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Internet 6G: Redes autônomas operarão sem intervenção humana no futuro

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A infraestrutura global da internet caminha para uma transformação tecnológica significativa, onde as redes globais poderão operar, configurar e corrigir falhas a si mesmas com intervenção humana mínima ou inexistente. Essa evolução estrutural no campo das telecomunicações, baseada em inteligência artificial e em modelos de redes baseadas em intenção, foi detalhada nesta sexta-feira (3 de abril de 2026) por Mateus Santos, atual líder da Ericsson Research Brasil. A Ericsson, multinacional sueca que é uma das principais fornecedoras de equipamentos de telecomunicações do mundo, explicou o estágio atual de desenvolvimento destas inovações no país e no mundo.

De acordo com informações do portal especializado Canaltech, o modelo de automação representa uma mudança de paradigma em relação ao cenário atual, no qual a infraestrutura digital que sustenta ações cotidianas — como assistir a vídeos em alta resolução, realizar transferências bancárias ou simplesmente navegar pela internet no celular — ainda depende majoritariamente do gerenciamento e da configuração manual realizada por técnicos e operadores humanos.

Como funcionam as redes baseadas em intenção?

A base deste novo formato tecnológico em desenvolvimento pela empresa de telecomunicações é batizada de redes baseadas em intenção (Intent-Based Networking). Em uma estrutura tradicional, o profissional precisa acessar os equipamentos e estipular cada um dos parâmetros técnicos de forma estritamente manual. Com a nova arquitetura, a dinâmica muda completamente: o operador passa apenas a declarar qual é o objetivo final desejado, enquanto a própria rede assume a responsabilidade de decidir, de forma autônoma, quais são os melhores caminhos para executar a ordem. O modelo de funcionamento guarda grande semelhança com o sistema de piloto automático presente em veículos modernos.

“A intenção é dizer o que a gente precisa e a rede se virar para conseguir descobrir e definir como fazer aquilo”, afirma o líder da área de pesquisa.

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Para ilustrar a aplicação prática deste conceito no setor de telecomunicações, os pesquisadores apontam um cenário de demanda concentrada. Um operador logístico poderia registrar no sistema a intenção de garantir o serviço de streaming de vídeo em alta qualidade em uma região geográfica específica. A partir desse comando abstrato, a infraestrutura avalia o ambiente e ajusta todos os seus equipamentos e antenas de forma automática para assegurar que a meta de desempenho seja rigorosamente cumprida, sem que o funcionário precise programar as faixas de roteamento linha por linha.

Qual o papel da inteligência artificial nesse processo?

A automação completa das redes de internet tem a inteligência artificial como um de seus pilares mais importantes. Os sistemas inteligentes são intensamente treinados com base em extensos catálogos de dados históricos de uso das próprias conexões. Ao processar grandes volumes de informação, a ferramenta adquire a capacidade de identificar padrões de tráfego e de comportamento que os humanos simplesmente não conseguiriam detectar a olho nu ou através de análises manuais padrão.

Essa análise profunda não serve apenas para configurar o sistema, mas também para garantir sua estabilidade. O uso da tecnologia baseada em aprendizado de máquina e em bases de dados sólidas permite que o sistema consiga antecipar quedas, lentidões e variados tipos de problemas estruturais antes mesmo que essas falhas cheguem a impactar os dispositivos do usuário final na ponta do consumo digital.

Quais os prazos e a participação do Brasil nesta inovação?

Atualmente, a construção dessa realidade já está em andamento. Protótipos avançados e diversas provas de conceito juntamente com operadoras de telefonia e internet já estão em execução pelos laboratórios. Parte dessas pesquisas já se encontra incorporada em um sistema prático conhecido como Ericsson Intelligent Automation Platform (EIAP), uma plataforma comercial dedicada exclusivamente à automação inteligente de redes corporativas e públicas.

A participação do território brasileiro na criação dessa arquitetura global é expressiva. O centro de pesquisa e inovação da companhia, localizado na cidade de Indaiatuba, no interior do estado de São Paulo — município conhecido por ser um importante polo tecnológico e industrial do país —, atua diretamente no ciclo de desenvolvimento. Segundo os dados da corporação, a atuação nacional envolve os seguintes fatores:

  • Trabalho conjunto das equipes brasileiras com múltiplos parceiros em nível internacional;
  • Parcerias constantes e integradas com universidades em todo o país;
  • Geração histórica: ao longo dos últimos 25 anos, mais de 270 famílias de patentes tecnológicas foram criadas a partir de pesquisas desenvolvidas por inventores dentro do Brasil.

A expectativa do mercado e dos executivos do setor é que estas chamadas redes autônomas deixem de ser um projeto em fase de testes e se transformem em um dos alicerces fundamentais para o funcionamento da conectividade móvel de sexta geração (6G). A tecnologia 6G promete velocidades significativamente maiores que o atual 5G e uma integração nativa com inteligência artificial. De acordo com as estimativas apresentadas pelo CEO da corporação, Börje Ekholm, os cronogramas de implantações iniciais da tecnologia 6G devem começar a acontecer globalmente antes do ano de 2030, materializando finalmente o conceito de uma internet autogerenciável.

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