Cerca de 400 indígenas interceptaram balsas no rio Tapajós, em Santarém (PA), nesta quinta-feira (19), em protesto contra o plano de hidrovias do governo federal. De acordo com informações da Folha Ambiente, as embarcações seriam da Cargill, embora a empresa negue.
Qual é o motivo do protesto?
Os manifestantes, que se aproximaram das balsas em quatro barcos, protestam contra o decreto nº 12.600/2025, que inclui trechos hidroviários nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização. A líder indígena Auricélia Arapiun afirmou:
“Nós realizamos esse ato em defesa do rio Tapajós, principalmente contra o agronegócio que tem invadido nossos territórios.”
Quais são as ações do governo e da Justiça?
Desde 22 de janeiro, 14 povos indígenas ocupam a sede da Cargill em Santarém. A Justiça Federal determinou a desocupação forçada do local, mas o Ministério Público Federal recorreu, embora o recurso tenha sido posteriormente anulado. O governo federal, por sua vez, declarou que o decreto não autoriza obras, mas apenas estudos técnicos.
Quais são os impactos ambientais?
Documentos da Semas, ICMBio e Ibama apontam impactos significativos da dragagem no Tapajós, como alteração da qualidade da água e prejuízo à pesca. O Ministério dos Povos Indígenas reafirma que qualquer iniciativa deve ter o consentimento livre, prévio e informado dos povos diretamente afetados.
Fonte original: Folha Ambiente