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Inteligência artificial sofre freio: data centers nos Estados Unidos enfrentam atrasos

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System with various wires managing access to centralized resource of server in data center
System with various wires managing access to centralized resource of server in data center Foto: Brett Sayles — Pexels License (livre para uso)

O avanço da inteligência artificial sofreu um freio significativo nos Estados Unidos em 2026, com metade dos data centers previstos para entrar em operação enfrentando severos atrasos ou cancelamentos completos. O gargalo na expansão das redes ocorre devido à escassez de componentes elétricos importados, o que impede a construção e a energização de novas infraestruturas em solo norte-americano. Para o Brasil, esse cenário pode impactar diretamente os custos operacionais e a disponibilidade de serviços para empresas locais, uma vez que o mercado corporativo brasileiro é fortemente dependente da infraestrutura de nuvem e de IA hospedada em servidores dos EUA. Esse hiato não programado, no entanto, resulta em uma consequência direta para o meio ambiente: a redução imediata da demanda por energia fóssil e, consequentemente, a contenção das emissões de gases de efeito estufa associadas à expansão tecnológica voraz.

De acordo com informações do CleanTechnica, a insaciável necessidade energética dos grandes complexos de processamento de dados tem se tornado um desafio climático em escala global. Para manter os servidores funcionando ininterruptamente, as grandes corporações de tecnologia recorrem frequentemente a usinas portáteis de gás altamente poluentes ou prolongam a vida útil de antigas instalações movidas a carvão. Mesmo em cenários onde energias renováveis são integradas, a nova e maciça demanda gerada pelos algoritmos pode impedir ou atrasar a desativação de usinas de combustíveis fósseis já existentes na rede de distribuição local.

Por que os novos data centers não estão saindo do papel?

A paralisação nas obras de expansão computacional não está atrelada à falta de capital ou à diminuição do interesse financeiro do mercado, mas sim a restrições drásticas na cadeia global de suprimentos. A construção dessas superinstalações depende criticamente de equipamentos fabricados no exterior, que atualmente não chegam ao mercado norte-americano na velocidade exigida pelo setor. Andrew Likens, líder de energia e infraestrutura da empresa Crusoe, explicou o peso e a dependência desses equipamentos essenciais durante entrevista recente aos canais financeiros.

Os gargalos logísticos internacionais afetam especificamente três tipos principais de componentes elétricos fundamentais para a operação segura dos servidores em grande escala:

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  • Baterias de alta capacidade projetadas para o armazenamento ininterrupto e backup de energia;
  • Transformadores elétricos industriais, essenciais para adequar e estabilizar a tensão da rede;
  • Disjuntores pesados, equipamentos vitais para a segurança física contra curtos-circuitos e sobrecargas.

Embora esses três elementos representem individual e coletivamente menos de dez por cento do custo total necessário para a construção de um moderno centro de processamento de dados, a ausência de qualquer um deles torna a finalização do projeto absolutamente inviável. Sem a infraestrutura elétrica de base para suportar o gigantesco consumo de energia dos processadores de inteligência artificial, as estruturas físicas recém-erguidas tornam-se inoperantes.

Quais são os números reais do atraso na infraestrutura?

O cenário de retração na infraestrutura começou a ser documentado de forma clara pelos analistas nos últimos meses. O renomado economista Paul Kedrosky analisou relatórios compilados pela consultoria Wood Mackenzie, revelando que a adição de novas capacidades de processamento sofreu uma queda vertiginosa ao final de 2025. Essa documentação evidencia o abismo existente entre as projeções irreais que as gigantes da tecnologia vendem aos investidores e a capacidade logística que o mercado físico consegue efetivamente absorver e entregar.

A discrepância entre os planos grandiosos já anunciados e as obras concretadas nos canteiros chama a atenção de especialistas. Analisando esses dados precisos sobre a cadeia de suprimentos, o especialista Edward Zitron dimensionou publicamente o tamanho exato da paralisação sistêmica no setor:

Na semana passada, o economista Paul Kedrosky publicou um excelente artigo centrado em um gráfico que mostrava que as adições de nova capacidade de data center (ou seja, adições ao pipeline, não trazidas online) caíram pela metade no quarto trimestre de 2025. Como eu disse acima, isso se refere apenas à capacidade que foi anunciada, em vez de coisas que foram realmente trazidas online, e Kedrosky perdeu sem dúvida o gráfico mais louco — que, dos 241 gigawatts de capacidade divulgada de data centers, apenas 33 por cento dela está realmente sob desenvolvimento ativo.

Como fica o cronograma para os próximos anos?

O panorama de estagnação operacional projeta-se de forma ainda mais dramática para o futuro, implodindo os planejamentos de médio prazo corporativos. Informações apuradas por empresas de inteligência de mercado, como a Sightline Climate, e reverberadas por veículos como a Bloomberg, indicam que a crise crônica de componentes afetará pesadamente os lançamentos previstos para o ano que vem. Para o ciclo de 2027, as corporações anunciaram aos acionistas um total de 21,5 gigawatts em infraestrutura de computação; entretanto, o volume que se encontra rigorosamente em fase de construção material é de ínfimos 6,3 gigawatts.

A saúde dos projetos formalmente agendados para a janela entre 2028 e 2032 revela um colapso preditivo ainda maior, uma vez que a esmagadora maioria desses gigantescos complexos tecnológicos sequer iniciou o processo de escavação do solo. Os registros oficiais do setor logístico apontam para a existência de 37 gigawatts adicionais em infraestrutura artificial planejada que não contam com qualquer data firme para conclusão. Desse montante impressionante de projetos arquivados no papel, somente 4,5 gigawatts registraram atividade preliminar nos respectivos canteiros de obras.

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