Indígenas marcham na Esplanada dos Ministérios contra Congresso e marco temporal - Brasileira.News
Início Política Indígenas marcham na Esplanada dos Ministérios contra Congresso e marco temporal

Indígenas marcham na Esplanada dos Ministérios contra Congresso e marco temporal

0
13
Brasília (DF) - 26/12/2024 - 100 fotos melhores de 2024, retrospectiva - Foto feita em 23/04/2024 – Indígenas de várias etnia
Brasília (DF) - 26/12/2024 - 100 fotos melhores de 2024, retrospectiva - Foto feita em 23/04/2024 – Indígenas de várias etnias, que participam do Acampamento Terra Livre 2024, marcham na Esplanada dos Ministérios com o tema #EmergênciaIndígena: Nossos Direitos não se negociam. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

Milhares de indígenas de diversas etnias de todo o país marcharam pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira, 7 de abril de 2026. O ato massivo faz parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), considerado a maior mobilização do movimento originário no Brasil, que teve início no último domingo, 5 de abril. O percurso de seis quilômetros teve como alvo central das críticas o Congresso Nacional.

De acordo com informações da Agência Brasil, os manifestantes acusam a maioria dos deputados federais e senadores de legislar contra os direitos constitucionais dos povos originários. O movimento aponta que os parlamentares cedem à pressão de setores como o agronegócio e a mineração, colocando em risco a sobrevivência dos territórios e os modos de vida tradicionais das comunidades de todo o país.

Por que o Congresso Nacional é o principal alvo do protesto indígena?

O descontentamento com o Poder Legislativo é impulsionado pelo avanço da tese do Marco Temporal, que limita a demarcação de terras àquelas ocupadas pelos indígenas até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a tese era inconstitucional. Contudo, em uma reação política direta, o Senado aprovou no ano de 2025 uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que impõe esse limite temporal para as demarcações. Atualmente, a matéria aguarda nova análise na Câmara dos Deputados.

Sob forte calor, os manifestantes deixaram o Eixo Cultural Ibero-Americano e ocuparam três faixas do Eixo Monumental. Após um acordo prévio com as forças de segurança pública do Distrito Federal, os participantes deixaram arcos, flechas, lanças e bordunas no acampamento central. Durante a caminhada, os indígenas carregaram faixas com mensagens contundentes. Entre os dizeres principais exibidos na Esplanada, destacaram-se as seguintes cobranças:

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

  • Congresso Inimigo Dos Povos
  • Nosso Território Não Está À Venda
  • O Futuro É Indígena
  • Marco Temporal É Golpe
  • Demarcação É Futuro

O que dizem as lideranças do Acampamento Terra Livre sobre a demarcação de terras?

Para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que organiza o evento, a paralisação ou a lentidão na criação de novas reservas é um fator de tensão constante e inaceitável. A organização destaca que a marcha ocorreu de forma estritamente pacífica, em contraste direto com a postura que atribuem aos parlamentares.

Nossa marcha é pacífica, rumo a um Congresso que não é pacífico, é inimigo dos povos indígenas. Viemos pintar Brasília do vermelho do urucum e da resistência do jenipapo, trazendo a força, a resistência e a ressurgência indígena

O governo federal reconheceu 20 novos territórios entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, o equivalente a 2,5 milhões de hectares protegidos, segundo dados oficiais. Antes desse ciclo, o país enfrentou um hiato de quatro anos sem nenhuma homologação, ocorrido durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, reforçou que o passivo demarcatório continua sendo imenso, resultando em um cenário de violência em várias regiões. Ele ressaltou que há cerca de 110 novas áreas atualmente sob análise técnica.

Como as autoridades indígenas avaliam a atual participação política?

Durante o evento, figuras de destaque reforçaram a necessidade vital de ocupar espaços de poder e decisão governamental. A ex-presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e atual deputada federal, Joenia Wapichana, discursou em um carro de som, defendendo que o movimento precisa, mais do que nunca, aldear a política nacional.

Estamos aqui para dizer que os povos indígenas têm capacidade para serem o que quiserem: parlamentares, autoridades públicas, representantes políticos. E essas ferramentas estão à nossa disposição

A parlamentar também frisou que a população originária está amplamente consciente de seus direitos fundamentais e cobrou ações orçamentárias concretas do Estado. Segundo ela, é urgente assegurar um aumento no repasse de verbas destinado aos órgãos públicos de proteção. Ela deu destaque para a Funai e para a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, sendo ambas estruturas fundamentais para a manutenção da dignidade nas aldeias. A mobilização em Brasília reúne representantes de dezenas de etnias, englobando fortemente os povos tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati e gavião.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here