
A operadora global de troca de tráfego de internet DE-CIX, sediada na Alemanha, anunciou uma nova estratégia focada em facilitar o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) e a comunicação entre múltiplos agentes. O plano foi detalhado pelo CEO da companhia, Ivo Ivanov, durante uma visita à cidade do Rio de Janeiro no início de abril de 2026, com o objetivo de preparar a infraestrutura global de dados para as demandas de conectividade de nova geração.
De acordo com informações do Mobile Time, a empresa está estruturando uma frente de atuação denominada “AI Internet Exchange”. A iniciativa utilizará a tecnologia de Ultra Ethernet — um padrão de rede desenvolvido pela indústria focado em computação de alta performance —, viabilizada por meio de uma parceria estratégica com a fabricante multinacional finlandesa Nokia, visando suportar o alto tráfego exigido pelos novos processamentos.
Como funcionará a comunidade de GPUs estruturada pela operadora?
O treinamento de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), a base tecnológica de sistemas como o ChatGPT, exige uma quantidade massiva de unidades de processamento gráfico (GPUs). Como essa infraestrutura tecnológica nem sempre está disponível em um único data center de forma centralizada, a solução encontrada foi o desenvolvimento de uma rede colaborativa. A plataforma permitirá a combinação da capacidade de processamento de diferentes instalações físicas que estejam em uma área de proximidade geográfica razoável.
Para garantir que o treinamento de inteligência artificial ocorra sem interrupções, a latência de conexão precisa ficar restrita a um intervalo rigoroso, entre três e cinco milissegundos. Essa exigência técnica determina que a distância máxima entre dois data centers interligados seja de 400 quilômetros. O presidente da companhia ressalta que a tecnologia atual já registra uma latência de um milissegundo a cada 80 quilômetros físicos de distância percorrida pelo sinal óptico.
Esse formato de infraestrutura também desempenha um papel fundamental na soberania digital das nações. Ao agregar GPUs de múltiplas instalações locais, o modelo de negócios permite que os países realizem o treinamento e o processamento de LLMs inteiramente dentro de seus próprios territórios, mantendo as bases de dados sensíveis sob jurisdição nacional e controle estatal autônomo.
O que é o roteamento de multiagentes de inteligência artificial?
A operadora europeia projeta que o mercado corporativo passará a utilizar uma grande quantidade de agentes de inteligência artificial atuando de forma simultânea muito em breve. Esses sistemas automatizados precisarão estabelecer comunicação constante entre si com baixíssima latência para executarem tarefas complexas em milissegundos. Para atender a essa demanda emergente, um novo sistema de roteamento focado nestes agentes está em fase final de desenvolvimento e será lançado no mercado mundial.
A nova solução busca otimizar a infraestrutura de redes das grandes companhias, eliminando redundâncias operacionais e facilitando a gestão do fluxo de informações pesadas.
“Isso diminui a necessidade de ter muitas conexões bilaterais, otimizando o custo. Ainda mais importante: diminui a complexidade, torna-se mais eficiente e gerenciável, e reduz a latência”, explica Ivo Ivanov a respeito das vantagens comerciais do serviço de multiagentes.
Qual é a infraestrutura da empresa no Brasil e no cenário global?
A atuação da companhia no mercado brasileiro, que se consolidou a partir de agosto de 2025, estabelece conexões diretas entre importantes players de infraestrutura digital nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A operação abrange os seguintes pontos estruturais de conectividade:
- Integração direta com os data centers das empresas Equinix, Elea e Ascenty, que figuram entre as maiores gestoras de infraestrutura de dados no território nacional.
- Conexão global de 4,2 mil redes distintas ligadas simultaneamente.
- Capacidade operacional instalada que gira em torno da marca de 200 Tbps.
- Tráfego global de 80 exabytes no último ano, marcando um crescimento de 20% frente aos dados de 2024.
Por pertencer à associação alemã de internet eco, a operadora mantém uma política institucional rigorosa de neutralidade no tratamento do tráfego de informações. Segundo a direção da empresa, esse posicionamento estruturou o maior ecossistema de interconexão neutro tanto em data center quanto em atuação de operadoras em todo o planeta, atraindo a atenção não apenas do segmento tradicional de telecomunicações.
Atualmente, as maiores plataformas de serviços digitais mantêm conexões ativas com essa e outras estruturas similares pelo mundo. A tendência mais recente aponta para a entrada de corporações globais de outros setores corporativos, incluindo a indústria automotiva e o mercado financeiro. Essas companhias buscam rotas de tráfego direto para aprimorar a experiência dos consumidores finais e garantir níveis mais elevados de segurança e controle sobre os próprios ativos e serviços digitais.


