A resiliência da infraestrutura digital crítica é agora um ponto central nas discussões da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Na abertura do Capacity Latam, evento do setor de telecomunicações realizado neste mês de março em São Paulo, Gustavo Santana Borges, superintendente executivo da agência, destacou a conclusão de um ciclo de expansão de 30 anos da infraestrutura no Brasil e o início de uma nova fase focada em redundância, atração de investimentos e capacidade de resposta a falhas.
De acordo com informações do portal Telesíntese, especializado em mercado de tecnologia, Borges mencionou que, há três décadas, o desafio era ampliar o acesso à telefonia, um serviço restrito e caro. Após a privatização do Sistema Telebras e a criação da Anatel, o país expandiu a infraestrutura, começando com a telefonia fixa, seguida pela telefonia móvel e, mais recentemente, pela banda larga. O superintendente ressaltou que o Brasil já possui cobertura 4G em todos os municípios e que a implantação do 5G está prevista para ser concluída até 2030 em todo o território nacional.
Borges considera que o ciclo de expansão básica da conectividade foi concluído, apesar dos desafios persistentes em áreas rurais e regiões de difícil acesso. Ele associou esse processo ao avanço da fibra óptica, mencionando que o país possui uma extensa malha, com planos de expansão para mais municípios. O projeto Norte Conectado, política pública federal que faz parte das obrigações do edital do 5G, foi citado como um exemplo de interiorização da infraestrutura, utilizando cabos subfluviais nos rios da bacia amazônica, o que poderá futuramente contribuir para conexões em direção ao Pacífico e maior integração latino-americana.
Por que a resiliência da infraestrutura crítica é tão importante agora?
Segundo Borges, a transformação digital aumentou o peso econômico e social das telecomunicações e dos serviços que dependem dessa infraestrutura. Ele enfatizou que o ecossistema digital se tornou um setor específico e que interrupções em aplicativos e plataformas podem ter um impacto nacional significativo.
“Quando para o WhatsApp, tem um caos nacional. Quando para o Pix [sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central], você tem um caos nacional”, declarou.
Para garantir a resiliência, Borges defendeu a ampliação da diversidade de ativos e rotas, com mais data centers, cabos e distribuição geográfica.
Quais são as políticas públicas que podem impulsionar essa nova etapa?
Borges vinculou essa nova fase à formulação de políticas públicas que promovam a previsibilidade regulatória e a atração de capital. Ele mencionou a política para data centers e cabos submarinos em desenvolvimento no MCom (Ministério das Comunicações), bem como o regime especial em discussão no Congresso Nacional. Ele também expressou o desejo de que o Redata (projeto de regime tributário especial para o setor) seja resolvido em breve, pois isso traria previsibilidade e capacidade de atração de investimentos.
Como a América Latina pode atrair mais investimentos para infraestrutura digital?
Borges afirmou que a América Latina tem potencial para atrair investimentos devido ao seu mercado consumidor e ao espaço para ganhos de produtividade. No entanto, ele defendeu políticas públicas que abordem problemas concretos e ajudem a consolidar um ambiente favorável à implantação de nova infraestrutura crítica digital, por meio de:
- Mais data centers;
- Mais cabos;
- Mais diversidade de rotas;
- Mais distribuição geográfica.
