo um porta-voz do governo citado pela reportagem, emitir novas licenças para explorar novos campos não garantirá segurança energética e não diminuirá as contas. A mesma fonte acrescentou que, independentemente da origem, petróleo e gás são vendidos em mercados internacionais, que definem o preço pago pelos consumidores britânicos. Para o governo, a única forma de proteção real contra esses choques é sair da volatilidade dos mercados de combustíveis fósseis.

