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Incinerador de lixo em Minneapolis vira alvo de greve de fome por fechamento

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Ativistas ambientais iniciaram na sexta-feira, 10 de abril de 2026, uma greve de fome em Minneapolis, nos Estados Unidos, para pressionar o condado de Hennepin a adotar medidas concretas para fechar o Hennepin Energy Recovery Center (HERC), um incinerador de lixo acusado por moradores de agravar a poluição do ar em uma comunidade majoritariamente negra e com altas taxas de asma. De acordo com informações da Inside Climate News, os manifestantes afirmam que só encerrarão o protesto quando houver avanços objetivos, como votação pública, definição de data para o fechamento e criação de um grupo comunitário para discutir alternativas de lixo zero.

A mobilização foi lançada em um ato próximo à prefeitura de Minneapolis, onde integrantes da coalizão Zero Burn Coalition entregaram uma carta ao conselho de comissários do condado com suas exigências. O grupo sustenta que, após anos de reuniões com autoridades locais, não houve progresso palpável para encerrar as operações da usina.

Por que os ativistas decidiram iniciar uma greve de fome?

Segundo os organizadores, a greve de fome representa uma escalada em uma disputa que já dura décadas. Moradores da região afirmam que o incinerador contribui para a emissão de poluentes tóxicos em uma área já impactada por outras fontes de contaminação, incluindo a proximidade com a Interstate 94.

Nazir Khan, cofundador da Minnesota Environmental Justice Table e um dos três primeiros participantes da greve, associou o protesto à emergência climática e aos impactos locais da poluição. Em fala reproduzida pela reportagem original, ele declarou:

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“This is part of the climate emergency. Waste is literally killing our neighbors.”

Outro ponto levantado pelos ativistas é que a área ao redor do HERC registra algumas das maiores taxas do estado de visitas a pronto-socorro por asma. A reportagem cita ainda uma estimativa de pesquisadores, feita em 2022 com ferramenta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, segundo a qual um tipo específico de poluição da instalação, composto por partículas finas com diferentes substâncias químicas, poderia estar ligado a uma a duas mortes prematuras por ano.

Quais são as principais exigências apresentadas ao condado?

Na carta entregue às autoridades, os manifestantes pedem medidas específicas para a desativação da usina. Entre os pontos centrais, estão:

  • realização de votação pública sobre o fechamento do incinerador;
  • definição de uma data para encerrar as operações;
  • criação de uma força-tarefa liderada pela comunidade para desenvolver alternativas de lixo zero.

Natasha Villanueva, também participante da greve, disse que gostaria que a situação não tivesse chegado a esse ponto, mas avaliou que a medida se tornou necessária diante da continuidade das operações do HERC.

“It’s very disheartening that we have to take this step, but it seems necessary. They’re disregarding our well-being every day that HERC keeps burning.”

Já Audua Pugh, integrante da coalizão, afirmou em entrevista coletiva realizada em 24 de março que ainda não existe definição clara sobre o encerramento da usina. Segundo ela, faltam data, votação, processo e plano.

O que dizem as autoridades do condado de Hennepin?

De acordo com a reportagem, nenhum dos sete comissários do conselho do condado respondeu diretamente aos pedidos de comentário. Em e-mail citado pelo texto, Carolyn Marinan, diretora de relações públicas do condado de Hennepin, afirmou que a administração está comprometida com uma política de lixo zero para acelerar o fechamento e a reconversão do HERC.

Ela mencionou iniciativas voltadas à redução de papel e embalagens, prevenção do desperdício de alimentos e reciclagem. Também citou uma resolução de fevereiro que reafirmou a intenção, manifestada em 2023, de fechar a instalação entre 2028 e 2040. Marinan acrescentou que representantes do condado se reuniram com frequência com os organizadores da greve de fome e seguem abertos a discutir formas de fechamento responsável da unidade.

“Simply shifting waste to landfills is irresponsible and would be a step backward. The county believes that the real solution is to produce less waste in the first place by providing policies, programs, and infrastructure that support a zero-waste future.”

Apesar disso, ativistas argumentam que, quase três anos após o compromisso inicial, ainda não houve ações concretas suficientes para garantir o encerramento das atividades.

Qual é o histórico do HERC e por que ele é contestado?

O Hennepin Energy Recovery Center queima resíduos de Minneapolis e subúrbios vizinhos para gerar eletricidade por meio de vapor. O condado afirma que a instalação ajuda a reduzir o volume destinado a aterros e ainda produz energia. Já os opositores sustentam que o complexo amplia a carga de poluição sobre um bairro já sobrecarregado e ainda gera cinzas tóxicas que acabam enviadas para aterros.

A reportagem destaca que incineradores de lixo podem liberar partículas finas, metais pesados como chumbo e mercúrio, substâncias conhecidas como “forever chemicals”, dioxinas e gases de efeito estufa. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, existem 75 instalações desse tipo em operação no país, sendo oito em Minnesota. Um relatório de 2019 da The New School apontou que quase 80% delas estão situadas em comunidades de justiça ambiental.

Em 2024, após pressão de ativistas, o Conselho Municipal de Minneapolis aprovou uma resolução em apoio ao fechamento do HERC “o mais cedo possível” a partir de 2028. O texto reconhece atos históricos e contínuos de racismo ambiental e descreve o incinerador como uma das maiores fontes licenciadas de partículas finas, chumbo, óxido de nitrogênio e outros poluentes perigosos no condado.

A reportagem também cita informação publicada anteriormente pelo Sahan Journal, segundo a qual um gerente de conformidade do condado escreveu, em 2024, a uma empresa compradora de energia do HERC que o condado operaria a usina no futuro, sem planos de encerrar sua operação. Marinan não comentou esse ponto, segundo a Inside Climate News.

Ao justificar sua adesão à greve de fome, Khan resumiu a percepção de esgotamento entre os organizadores após tentativas de diálogo sem resultados concretos.

“We’ve reached a point where it’s like, what else are we supposed to do?”

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