O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizado em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (PA), alcançou no início de abril de 2026 a marca histórica de mais de 20 mil sessões realizadas em seu Centro de Medicina Hiperbárica. A tecnologia, implementada pelo governo estadual em agosto de 2024, consolidou-se como um diferencial estratégico na rede pública de saúde. No Brasil, o acesso à oxigenoterapia hiperbárica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é restrito a poucos centros de referência, o que torna o marco relevante para a descentralização do atendimento de alta complexidade no país.
De acordo com informações da Agência Pará, a unidade hospitalar mantém uma produtividade média de 1,1 mil sessões mensais. O tratamento utiliza oxigenoterapia em alta pressão para potencializar a regeneração de tecidos e combater agentes patogênicos, reduzindo o tempo de internação e aumentando as chances de sobrevida dos usuários atendidos pelo SUS.
Como funciona o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica?
O procedimento consiste na alocação do paciente em uma câmara selada onde ele respira oxigênio 100% puro sob uma pressão superior à atmosférica. Esse processo eleva consideravelmente a quantidade de oxigênio transportado pelo plasma sanguíneo, o que estimula o crescimento celular e a neutralização de toxinas. O Hospital Metropolitano disponibiliza cinco câmaras do tipo monoplace, que permitem o uso individualizado e garantem maior privacidade e segurança durante o processo terapêutico.
Para o pedreiro Elias Soares, que sofreu um acidente com descarga elétrica e está internado há 15 dias na unidade, os resultados são visíveis em curto prazo. Ele já passou por quatro sessões e relata uma evolução significativa no processo de cicatrização de suas queimaduras.
Minha evolução está sendo considerada muito positiva, apesar de ser um tratamento longo, já consigo ver as melhoras, sobretudo depois que comecei as sessões nas câmaras hiperbáricas, a cicatrização das minhas queimaduras avançou muito.
Quais são as principais indicações para o uso das câmaras?
A coordenadora do Centro de Hiperbárica, a enfermeira Dielle Oliveira, destaca que o suporte é um marco para a saúde pública paraense, uma vez que o hospital é o único da rede SUS no estado a oferecer equipamentos individuais desse porte. A oferta descentralizada dessa tecnologia na Região Norte é fundamental, visto que tratamentos de alta complexidade historicamente exigem o deslocamento de pacientes para outras regiões do país. A oxigenoterapia atua como um tratamento adjuvante essencial em diversas especialidades médicas, auxiliando na eficácia de antibióticos e na recuperação de traumas extensos.
- Tratamento de queimaduras graves e feridas de difícil cicatrização;
- Lesões decorrentes de diabetes ou radioterapia;
- Esmagamentos e amputações de origem traumática;
- Infecções crônicas nos ossos e embolias arteriais;
- Recuperação de procedimentos de cirurgia plástica reparadora.
Qual o impacto da tecnologia na rotina dos pacientes?
A celeridade na alta médica é um dos principais benefícios observados pela equipe multiprofissional do HMUE. Pacientes que apresentam ferimentos extensos encontram na medicina hiperbárica a possibilidade de uma reabilitação mais qualificada. A paciente Crislene Pires, que sofreu um acidente de trânsito, precisou realizar mais de 80 sessões durante o seu período de internação para garantir a melhora de seu quadro clínico.
Como sofri ferimentos muito extensos, precisei de mais de 80 sessões de oxigenoterapia hiperbárica durante o período internada e só tenho gratidão pela excelência do trabalho feito pelos profissionais e pela oportunidade de utilizar o equipamento.
As sessões no Hospital Metropolitano possuem duração média de 90 minutos e são monitoradas ininterruptamente por especialistas. O atendimento é totalmente gratuito, voltado prioritariamente a vítimas de traumas de média e alta complexidade, reafirmando o papel da unidade como referência em urgência e emergência na Região Norte do Brasil.


