A gigante chinesa Huawei apresentou um cenário de desaceleração no ritmo de crescimento de suas vendas ao longo do último ciclo fiscal, sinalizando a entrada definitiva em uma fase de expansão moderada. Apesar da redução na velocidade dos ganhos financeiros, a companhia expandiu seu quadro de funcionários em cinco mil profissionais e manteve investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O movimento ocorre em um ambiente global desafiador, marcado por restrições comerciais e pela busca por soberania tecnológica em solo chinês. No Brasil, o desempenho financeiro da marca tem relevância direta, já que a empresa atua como uma das principais fornecedoras de equipamentos para a infraestrutura do 5G e de serviços de computação em nuvem no país.
De acordo com informações do Light Reading, a receita total da empresa atingiu a marca de 704,2 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 542 bilhões). Este valor representa um crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior, um número expressivo sob qualquer ótica, mas consideravelmente menor do que a expansão de 17,3% registrada no período anterior. O lucro líquido da organização também acompanhou a tendência de estabilidade, chegando a 62,9 bilhões de yuans (cerca de R$ 48,4 bilhões).
Como a Huawei está lidando com a desaceleração do mercado?
A estratégia da Huawei para enfrentar a chamada “era de baixo crescimento” envolve a manutenção de um investimento agressivo em inovação tecnológica. Em 2024, a empresa destinou 164,7 bilhões de yuans (R$ 126,8 bilhões) para sua divisão de Pesquisa e Desenvolvimento. Esse montante representa 23,4% de sua receita total, um dos patamares mais elevados da indústria global de tecnologia, visando reduzir a dependência de componentes estrangeiros e consolidar novos nichos, como o setor de computação em nuvem e soluções automotivas.
O aumento no número de colaboradores, que elevou a força de trabalho total para 212 mil pessoas, reflete a aposta na busca por talentos altamente qualificados para sustentar essa transição. Segundo o relatório anual, o foco das novas contratações foi voltado primordialmente para áreas técnicas e de engenharia, visando fortalecer a complexa cadeia de suprimentos interna da empresa e o desenvolvimento de semicondutores proprietários de última geração.
Quais foram os principais destaques por segmento de negócio?
O desempenho da Huawei variou entre suas diferentes divisões de atuação no último ano. Os principais pilares de receita foram os seguintes:
- Negócios de Infraestrutura de TIC: manteve-se como a principal fonte de renda, gerando 362 bilhões de yuans;
- Divisão de Consumo: apresentou recuperação com o lançamento de novos modelos de smartphones, atingindo 251,5 bilhões de yuans;
- Computação em Nuvem (Cloud): cresceu para 55,3 bilhões de yuans, consolidando a empresa como uma das líderes do setor na China;
- Energia Digital: contribuiu com 52,6 bilhões de yuans para o faturamento total da companhia.
Apesar dos números operacionais robustos, a margem de lucro líquido sofreu uma leve compressão, caindo de 12,3% em 2023 para 8,9% em 2024. Analistas de mercado apontam que esse declínio é resultado direto dos custos elevados para contornar as sanções internacionais e o encarecimento da produção local de componentes de alta tecnologia, exigindo maior eficiência operacional da gigante de Shenzhen.
Qual é a perspectiva para a empresa nos próximos anos?
O cenário para o futuro permanece resiliente, embora a administração da Huawei tenha enfatizado que a prioridade estratégica continua sendo a sobrevivência com qualidade. A empresa busca fortalecer seu ecossistema de software, com o avanço do sistema operacional HarmonyOS, para competir diretamente com plataformas ocidentais. Além disso, a unidade voltada para soluções automotivas inteligentes começou a apresentar resultados financeiros relevantes, indicando um novo caminho de crescimento fora das telecomunicações tradicionais.
A Huawei encerrou o período fiscal com uma posição de caixa sólida, o que garante a sustentação das operações de longo prazo e a manutenção dos cinco mil novos funcionários. No entanto, o desafio de sustentar lucros em um mercado doméstico cada vez mais saturado exigirá que a empresa continue sua transformação interna de fabricante de hardware para uma provedora global de soluções integradas de tecnologia e inteligência artificial.

