Os réus Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, serão julgados a partir da próxima terça-feira (24) no Tribunal do Júri da Bahia. O crime, que ocorreu em agosto de 2023, gerou grande repercussão nacional e mobilizou entidades de defesa dos direitos humanos. De acordo com informações da Agência Brasil, a Anistia Internacional Brasil é uma das organizações que se manifestaram sobre o caso.
Qual a importância deste julgamento?
A diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, destacou a importância do julgamento como um marco de verdade, justiça e reparação, não só para a família de Mãe Bernadete e seu quilombo, mas para todos os defensores de direitos humanos no Brasil.
“Este julgamento precisa ser um marco de verdade, justiça e reparação. Não apenas para sua família e seu quilombo, mas para todas as pessoas defensoras de direitos humanos no Brasil”
, afirmou Werneck.
Quais são as acusações contra os réus?
Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada com 25 tiros em sua residência, localizada na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Arielson da Conceição Santos, um dos acusados, está preso preventivamente, enquanto Marílio dos Santos continua foragido. Ambos respondem por homicídio qualificado, feminicídio e outros crimes. O assassinato ocorreu mesmo após Mãe Bernadete ter denunciado ameaças constantes e estar sob proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Como o caso reflete a situação dos defensores de direitos humanos no Brasil?
Jurema Werneck ressaltou que o homicídio de Mãe Bernadete não é um caso isolado, mas sim parte de um padrão de violência, racismo e conflitos territoriais que afetam comunidades quilombolas e defensores de direitos humanos no Brasil.
“Esperamos um júri independente, transparente e que avance na responsabilização de todos os envolvidos. Porque defender direitos humanos não pode custar vidas”
, completou Werneck.
Fonte original: Agência Brasil
