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Infestação de maruim obriga moradores a fechar casas em cidade de Santa Catarina

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A infestação do mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim, está transformando drasticamente a rotina dos cerca de 17 mil habitantes do município de Ilhota, localizado no estado de Santa Catarina. Nas últimas semanas, moradores da região rural de Braço do Baú têm sido forçados a viver com portas e janelas totalmente trancadas para evitar as picadas do inseto, que, além de causar forte coceira, é um dos vetores da febre oropouche. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a situação atingiu o seu ápice recentemente, impedindo até mesmo a circulação rotineira nas áreas externas das residências.

Para tentar minimizar o desconforto e os riscos à saúde pública, a população local recorre ao uso intenso de repelentes desde as primeiras horas da manhã. Além disso, os munícipes precisam vestir roupas de manga longa de forma constante, inclusive durante os dias de calor intenso que atingem a região. A Secretaria de Meio Ambiente de Ilhota publicou um comunicado oficial no dia 8 de abril, confirmando o aumento significativo da incidência do mosquito transmissor e admitindo o impacto severo na qualidade de vida da comunidade afetada.

Quais são as ações do poder público contra o maruim em Santa Catarina?

O documento emitido pela pasta ambiental ressaltou que a prefeitura está em busca de soluções inovadoras e viáveis para combater a praga urbana e rural. Atualmente, a administração municipal analisa a eficácia de um produto que ainda se encontra em fase de pesquisa de mercado. Contudo, as autoridades locais enfrentam barreiras regulatórias para implementar uma ação de combate em larga escala.

O comunicado do município destacou uma dificuldade técnica importante enfrentada em todo o território nacional, justificando a limitação de ações químicas agressivas:

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“É importante esclarecer que atualmente o Brasil não dispõe de produtos devidamente registrados na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que sejam eficazes para o controle desse inseto, o que limita as ações imediatas do poder público e exige cautela nas medidas adotadas”

Apesar do cenário de infestação aguda, a prefeitura de Ilhota não relatou nenhum caso confirmado de febre oropouche no município durante este ano.

Como o mosquito vetor da febre oropouche afetou municípios vizinhos?

O problema ambiental e sanitário não se restringe apenas ao município de Ilhota. Em Luiz Alves, cidade localizada a cerca de 40 quilômetros de distância, uma infestação semelhante de maruim levou o poder executivo local a decretar situação de emergência no ano de 2024. Durante aquele período crítico, os moradores relataram que não suportavam mais o desconforto constante causado pelas picadas do mosquito, que se disseminou rapidamente tanto nas zonas urbanas quanto nas rurais.

A presença descontrolada do inseto gerou consequências profundas em diferentes setores da sociedade em Luiz Alves. Os principais impactos observados pelas autoridades na época incluíram:

  • Ameaça direta à economia agrícola local, tornando o trabalho ao ar livre nas lavouras praticamente impossível de ser realizado com segurança;
  • Alteração severa na rotina escolar de diversas instituições de ensino;
  • Confinamento de crianças, adolescentes e funcionários, que precisavam evitar qualquer saída das salas de aula para os pátios ou áreas externas;
  • Dificuldades de aprendizagem, uma vez que professores relataram que a coceira extrema das picadas causava desatenção generalizada nos alunos.

Existe algum larvicida experimental em desenvolvimento contra o inseto?

Diante da crise enfrentada pelas cidades catarinenses, pesquisas científicas avançaram na busca por uma solução definitiva. Em janeiro deste ano, o governo estadual de Santa Catarina divulgou resultados promissores envolvendo o uso de um larvicida em caráter experimental. Segundo os dados oficiais, a aplicação desse novo composto conseguiu reduzir em 86% a população do mosquito em Luiz Alves, resultando em uma queda acentuada nos relatos de picadas, coceira intensa e vermelhidão na pele dos munícipes.

O estudo científico foi viabilizado através de recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc). O projeto de campo avaliou especificamente um larvicida desenvolvido e fabricado pela empresa Nório Nanotecnologia. Em paralelo ao uso do produto químico, os pesquisadores também implementaram um sistema tecnológico inovador: uma armadilha moderna que utiliza inteligência artificial para capturar os insetos e monitorar a densidade populacional do maruim em tempo real.

Apesar do sucesso preliminar registrado nas áreas de teste, a comercialização e o uso em larga escala do produto formulado pela Nório Nanotecnologia ainda dependem de trâmites burocráticos federais. O larvicida aguarda o registro formal e a liberação definitiva pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa das autoridades de saúde e dos pesquisadores envolvidos é de que a produção industrial do composto possa ser iniciada até o final do primeiro semestre do ano, trazendo alívio potencial para milhares de moradores afetados na região.

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