O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, em uma ação conjunta com a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), iniciou no início de abril de 2026 a fase de coleta de dados para um estudo inédito sobre o impacto das notícias falsas no Estado. O projeto convoca servidores públicos federais, especificamente aqueles que ocupam cargos em comissão ou funções de confiança, a responderem ao questionário da pesquisa intitulada “Desinformação e Políticas Públicas”. O objetivo central é diagnosticar como fluxos informacionais imprecisos afetam a rotina administrativa e a tomada de decisões no alto escalão do governo.
De acordo com informações do Ipea, a iniciativa busca colher percepções qualificadas sobre os desafios impostos pela desinformação no ambiente institucional. A pesquisa foca nos gestores que atuam diretamente na formulação, implementação e avaliação de programas governamentais, uma vez que esses profissionais são considerados peças-chave para a manutenção da integridade das políticas de Estado.
Qual é o objetivo principal da pesquisa sobre desinformação?
O estudo pretende mapear a extensão do fenômeno da desinformação dentro da Administração Pública Federal. A ideia é compreender se, e de que forma, a propagação de dados falsos ou distorcidos interfere na eficácia das entregas do governo à sociedade. Ao identificar esses pontos de vulnerabilidade, o Ipea e seus parceiros institucionais poderão propor estratégias de mitigação e fortalecimento da comunicação pública oficial, garantindo que o ciclo das políticas públicas seja baseado em evidências técnicas e fatos concretos.
Quem deve participar do levantamento do Ipea?
O público-alvo da pesquisa é composto estritamente por ocupantes de cargos em comissão e funções de confiança. Estes cargos representam a camada de liderança e assessoramento estratégico da máquina pública. A participação desses servidores é fundamental para que o levantamento tenha uma amostra representativa da realidade vivida nos ministérios e autarquias. O questionário aborda temas que vão desde a rotina de consumo de informações até a percepção de riscos reputacionais e operacionais causados por campanhas de desinformação coordenadas.
A importância deste levantamento se justifica pelos seguintes fatores principais:
- Identificação de gargalos informacionais na gestão pública;
- Subsídio para a criação de protocolos de resposta a crises de desinformação;
- Fortalecimento da transparência e da governança institucional;
- Promoção de um ambiente de trabalho mais resiliente a ataques informacionais.
Qual o papel da AGU e do MGI nesta iniciativa?
A parceria com a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confere um caráter interministerial ao projeto. A AGU atua na representação judicial da União e possui interesse direto na defesa da integridade das instituições e na proteção jurídica das políticas públicas contra investidas desinformativas. Já o MGI, órgão central criado para coordenar as diretrizes de gestão de pessoas e modernização do Estado, atua para garantir que os servidores tenham as ferramentas e o conhecimento necessários para lidar com as transformações digitais e os novos desafios da comunicação na era da pós-verdade.
Historicamente, o Ipea atua na produção de conhecimento técnico para orientar as decisões do governo brasileiro. Em um cenário onde a desinformação se tornou uma ferramenta de instabilidade política e social, o instituto amplia seu escopo de análise para proteger o patrimônio informacional do Brasil. Os dados coletados serão tratados de forma agregada, respeitando o sigilo das respostas individuais, e servirão de base para relatórios que orientarão futuras reformas administrativas e capacitações de servidores.
Como o questionário contribui para a administração pública?
Ao responder ao questionário, o servidor contribui para um diagnóstico científico que pode resultar em melhorias na segurança de dados e na clareza da comunicação entre o Estado e o cidadão. A expectativa dos organizadores é que a pesquisa forneça uma visão clara sobre os tipos de desinformação que mais circulam nos corredores do poder e como eles podem ser neutralizados por meio de canais oficiais robustos e processos de verificação de fatos dentro da própria burocracia estatal.



