O grupo ativista Follow This e um conjunto de investidores internacionais iniciaram, no início de abril de 2026, uma ofensiva estratégica contra a gigante do setor petrolífero BP para impedir a retirada de resoluções climáticas das pautas de governança da companhia. A movimentação ocorre após a petroleira britânica decidir excluir uma proposta específica que tratava dos riscos financeiros decorrentes da queda na demanda global por petróleo e gás, gerando um intenso debate sobre a transparência ambiental e a responsabilidade fiduciária da empresa em Londres. A disputa possui relevância para o mercado brasileiro, país onde a BP mantém forte atuação estratégica na exploração de blocos de petróleo no pré-sal e no setor de biocombustíveis.
De acordo com informações do Responsible Investor, a oposição dos acionistas surge em um momento de crescente pressão para que as grandes empresas de energia alinhem seus modelos de negócios às metas do Acordo de Paris. O grupo de investidores argumenta que a tentativa da diretoria da petroleira de silenciar resoluções climáticas prejudica a capacidade dos detentores de ativos de avaliar os perigos de longo prazo associados à transição energética.
Como a BP justifica a retirada das resoluções climáticas?
A diretoria da BP tem buscado simplificar suas assembleias gerais anuais, alegando que certas propostas de acionistas são repetitivas ou interferem na gestão operacional da companhia. No entanto, a exclusão da proposta sobre os riscos da demanda decrescente foi vista como um retrocesso por especialistas em governança corporativa. A empresa alega que já fornece informações suficientes sobre sua estratégia de transição, mas os críticos afirmam que os dados atuais não detalham adequadamente os cenários financeiros de uma descarbonização acelerada.
O embate central reside na interpretação das regras de submissão de resoluções. Enquanto a petroleira tenta estabelecer critérios mais rígidos para aceitar pautas ambientais, o Follow This sustenta que os investidores têm o direito soberano de questionar como o capital da empresa está sendo protegido contra a obsolescência dos combustíveis fósseis. A exclusão de itens da pauta é uma manobra que visa, segundo os ativistas, reduzir o escrutínio sobre a execução das metas de emissões líquidas zero.
Qual o impacto da exclusão da proposta para os acionistas?
Para os grandes fundos de pensão e gestores de ativos, a falta de dados claros sobre a demanda futura representa um risco sistêmico. Caso a economia global migre para fontes renováveis mais rápido do que o previsto pela BP, ativos bilionários em infraestrutura de exploração podem se tornar “encalhados”, gerando prejuízos massivos para quem detém as ações. A transparência exigida pelos investidores não é apenas uma questão ética, mas uma necessidade de proteção financeira contra a volatilidade do mercado de energia.
A resistência dos acionistas se manifesta através de votos contrários à administração e campanhas de engajamento público. Historicamente, resoluções propostas pelo Follow This têm recebido apoio crescente, forçando empresas como a Shell e a própria petroleira britânica a revisarem seus planos de sustentabilidade no passado. A tentativa atual de “aposentar” essas resoluções é vista como uma barreira ao exercício democrático dentro das corporações.
O que o grupo Follow This defende nesta disputa?
O grupo defende que a única forma de garantir a sobrevivência financeira das petroleiras é o compromisso total com a redução das emissões de Escopo três, que englobam o carbono liberado quando os produtos vendidos pela empresa são consumidos. Abaixo, destacam-se os principais pontos defendidos pelos investidores nesta coalizão:
- Manutenção do direito de voto sobre resoluções climáticas anuais;
- Divulgação detalhada de riscos financeiros ligados à queda de demanda por hidrocarbonetos;
- Alinhamento rigoroso das estratégias de investimento com o limite de 1,5 grau Celsius;
- Transparência nos gastos de lobby relacionados a políticas ambientais.
A disputa na BP serve como um termômetro para outras assembleias de acionistas que ocorrerão ao longo do ano na Europa e nos Estados Unidos. Analistas apontam que, se a petroleira obtiver sucesso em restringir as propostas, isso poderá abrir um precedente para que outras companhias do setor adotem posturas semelhantes, reduzindo a influência do ativismo climático no mercado financeiro global.

