
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, amplamente conhecido como JHC, oficializará sua renúncia ao cargo no Executivo municipal na noite de sábado, 4 de abril de 2026. A decisão visa permitir sua desincompatibilização dentro do prazo legal exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que possa disputar as eleições estaduais. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o anúncio ocorrerá durante a cerimônia de entrega do Projeto Renasce Salgadinho, considerada uma das principais obras de sua gestão na capital de Alagoas.
Embora a saída da prefeitura já esteja consolidada, o político ainda não determinou qual cargo majoritário tentará alcançar no pleito. Atualmente, ele mantém discrição sobre os próximos passos, avaliando internamente se lançará seu nome para o Governo de Alagoas ou se tentará uma cadeira no Senado Federal. O movimento de JHC altera o xadrez político nacional, reconfigurando alianças em um estado estratégico que é reduto de grandes líderes do Congresso.
Quais foram as mudanças partidárias recentes de JHC?
Para viabilizar seu projeto eleitoral, JHC promoveu uma reestruturação significativa em sua base partidária. O prefeito deixou o Partido Liberal (PL), principal legenda de oposição no plano nacional e da qual exercia a presidência em nível local, para assinar a ficha de filiação ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Essa transição política não ocorreu de forma isolada, envolvendo a transferência de um bloco expressivo de aliados políticos para a nova sigla.
Entre os nomes que acompanharam o ex-filiado do PL rumo ao ninho tucano, destacam-se figuras centrais de seu núcleo familiar e da administração:
- A senadora Dra. Eudócia, mãe do prefeito;
- A primeira-dama de Maceió, Marina Cândia;
- Diversos vereadores e parceiros estratégicos da gestão municipal.
Essa articulação partidária contou com a intermediação direta de Teotônio Vilela Filho, ex-governador e ex-senador tucano por Alagoas. Ele foi o responsável por costurar o acordo juntamente com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), pavimentando o ingresso e o acolhimento do grupo político na estrutura do PSDB.
Quem assumirá a Prefeitura de Maceió e quais são os possíveis adversários?
Com a saída do atual gestor, o comando da Prefeitura de Maceió será transferido para o vice-prefeito Rodrigo Cunha, filiado ao Podemos. Cunha possui um histórico peculiar na composição governamental, visto que, em 2024, abriu mão de seu mandato como senador da República para compor a chapa municipal. Consequentemente, a vaga que ele deixou no Senado Federal foi assumida justamente pela Dra. Eudócia, mãe de JHC.
No cenário eleitoral de 2026, as possibilidades de confronto variam conforme a escolha final do ex-prefeito. Caso opte por tentar o comando do Palácio República dos Palmares, sede do governo estadual, ele enfrentará o ex-ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB). Por outro lado, se a escolha for o Senado Federal, a disputa será ainda mais acirrada. JHC terá que medir forças nas urnas contra nomes de grande peso na política nacional: o senador Renan Calheiros (MDB) e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Por que o político deixou a presidência do Partido Liberal?
A saída de JHC do PL envolveu tensões profundas nos bastidores políticos de Alagoas. Kelmann Vieira, líder do prefeito na Câmara Municipal e filiado ao MDB, utilizou suas redes sociais para expor as motivações da ruptura. Segundo o parlamentar, a permanência na legenda tornou-se insustentável devido a bloqueios impostos a possíveis candidaturas de aliados próximos.
“O prefeito foi praticamente colocado para fora do PL por imposições descabidas e autoritárias, orquestradas por Arthur Lira.”
Vieira esclareceu que a cúpula do partido inviabilizaria os projetos eleitorais da senadora Dra. Eudócia, do aliado Davi Davino Filho (Republicanos) e de Marina Cândia. O líder governista defendeu por meses que a candidatura natural do gestor municipal seria ao Governo de Alagoas. Ele também fez questão de reiterar o alinhamento ideológico do prefeito, afirmando que o político declara voto no ex-presidente Jair Bolsonaro, rechaçando boatos de uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tais rumores envolviam um suposto acordo com os grupos de Renan Calheiros e Arthur Lira, que teria como moeda de troca a indicação de Marluce Caldas, tia de JHC, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Como fica o cenário político e as alianças em Alagoas?
Após a saída do grupo aliado à gestão municipal, o Partido Liberal passou a ser comandado por Alfredo Gaspar. O deputado federal assumiu a presidência estadual da sigla no dia 25, mesma data em que se filiou após se desligar do União Brasil. Gaspar, que atua como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre fraudes do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no Congresso, é ventilado como um possível candidato ao governo estadual pelo PL, uma vez que o partido projeta apoiar Arthur Lira ao Senado.
Os sinais de afastamento entre o ex-prefeito e Arthur Lira ficaram evidentes quando o gestor de Maceió não compareceu ao evento de pré-candidatura do deputado federal ao Senado. Apesar de a ausência sugerir um claro atrito político, Lira tentou minimizar a situação publicamente, declarando que ainda apoiava o projeto eleitoral de JHC.
Em contrapartida, o bloco político liderado pela família Calheiros demonstra ampla consolidação em sua estratégia. O planejamento do grupo emedebista envolve uma chapa conjunta familiar, visando garantir a reeleição de Renan Calheiros ao Senado e o retorno de Renan Filho ao Governo de Alagoas, estruturando assim um palanque governista local fortemente alinhado ao presidente Lula.


