Cientistas do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) utilizaram o Instagram para mapear registros de derramamentos de petróleo ao longo do litoral brasileiro, demonstrando que a rede social pode ser uma ferramenta científica eficaz e de baixo custo. O estudo, publicado em 30 de março de 2026 na revista Ocean and Coastal Research, analisou postagens feitas durante os desastres ambientais de 2019/2020 e entre 2022 e 2023, identificando centenas de ocorrências em 11 estados. A abordagem inovadora permitiu complementar sistemas tradicionais de monitoramento com dados gerados espontaneamente por usuários.
De acordo com informações da Agência Bori, os pesquisadores desenvolveram um protocolo científico padronizado para buscar, filtrar e georreferenciar observações de óleo nas praias a partir de redes sociais. Eles usaram 50 hashtags em português — como #ManchasDeOleo e #OleoNoNordeste — para localizar postagens públicas, validando manualmente se as imagens mostravam óleo na areia, na água ou na biota. Todas as informações foram anonimizadas para proteger a privacidade dos usuários.
Como o Instagram foi usado na pesquisa?
A metodologia resultou na identificação de 312 registros em 170 localidades durante o grande derramamento de 2019/2020 e 162 registros em 111 pontos entre 2022 e 2023. Os dados coletados mostraram consistência com a literatura científica e revelaram ocorrências previamente não documentadas, especialmente em regiões do Sudeste e Sul do país, consideradas hotspots de poluição crônica. A oceanógrafa Lorena Nascimento, autora principal do estudo, destacou o potencial das redes sociais como fonte complementar de informação em contextos onde o monitoramento oficial é limitado.
“O monitoramento de derramamentos de petróleo no Brasil ainda é um desafio significativo, e nesse contexto as redes sociais podem atuar como ferramentas complementares relevantes para ampliar a disponibilidade de informações”.
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Por que essa abordagem é inovadora?
O estudo representa a primeira aplicação sistemática de um protocolo científico para transformar conteúdo gerado por cidadãos em dados ambientais válidos. Ao aproveitar o que os autores chamam de “ciência cidadã passiva”, os pesquisadores conseguem obter cobertura espacial e temporal ampla com baixo custo operacional. Essa estratégia é particularmente útil para detectar rapidamente novos incidentes e planejar respostas de limpeza e mitigação.
- 312 registros mapeados em 2019/2020
- 162 registros identificados entre 2022 e 2023
- 11 estados brasileiros afetados
- 170 e 111 localidades distintas nos dois períodos analisados
Atualmente, a equipe da Universidade Federal do Paraná, instituição federal sediada em Curitiba, desenvolve um novo projeto que utiliza inteligência artificial para monitorar avistamentos da caravela-portuguesa (Physalia physalis) no litoral brasileiro, cruzando dados de redes sociais com informações meteorológicas. O objetivo é prever riscos à saúde de banhistas e melhorar estratégias de alerta nas praias.