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Impacto hídrico de data centers preocupa especialistas com avanço da IA no Brasil

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System with various wires managing access to centralized resource of server in data center
System with various wires managing access to centralized resource of server in data center Foto: Brett Sayles — Pexels License (livre para uso)

A expansão de grandes data centers impulsionada pela inteligência artificial gera preocupação na comunidade científica brasileira neste mês de abril de 2026, devido ao alto consumo de água exigido por essas instalações de infraestrutura. O alerta surge em meio a novas políticas públicas que visam transformar o Brasil em um polo tecnológico global para as chamadas “big techs”, aproveitando a matriz elétrica renovável do país — baseada fortemente em usinas hidrelétricas —, mas correndo o risco de negligenciar a segurança hídrica e os recorrentes períodos de seca extrema.

De acordo com informações publicadas no EcoDebate, portal especializado em questões ambientais, os pesquisadores ressaltam que, embora o elevado gasto de energia elétrica seja um tema amplamente discutido, as consequências sobre as reservas de água doce continuam à margem das avaliações oficiais. O Governo Federal articula a atração de infraestruturas do tipo “hyperscale” (centros de processamento de dados de escala gigante), o que torna imperativo o debate aprofundado sobre a sustentabilidade ambiental desse modelo de negócios a longo prazo.

Como o avanço da inteligência artificial afeta as reservas de água mundiais?

A popularização maciça de ferramentas generativas e algoritmos avançados exige uma capacidade de armazenamento e processamento sem precedentes na história. Para suprir essa necessidade imediata do mercado de tecnologia, corporações transnacionais aceleram a construção de complexos de servidores em escala global.

Um estudo conduzido por cientistas da Beijing Normal University e publicado na revista especializada Applied Energy calculou que as operações chinesas demandaram 15,7 bilhões de litros de água apenas no ano de 2022. Para contextualizar a magnitude deste número, o volume equivale a aproximadamente metade da capacidade total do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai e uma das maiores geradoras de energia limpa do mundo.

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Quais são as projeções de consumo hídrico para os próximos anos?

A situação ganha contornos mais graves ao se observar o panorama internacional e o avanço da digitalização. Dados recentes da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que o setor tecnológico utiliza, atualmente, cerca de 560 bilhões de litros de água a cada ano em todo o planeta.

O relatório emitido pelo órgão internacional projeta um agravamento drástico desse cenário em um curto espaço de tempo. A estimativa aponta que a marca atingirá 1,2 trilhão de litros de água anuais até o encerramento da década, marca impulsionada de forma direta pela demanda insaciável por poder de computação exigido pelos modelos de aprendizado de máquina.

Por que o Brasil atrai a atenção das multinacionais de tecnologia?

O território nacional abriga atualmente cerca de 200 instalações operacionais do tipo, segundo um levantamento especializado da plataforma Data Center Map. A grande maioria opera em pequeno e médio porte para atender a demandas corporativas internas. No entanto, a matriz energética limpa posiciona o país como um alvo estratégico para a instalação de complexos colossais.

A atração de vultosos investimentos estrangeiros ocorre simultaneamente ao andamento de diversas propostas legislativas no Congresso Nacional. Entre os pontos de atenção mapeados pelos pesquisadores, destacam-se os seguintes fatores:

  • O andamento do Projeto de Lei 278/2026, que tramita no Legislativo para estabelecer amplos incentivos fiscais ao setor tecnológico.
  • A isenção anterior de impostos como PIS/Pasep, Cofins e IPI para a aquisição de equipamentos especializados, medida que era prevista na extinta medida provisória Redata.
  • O foco prioritário da atual gestão federal na estruturação de bases para desenvolver uma nova economia digital em solo nacional.

Qual é a função da água no funcionamento dos servidores operacionais?

Os complexos de processamento ininterrupto de dados operam sob altíssima intensidade contínua e requerem mecanismos físicos robustos de controle térmico para evitar curtos-circuitos. O professor Leopoldo Lusquino, vinculado ao Departamento de Engenharia de Controle e Automação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus do município de Sorocaba (SP), elucida a mecânica da operação e a vulnerabilidade das máquinas.

A atividade de processamento desses data centers gera muito calor e, ao mesmo tempo, esses dispositivos são extremamente sensíveis às altas temperaturas. O recurso hídrico aparece como a principal estratégia de resfriamento para a maioria dessas estruturas.

O acadêmico trabalha ativamente no desenvolvimento de modelagens matemáticas voltadas para a formulação de uma inteligência artificial mais ecológica e responsável. Ele pontua que corporações de grande porte até buscam alternativas eficientes de refrigeração. Contudo, métodos a seco, baseados inteiramente no uso contínuo de ar-condicionado, funcionam adequadamente apenas em nações de clima permanentemente frio. A aplicação desse mesmo sistema em regiões tropicais, como ocorre predominantemente no clima brasileiro, culminaria em uma elevação vertiginosa e insustentável do gasto de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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