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João Carlos Di Genio: quem foi o fundador da Unip e do Objetivo

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Retrato em plano médio de João Carlos Di Genio, homem de meia-idade, vestindo terno e gravata, com expressão séria.
Foto: CSP-Conlutas / flickr (cc0)

João Carlos Di Genio, fundador do Objetivo e da Unip, voltou ao centro do noticiário após uma operação realizada em 31 de março de 2026 investigar suspeitos de tentar aplicar um golpe contra seu espólio em São Paulo. Morto em fevereiro de 2022, aos 82 anos, o empresário e médico deixou um patrimônio bilionário que está em disputa judicial. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, investigadores apuram o uso de assinatura falsa para simular um contrato de compra e venda de imóveis e criar uma dívida inexistente no inventário.

Nascido em Lavínia, no interior de São Paulo, Di Genio construiu sua trajetória inicialmente na medicina. Ele foi aprovado em primeiro lugar em duas faculdades de medicina e, durante a graduação, dava aulas de física em um curso pré-vestibular ligado ao Cescem, o Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas. A experiência como professor abriu caminho para sua atuação no setor educacional, área em que se tornou conhecido nacionalmente.

Como João Carlos Di Genio construiu sua trajetória na educação?

Em dezembro de 1965, Di Genio e colegas da Faculdade de Medicina da USP decidiram criar o próprio cursinho pré-vestibular, batizado de Objetivo. Entre os participantes da iniciativa estava o médico Drauzio Varella. Embora tenha se formado em medicina, Di Genio passou a se dedicar ao ensino após o sucesso dos alunos nos vestibulares, especialmente para cursos da área médica.

A expansão foi rápida. Em 1971, foi fundado o Colégio Objetivo. No ano seguinte, surgiram as faculdades Objetivo, que em 1988 se transformaram na Unip, uma universidade privada com presença em diferentes cidades brasileiras. Nas décadas de 1970 e 1980, também foram criados um centro de pesquisa e tecnologia e o Programa Objetivo de Incentivo ao Talento, com atividades como cursos de robótica, arte e criatividade para crianças, além de um teatro-laboratório voltado à integração entre palco e conhecimento científico.

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O que foi dito sobre o legado de Di Genio?

Di Genio morreu de causas naturais em 12 de fevereiro de 2022, em sua casa nos Jardins, bairro da capital paulista. Na ocasião, Drauzio Varella afirmou à Folha que o amigo teve papel inovador no ensino.

“Ele fez coisas importantes, por exemplo, quando tínhamos o cursinho fomos os primeiros a colocar televisão em sala de aula. Estamos falando do começo dos anos 1970. Muito ativo, conseguiu organizar faculdades em pontos diferentes do país.”

“Nós tínhamos sonhos grandiosos de uma escola maravilhosa, revolucionar a educação do Brasil, acabar com o analfabetismo. Tínhamos essas pretensões meio utópicas, mas que empurravam a gente para a frente”.

As declarações ajudam a dimensionar a influência de Di Genio na expansão de grupos privados de ensino superior e na consolidação do Objetivo como referência em preparação para vestibulares. O empresário ficou associado à criação de uma estrutura educacional que se expandiu em diferentes etapas ao longo de décadas.

O que a operação investiga no espólio de João Carlos Di Genio?

Na manhã de 31 de março de 2026, uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil teve como alvo suspeitos de participação em um esquema descrito pelos investigadores como sofisticado. Segundo a Promotoria, os investigados teriam usado uma assinatura falsa de Di Genio em um contrato de compra e venda de imóveis com data de três meses antes da morte do empresário.

De acordo com a apuração, a suposta fraude envolvia falsificação de documentos e a simulação de um procedimento arbitral para inserir no inventário uma dívida inexistente. A cobrança teria começado em cerca de R$ 635 milhões e depois sido elevada para mais de R$ 845 milhões pelos próprios investigados.

  • Nove suspeitos são investigados.
  • Os crimes apurados incluem fraude processual, falsificação de documentos e estelionato.
  • A Justiça determinou o sequestro e o bloqueio de bens e ativos financeiros do grupo.

Em nota, a viúva do empresário, Sandra Rejane Gomes Miessa, afirmou ter tomado conhecimento da operação e declarou que os fatos, que podem caracterizar crimes, foram comunicados às autoridades com as provas disponíveis. Ela também disse confiar no trabalho das autoridades para a elucidação do caso e a responsabilização dos envolvidos. Procurado, o grupo Unip-Objetivo informou que se manifestaria ainda naquele dia.

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