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Houthis atacam Israel e ampliam temor de expansão da guerra no Oriente Médio

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Os houthis, grupo armado do Iêmen aliado ao Irã, reivindicaram neste sábado, 28 de março de 2026, um ataque contra Israel, no que foi apresentado como a primeira ofensiva do grupo contra o país desde o início do atual conflito no Oriente Médio. Segundo o relato, os houthis afirmaram ter lançado uma série de mísseis balísticos contra alvos militares israelenses, enquanto as Forças de Defesa de Israel disseram ter interceptado um míssil disparado do território iemenita. De acordo com informações do g1 Mundo, o episódio elevou os temores de ampliação regional da guerra.

Os houthis disseram que o ataque foi uma resposta às ações militares contra o Irã, o Líbano, o Iraque e os territórios palestinos. O grupo também declarou que manterá suas operações até o fim do que chamou de “agressão” em todas as frentes. Mais cedo no mesmo dia, Israel informou ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.

Por que o ataque aumenta o temor de escalada regional?

O envolvimento direto dos houthis amplia a preocupação com a abertura de uma nova frente de conflito na península Arábica. Segundo especialistas citados na reportagem original, a participação do grupo acrescenta um novo fator de instabilidade em uma região já afetada por confrontos e ameaças a rotas estratégicas. Para o Brasil, tensões nessa área costumam ser acompanhadas com atenção porque afetam o comércio marítimo global e podem pressionar custos de frete e de energia, com reflexos sobre cadeias de abastecimento e combustíveis.

Jo Floto, chefe do escritório da BBC News no Oriente Médio, em Jerusalém, avaliou que a intervenção representa a abertura de uma nova frente. Já Farea Al-Muslimi, pesquisador do centro de estudos britânico Chatham House, classificou o desdobramento como de grande importância, em razão da influência exercida pelos houthis sobre o Mar Vermelho.

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Qual é a importância do Estreito de Bab el-Mandeb?

O grupo já ameaçou bloquear e atacar o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem situada entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia. A rota liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é estratégica para o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez. De acordo com o texto original, cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo passa por esse corredor.

Nos últimos meses, o estreito ganhou ainda mais relevância por ter se tornado uma alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio diante do fechamento do Estreito de Ormuz. Em momentos anteriores, como durante a guerra em Gaza, os houthis já haviam atacado navios na região com drones e mísseis. Eventuais interrupções nessa rota também podem afetar o transporte internacional de mercadorias consumidas no Brasil, ao encarecer seguros e fretes marítimos.

“Já temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior”, disse Farea Al-Muslimi, ao comentar os efeitos de um novo bloqueio efetivo da passagem.

Quais ameaças recentes foram feitas pelo grupo e por aliados?

Na quinta-feira, 26 de março, a agência semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que os houthis estariam preparados para assumir o controle do estreito como parte das chamadas “forças de resistência”. Segundo a publicação, uma fonte militar iraniana afirmou que o grupo estaria pronto para desempenhar um papel central caso houvesse necessidade de controlar Bab el-Mandeb.

“Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão totalmente preparados para desempenhar um papel fundamental”, disse uma fonte militar iraniana à Tasnim.

No dia anterior, ainda segundo a mesma agência, outra fonte advertiu sobre a possibilidade de crise em mais de um estreito estratégico. Antes do ataque deste sábado, o líder houthi Abdul Malik al-Houthi também havia reforçado ameaças de escalada, afirmando, segundo a Bloomberg, que o grupo responderia militarmente a ataques dos Estados Unidos e de Israel se os desdobramentos da guerra assim exigissem.

À Reuters, um dirigente houthi não identificado disse que o grupo está “militarmente pronto” para atacar o Estreito de Bab el-Mandeb em apoio a Teerã.

“Estamos com todas as opções à nossa disposição. A decisão sobre o momento cabe à liderança, que acompanha os desdobramentos e definirá a hora certa de agir”, declarou.

Como os Estados Unidos reagiram ao risco no Mar Vermelho?

Após as ameaças, os Estados Unidos emitiram um alerta sobre a possibilidade de novos ataques dos houthis no Estreito de Bab el-Mandeb. O aviso foi publicado pela Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA na quinta-feira.

“Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região”, disse o comunicado.

O alerta reforça a preocupação com os riscos à navegação comercial em uma área crucial para o comércio internacional e para o transporte de energia.

Quem são os houthis e como ganharam poder no Iêmen?

Os houthis são um grupo político, religioso e armado que defende a minoria muçulmana xiita zaidita do Iêmen. Formalmente conhecido como Ansar Allah, o grupo surgiu na década de 1990 e recebeu o nome de seu fundador, Hussein al-Houthi. O líder atual é seu irmão, Abdul Malik al-Houthi.

O grupo se declara parte do chamado “Eixo da Resistência”, liderado pelo Irã, ao lado de organizações como Hamas e Hezbollah. No início de 2014, os houthis ampliaram sua força política ao se rebelarem contra o presidente iemenita Abdrabbuh Mansour Hadi. Depois de tomar a província de Saada, no norte do país, o grupo capturou a capital Sanaa no início de 2015, forçando Hadi a deixar o país.

A ascensão dos houthis levou à intervenção militar da Arábia Saudita, com apoio do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos, em uma tentativa de restaurar Hadi ao poder.

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