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Indústria madeireira da Geórgia aposta em remédios para superar crise

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Detailed view of stacked tree logs displaying patterns of annual rings and textures in Oberwiesenthal, Germany.
Detailed view of stacked tree logs displaying patterns of annual rings and textures in Oberwiesenthal, Germany. Foto: Christian Zimmermann — Pexels License (livre para uso)

A indústria madeireira do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, enfrenta um cenário crítico em 2024 após o impacto devastador do furacão Helene e o fechamento recente de diversas fábricas de papel. Para evitar o colapso de um setor que lidera o volume anual de colheitas no país, legisladores aprovaram na última semana da sessão legislativa uma série de projetos de lei e um orçamento focado em pesquisas inovadoras. A principal aposta é transformar resíduos de madeira em produtos farmacêuticos, como o paracetamol, e materiais têxteis.

De acordo com informações da Grist, a gestão das florestas comerciais compensa cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa da Geórgia. No entanto, os desafios climáticos e econômicos deixaram os proprietários de terras em um dilema financeiro severo, forçando o poder público a buscar alternativas para manter a viabilidade econômica do plantio de árvores no estado.

Qual é a estrutura de propriedade das florestas locais?

Aproximadamente 92% das florestas georgianas pertencem a agentes privados. A maioria desses proprietários é composta por famílias e indivíduos em vez de grandes corporações. Essa configuração significa que as decisões sobre o manejo da terra dependem diretamente do que faz sentido financeiro para pessoas que, muitas vezes, contam com a venda das árvores para financiar despesas como mensalidades universitárias ou aposentadorias.

O fechamento de fábricas de papel reduziu drasticamente uma das principais fontes de receita para esses donos de terras. Especialistas da indústria alertam que, se não houver retorno financeiro com as árvores, essas propriedades podem ser vendidas para construtoras e empreiteiras focadas em expansão imobiliária.

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“Os proprietários de florestas sofrem uma tremenda pressão para ceder ao crescimento urbano ou para transformar suas terras em talvez uma colheita anual. Mas parte dessa terra é perfeita para árvores e não é muito fácil cultivar uma safra nela. E então eles ficam meio presos.”

A afirmação é de Chris Luettgen, pesquisador que atua no Instituto de Bioprodutos Renováveis da Georgia Tech e lidera as novas iniciativas de sustentabilidade no estado americano.

Quais foram as medidas aprovadas pelo governo?

Para atrair novos investimentos e apoiar os produtores, os parlamentares da Geórgia aprovaram diversas medidas na reta final de sua sessão legislativa. Entre as ações pendentes de aprovação definitiva, destacam-se:

  • Permissão para que proprietários que recebem benefícios fiscais de conservação também participem de mercados de crédito de carbono.
  • Atualização de créditos fiscais para atrair fabricantes do setor florestal para a região.
  • Proibição de que governos locais restrinjam o uso de serrarias móveis em terras agrícolas.

Outro projeto que visava eliminar os impostos sobre as vendas na colheita de madeira passou pela Câmara estadual, mas não obteve sucesso no Senado. O governador Brian Kemp tem até o dia 12 de maio para sancionar ou vetar os projetos remanescentes aprovados pelas casas legislativas.

Como a madeira pode substituir os combustíveis fósseis?

O orçamento estadual, que já foi assinado pelo governador Brian Kemp, destinou quase nove milhões de dólares para a pesquisa de substituição de subprodutos de combustíveis fósseis por polpa de madeira. O investimento financiará a iniciativa liderada por Chris Luettgen e sua equipe na Georgia Tech. O objetivo central é pegar materiais residuais da fabricação de papel e papelão, como serragem, cascas e lascas de árvores abatidas, e desenvolver utilidades práticas em larga escala.

Um dos produtos em desenvolvimento é o paracetamol, medicamento amplamente conhecido no mercado como Tylenol. Atualmente, o remédio é derivado de produtos petroquímicos separados do petróleo bruto durante o processamento da gasolina. Pesquisadores já demonstraram em laboratório que a molécula originada do combustível fóssil pode ser substituída com sucesso por uma molécula derivada da madeira.

Além dos medicamentos, a equipe científica também está trabalhando na criação de um substituto viável para o nylon, outro material sintético tradicionalmente derivado do petróleo. A expectativa do projeto é criar uma cadeia produtiva totalmente nova e ecologicamente sustentável.

“Coisas que normalmente vieram de combustíveis fósseis e do craqueamento do petróleo bruto, acreditamos que podemos, em vez disso, fazer de produtos à base de madeira.”

Até o momento, explicou Luettgen, toda essa pesquisa ocorre em pequenas quantidades nas instalações do instituto. O próximo passo crucial é descobrir se a produção funciona em maior escala, o que será viabilizado pelo recente fluxo de financiamento estatal. A meta principal é tirar a tecnologia das bancadas acadêmicas e implementá-la em uma operação real ampliada para demonstrar plenamente suas capacidades comerciais à indústria.

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