
A equipe peruana do Cusco não aceitou pacificamente o resultado de sua estreia na Copa Libertadores da América contra o Flamengo. Na noite da última quarta-feira (8 de abril), no estádio Inca Garcilaso de la Vega, localizado a cerca de 3.400 metros de altitude, o time mandante foi derrotado pelo placar de dois a zero, mas o revés em campo rapidamente se transformou em intensos protestos virtuais. De acordo com informações do GE Futebol, os atletas da equipe utilizaram suas redes sociais oficiais para questionar duramente as decisões tomadas pela equipe de arbitragem conduzida pelos paraguaios Derlis López, responsável pelo apito no gramado, e Fernando López, encarregado do árbitro assistente de vídeo (VAR).
Quais foram os lances polêmicos na partida da Libertadores?
A insatisfação generalizada do elenco andino concentra-se fundamentalmente em dois momentos cruciais do confronto disputado em território peruano, que terminaram por definir os rumos da partida continental:
- A não expulsão do atacante equatoriano rubro-negro Gonzalo Plata após um forte pisão no jogador Lucas Colitto.
- A anulação do tento marcado pelo lateral Marlon Ruidías aos dezenove minutos da segunda etapa.
O primeiro lance questionado refere-se à disputa de bola envolvendo o atleta Colitto. Segundo a percepção dos mandantes, a jogada configuraria uma agressão passível de cartão vermelho direto, punição que não foi aplicada pela arbitragem de campo nem recomendada para revisão pela cabine. O segundo momento de tensão ocorreu na etapa complementar, quando a comemoração peruana foi interrompida pela intervenção da tecnologia. Após a traçagem das linhas virtuais, a cabine anulou o lance assinalando um impedimento milimétrico. A decisão gerou profunda revolta, pois a imagem disponibilizada pela transmissão oficial não foi suficiente para convencer os jogadores sobre a irregularidade.
Como os atletas peruanos reagiram nas redes sociais?
Diante do cenário considerado injusto pelos mandantes, uma mobilização digital tomou conta dos perfis oficiais de diversos jogadores que compõem o plantel. Quatro membros da equipe compartilharam capturas de tela dos exatos momentos das duas jogadas controversas. O próprio autor do tento invalidado, Marlon Ruidías, expressou sua frustração publicamente chamando a atitude de abusiva. O volante Valenzuela também endossou as críticas compartilhando os mesmos registros fotográficos e classificando a situação como inacreditável.
O lateral Zevallos foi o mais enfático ao se manifestar em sua plataforma digital, acompanhando o goleiro Pedro Díaz, que optou por publicar apenas as imagens sem adicionar comentários escritos. Zevallos publicou a seguinte mensagem de indignação sobre as decisões do apito paraguaio:
“Não sei onde está adiantado, que abuso. E essa expulsão não a veem 🤬🤬”
A indignação ultrapassou os limites do elenco diretamente envolvido na partida oficial. O atacante Christian Cueva, atleta peruano com passagens pelo futebol brasileiro vestindo as camisas de São Paulo e Santos, também demonstrou sua revolta. Atualmente defendendo o Juan Pablo II College na primeira divisão de seu país, o experiente jogador acompanhava o duelo pela televisão e utilizou palavras de baixo calão para ofender o responsável pela arbitragem do confronto.
O que disse a comissão técnica sobre a atuação do árbitro de vídeo?
O comando técnico do time mandante não isentou os oficiais de culpa durante a tradicional entrevista coletiva pós-jogo. O treinador Alejandro Orfila direcionou suas críticas ao funcionamento do sistema de revisão, argumentando que as imagens televisivas confirmavam os erros cometidos no gramado. Para o comandante, a falha tecnológica prejudicou diretamente o andamento e o resultado do embate.
“O de Colitto, considero que o árbitro se equivocou e devia expulsar o rival. Vi as imagens agora e a verdade é que devemos pensar que o VAR se equivocou. Não há necessidade de que o VAR falhe desta maneira. Flamengo não necessita destas coisas. Quando eu me equivoco, sou responsável dos meus erros. Foi um gol legal.”
Em contrapartida à visão da equipe andina, a análise especializada da arbitragem brasileira divergiu parcialmente das reclamações apresentadas no Peru. O ex-árbitro e comentarista Paulo César de Oliveira (PC Oliveira) avaliou que o pisão de Plata não possuía a intensidade necessária para justificar uma expulsão direta, caracterizando-se apenas como uma infração para cartão amarelo. Apesar da ressalva técnica, o especialista destacou que o atacante rubro-negro passou ileso pela jogada agressiva, não recebendo sequer a advertência mínima por parte do juiz principal do jogo.