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Impacto de meteoros na Terra primitiva pode ter originado a vida, revela estudo

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a picture of the earth in a ring of fire
a picture of the earth in a ring of fire Foto: Javier Miranda via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

O impacto de meteoros na Terra primitiva pode ter sido o principal responsável pelo surgimento da vida no planeta, conforme revela uma nova pesquisa da Rutgers University, nos Estados Unidos, divulgada no início deste mês de abril. A força das colisões de asteroides teria criado sistemas hidrotermais quentes e ricos em compostos químicos, estabelecendo as condições ideais e a energia necessária para iniciar processos biológicos complexos que perduraram por milhares de anos.

De acordo com informações da ScienceDaily, o estudo científico detalhado foi publicado no renomado Journal of Marine Science and Engineering. A análise inovadora foi conduzida por Shea Cinquemani, recém-formada em biologia marinha, em estreita colaboração com o oceanógrafo e distinto professor Richard Lutz.

Como as crateras de impacto funcionam como fábricas químicas?

A investigação foca em sistemas hidrotermais formados logo após a queda de grandes corpos celestes. Quando um meteoro massivo atinge a superfície terrestre, o calor extremo gerado pela colisão derrete as rochas ao redor da área de impacto. À medida que essa enorme cratera resfria e é progressivamente preenchida por água, ela se transforma em um sistema mineral aquecido, apresentando semelhanças notáveis com as fontes hidrotermais vitais encontradas no fundo dos oceanos.

“Você tem um lago ao redor de um centro muito, muito quente”, afirmou Shea Cinquemani. “E agora você obtém um sistema de fontes hidrotermais, assim como no fundo do mar, mas feito pelo calor de um impacto.”

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Para fundamentar a complexa teoria de que esses ambientes inóspitos poderiam sustentar a biologia inicial, os pesquisadores examinaram três locais históricos de colisões globais:

  • A cratera de Chicxulub, localizada sob a Península de Yucatán, no México, formada há cerca de 65 milhões de anos.
  • A cratera de Haughton, situada no gélido Ártico canadense, originada há aproximadamente 31 milhões de anos.
  • O Lago Lonar, na Índia, criado há cerca de 50 mil anos, que ainda contém água e oferece uma visão em tempo real de como tais sistemas evoluem.

No Brasil, a comunidade científica também acompanha de perto o tema por meio de formações geológicas locais. O país abriga o Domo de Araguainha, localizado na divisa entre Mato Grosso e Goiás, que é a maior cratera de impacto da América do Sul e serve como um grande laboratório natural para universidades brasileiras compreenderem a dinâmica e os efeitos dessas enormes colisões celestes.

De que forma o estudo começou na universidade?

O projeto teve início de forma modesta, como um trabalho de graduação focado na disciplina de Fontes Hidrotermais, ministrada por Richard Lutz. A tarefa inicial consistia em avaliar criticamente a possibilidade de ventilações semelhantes no planeta Marte sustentarem microrganismos vivos. O denso esforço exigiu de Cinquemani uma expansão profunda de conhecimentos acadêmicos para muito além da biologia, adentrando em complexas áreas como química, física e geologia planetária.

O veterano professor destacou a excepcionalidade da conquista para uma estudante em início de carreira: “Você costuma ter alunos de graduação que fazem parte de artigos, mas para um aluno de graduação ser o autor principal é um grande feito. Eu nunca vi um processo de revisão tão rigoroso. Houve 15 páginas de comentários e cinco rodadas diferentes de revisões. Ela teve paciência e perseverança, e o artigo ficou magnífico”, declarou Lutz orgulhoso.

Quais são as implicações para a busca de vida extraterrestre?

Historicamente, a comunidade científica sempre considerou as fendas submarinas profundas como os locais mais prováveis para o início da vida terrestre. Organismos resilientes nesses ambientes de escuridão total utilizam a energia química de compostos como o sulfeto de hidrogênio por meio do processo de quimiossíntese, prescindindo totalmente da luz solar. A nova e abrangente pesquisa não invalida essa teoria consolidada, mas amplia significativamente o leque de possibilidades geográficas ao incluir as turbulentas zonas de impacto de asteroides.

As reveladoras descobertas da universidade norte-americana possuem um vasto potencial para reorientar estrategicamente as futuras missões espaciais em busca de vida em outras partes do nosso sistema solar. Acredita-se firmemente que exista atividade hidrotermal intensa sob as espessas crostas congeladas de luas como Europa, na órbita de Júpiter, e Encélado, o distante satélite natural de Saturno. Sistemas aquáticos perfeitamente equivalentes podem ter se formado nas crateras de Marte durante a fase de juventude turbulenta do Planeta Vermelho.

O profundo fascínio por desvendar o misterioso surgimento biológico continua sendo um motor intelectual fundamental para os dedicados cientistas envolvidos nesta vanguarda da pesquisa. “Nós podemos nunca saber exatamente como começamos, mas podemos tentar o nosso melhor para entender como as coisas podem ter ocorrido”, concluiu Cinquemani sobre o infinito horizonte da exploração científica.

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