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Irã descarta negociar com os EUA, diz embaixador Abdollah Nekounam no Brasil

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Brasília (DF) 30/03/2026 O embaixador do Irã, Abdollah Nekounam Ghadiri, durante entrevista exclusiva à Agência Brasil
Brasília (DF) 30/03/2026 O embaixador do Irã, Abdollah Nekounam Ghadiri, durante entrevista exclusiva à Agência Brasil Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, em Brasília, que não há discussão em curso sobre uma negociação direta entre Teerã e os Estados Unidos para encerrar o conflito. Segundo o diplomata, houve troca de mensagens por meio do Paquistão, mas sem diálogo direto entre autoridades iranianas e americanas. A declaração foi dada em entrevista coletiva em meio à guerra envolvendo Irã, EUA e Israel e ao debate internacional sobre o estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Nekounam confirmou a continuidade do envio de mensagens via Islamabad, capital do Paquistão, mas rejeitou a existência de conversas formais entre Washington e Teerã. O embaixador também associou a resistência a negociações diretas ao ambiente político interno iraniano e à escalada militar recente.

O que o embaixador do Irã disse sobre negociação com os EUA?

Nekounam afirmou que, ao contrário do que chamou de “ilusões” do presidente dos EUA, nenhuma autoridade iraniana conversou com representantes americanos. Segundo ele, mensagens foram enviadas e respondidas por meio do Paquistão, mas isso não configura uma negociação direta entre os dois países.

“Diferentemente das ilusões do presidente dos EUA, nenhuma autoridade iraniana conversou com autoridade americana. Algumas mensagens foram enviadas, e nós respondemos.”

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O diplomata declarou ainda que a opinião pública iraniana é contrária à retomada de relações de normalidade com o governo de Donald Trump. Na avaliação dele, experiências anteriores de negociação fracassaram em meio a ações militares, o que fortaleceu a rejeição interna a um novo processo de diálogo direto.

“A visão da opinião pública é que nós negociamos duas vezes com inimigos e em ambas eles bombardearam a mesa de negociação. Desta vez, com o assassinato do líder supremo, a opinião pública está contra qualquer normalidade com o outro lado e querem que sejam punidos na mesma medida.”

Como o Irã descreve sua resposta aos ataques?

Na entrevista, Nekounam disse que o país considera ter sofrido um ato de agressão e afirmou que a posição iraniana se baseia no que chamou de autodefesa legítima conforme o direito internacional. Segundo ele, o Irã não vê limites para reagir aos ataques atribuídos aos EUA e a Israel e promete responder a cada alvo atingido.

“Sofremos um ato de agressão e, conforme todo o direito internacional, temos como posição a autodefesa legítima e isso não tem limite para nós. Para cada ponto, cada região que nós fomos agredidos e invadidos, nós vamos retaliar da mesma forma.”

O embaixador também afirmou que o país está preparado para um conflito prolongado e avaliou que os Estados Unidos são o principal perdedor geopolítico após mais de um mês de guerra. No mesmo contexto, a reportagem relata que Donald Trump tem alternado declarações sobre buscar negociação e ameaças à infraestrutura energética iraniana, incluindo a ilha de Kharg, no golfo Pérsico.

Qual é a posição iraniana sobre o estreito de Hormuz?

Nekounam reforçou a posição de Teerã de que o estreito de Hormuz está sendo bloqueado apenas para embarcações com relação aos EUA e a Israel. Ele afirmou que os atos de agressão levaram o Irã a defender um novo modelo de gestão para a passagem marítima, que, segundo ele, segue aberta para países considerados amigos.

“Com esses atos de agressão, é preciso um novo formato de gestão para esse estreito, que permanece aberto para nações amigas.”

O estreito de Hormuz é descrito na reportagem como rota de cerca de 20% do mercado global de petróleo. A passagem liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao mar da Arábia, o que ajuda a explicar seu peso para o abastecimento internacional de energia. O tema passou a integrar as conversas de mediadores do conflito, e Egito, Turquia e Arábia Saudita se reuniram no Paquistão no domingo, 29 de março. Uma fonte do lado paquistanês ouvida pela Reuters afirmou que propostas enviadas aos EUA antes do encontro incluíam:

  • formação de um consórcio para gerir os fluxos de combustíveis na via marítima;
  • criação de uma estrutura de taxas semelhante à do Canal de Suez.

Quais podem ser os efeitos para o Brasil?

A reportagem aponta que o bloqueio inicial, a minagem de cerca de 30 quilômetros do estreito e as restrições a navios destinados aos EUA e a Israel ou ligados a esses países vêm afetando a economia global. Entre os efeitos citados estão a alta nos preços de combustíveis e fertilizantes e impactos sobre abastecimento e inflação.

Nekounam afirmou ainda ter conversado com exportadores iranianos de ureia e disse que, segundo esses fornecedores, alguns navios carregados com o produto saíram do Irã em direção ao Brasil. O problema, porém, vai além da relação bilateral: parte relevante da exportação global de fertilizantes passa pelo estreito de Hormuz, incluindo 35% da ureia, e não necessariamente tem origem iraniana, mas em outros países do golfo Pérsico afetados pela escalada militar. Para o Brasil, grande consumidor de fertilizantes importados pelo agronegócio, oscilações nessa rota podem repercutir no custo de insumos e na logística de abastecimento.

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