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Inflação de alimentos no Brasil é estrutural, aponta estudo sobre desigualdade

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A woman selecting fresh vegetables from a supermarket aisle.
A woman selecting fresh vegetables from a supermarket aisle. Foto: Helena Lopes — Pexels License (livre para uso)

A inflação de alimentos no Brasil tem caráter estrutural e sistêmico, segundo um estudo divulgado em 31 de março de 2026, que relaciona o encarecimento da comida ao modelo agroexportador, à falta de apoio consistente à agricultura familiar e à concentração econômica na cadeia produtiva. A pesquisa, conduzida por Valter Palmieri Júnior e divulgada pela ACT Promoção da Saúde, aponta que esse cenário dificulta o acesso da população, especialmente a de menor renda, a alimentos in natura e nutritivos no país. De acordo com informações da Agência Bori, o fenômeno vai além de fatores conjunturais, como seca, geada ou oscilações do dólar.

O levantamento sustenta que a alta no preço dos alimentos frescos não pode ser explicada apenas por eventos passageiros. Na avaliação apresentada, o padrão de desenvolvimento voltado à exportação desloca recursos produtivos e torna o abastecimento interno mais vulnerável, afetando produtos destinados ao consumo doméstico, como arroz, feijão, frutas e hortaliças. O agronegócio tem peso relevante na pauta de exportações brasileira, o que ajuda a explicar por que oscilações do mercado externo podem repercutir no mercado interno.

Por que o estudo diz que a inflação de alimentos é um problema estrutural?

Segundo o economista, a inflação de alimentos no país resulta de fatores interligados que ajudam a explicar por que, nas últimas décadas, ela tem ficado acima da inflação geral. O estudo argumenta que o modelo agroexportador e a forma de inserção internacional do Brasil influenciam os preços internos ao priorizar a produção voltada ao mercado externo.

“A inflação de alimentos no Brasil decorre de um conjunto de fatores inter-relacionados que ajudam a explicar por que ela tem sido, nas últimas décadas, superior à inflação geral”

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Além disso, o texto aponta que a ausência de políticas públicas consistentes para a agricultura familiar e a concentração econômica ao longo da cadeia produtiva contribuem para pressionar margens e elevar preços. A agricultura familiar tem papel relevante no abastecimento alimentar interno, especialmente em produtos consumidos diariamente pelos brasileiros. Nesse contexto, o custo da alimentação saudável sobe de forma mais intensa, enquanto produtos ultraprocessados se tornam relativamente mais acessíveis para famílias de menor renda.

Como a alta dos preços afeta o consumo das famílias?

De acordo com o estudo, a disparidade de preços altera as escolhas alimentares, sobretudo nos lares mais pobres. A pesquisa indica que, com a mesma parcela da renda, o consumidor hoje consegue comprar menos alimentos saudáveis e mais produtos ultraprocessados do que no passado, o que pode agravar a insegurança alimentar e nutricional.

O levantamento destaca um dado específico sobre frutas:

  • entre 2006 e 2026, o poder de compra de frutas do brasileiro caiu cerca de 31%;
  • alimentos in natura tiveram aumentos superiores à inflação geral;
  • muitos ultraprocessados ficaram relativamente mais baratos no período.

“Se uma pessoa destinasse, por exemplo, 5% do salário mínimo para comprar alimentos em 2006, hoje, com essa mesma proporção, ela conseguiria levar mais produtos ultraprocessados e menos alimentos saudáveis. Entre 2006 e 2026, o poder de compra para frutas caiu cerca de 31%”

Na avaliação do autor, esse movimento modifica os incentivos econômicos de consumo e tende a piorar a qualidade da dieta. O estudo associa esse efeito ao encarecimento persistente dos produtos frescos em comparação com itens industrializados.

Quais medidas o estudo propõe para enfrentar o problema?

A pesquisa defende uma reconstrução institucional para conter a inflação da comida e garantir o direito à alimentação adequada. A proposta é tratar a alimentação como eixo central das políticas de Estado, e não apenas sob a lógica da rentabilidade e do comércio exterior.

Entre as frentes apontadas pelo estudo estão:

  • fortalecimento da base produtiva nacional com crédito e acesso à terra;
  • apoio à agricultura familiar;
  • estímulo à concorrência para enfrentar a concentração de mercado;
  • retomada de estoques públicos para reequilibrar o abastecimento doméstico diante das exportações.

Ao apresentar esse diagnóstico, o estudo afirma que o encarecimento da alimentação no Brasil está ligado a mecanismos econômicos e políticos permanentes. A conclusão é que enfrentar a alta dos alimentos exige ações articuladas sobre produção, abastecimento e mercado, com foco no acesso da população a refeições balanceadas e nutritivas.

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