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Itália adia fim do carvão para 2038 e sinaliza alerta para mercado global de energia

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A Itália decidiu adiar o encerramento de suas usinas elétricas movidas a carvão para o ano de 2038, estendendo o prazo original em 13 anos. A medida ocorre como resposta direta ao aprofundamento da crise energética global, desencadeada pelos recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Para o Brasil, tensões que afetam a oferta global de energia costumam pressionar o preço internacional do barril de petróleo, com reflexos diretos nos custos de combustíveis e na inflação nacional.

De acordo com informações do Earth.Org, a Câmara dos Deputados italiana aprovou na terça-feira (31 de março) a prorrogação da vida útil das quatro instalações a carvão restantes no país, que atualmente operam em modo de espera.

Por que a Itália decidiu manter as usinas de carvão?

O texto, promovido pela coalizão de direita da primeira-ministra Giorgia Meloni, segue agora para aprovação no Senado, onde há expectativa de que seja chancelado. O Plano Nacional de Energia e Clima, elaborado com base nas metas de descarbonização da União Europeia, previa inicialmente o fechamento total dessas unidades até dezembro de 2025.

Apoiadores do projeto, incluindo o partido populista de direita Liga, argumentam que a extensão é uma atitude responsável diante da grave escassez internacional de energia motivada pela guerra no Irã. Como retaliação aos ataques coordenados, o governo iraniano bloqueou o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

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Para entender o impacto energético da região, os dados logísticos apontam:

  • Cerca de 20% a 25% da oferta global de petróleo passa regularmente pelo Estreito de Ormuz.
  • A economia italiana depende dessa rota marítima para aproximadamente 21% de todas as suas importações de petróleo e gás natural.

Qual é a reação dos ambientalistas sobre a decisão?

Organizações de defesa do meio ambiente alertam que a aprovação legislativa prejudicará o progresso climático da nação europeia e afetará a saúde pública. O carvão é apontado como o combustível fóssil mais barato e sujo, sendo a maior fonte individual de emissões globais de carbono e um dos principais causadores da poluição atmosférica.

Mariagrazia Midulla, representante da organização WWF Italia, classificou o carvão como um verdadeiro assassino do clima e da saúde da população. Ela citou o sucesso da Espanha, que se consolidou como uma nação líder em energia verde na Europa, para defender que a transição completa para fontes renováveis é a solução definitiva para garantir independência energética e preços justos aos consumidores.

“Qualquer pessoa que use a emergência do preço da energia para justificar a aprovação de uma emenda que mantém as usinas movidas a carvão abertas até 2038 sabe muito bem que isso é apenas uma desculpa”, afirmou Midulla.

Como outros países estão lidando com a crise de energia?

Especialistas do setor de infraestrutura avaliam que, à medida que a crise de abastecimento se intensifica, os países com uma base robusta de energia renovável conseguem manter sua independência energética, enquanto nações dependentes do petróleo estão recorrendo a fontes fósseis alternativas. O Brasil, por exemplo, possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, ancorada em hidrelétricas e nas fontes eólica e solar, o que proporciona maior proteção em cenários de escassez global de combustíveis. Esse cenário internacional se reflete tanto na política italiana quanto nos Estados Unidos, que utilizam o choque de oferta global para reverter proteções climáticas e acelerar a produção interna sob o argumento de segurança nacional.

Em contrapartida, governos da Espanha, Portugal e Reino Unido conseguiram se isolar parcialmente das turbulências globais por meio de uma alta adesão às matrizes limpas. O território britânico, por exemplo, utiliza a produção recorde de seus parques eólicos para atender à demanda interna, reduzindo agressivamente a exposição aos mercados voláteis de combustíveis fósseis.

Um relatório recente divulgado pelo Comitê de Mudanças Climáticas, grupo de aconselhamento oficial do governo britânico, apontou de forma pragmática que os custos financeiros para atingir a meta de emissões zero até o ano de 2050 serão inferiores aos prejuízos causados na economia por um único choque severo nos preços do petróleo.

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