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Homem é condenado por matar companheira e concretar corpo em geladeira em Osório

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High angle of shiny wooden ceremonial mallet with golden detail placed on judge tale near documents folders
High angle of shiny wooden ceremonial mallet with golden detail placed on judge tale near documents folders Foto: Sora Shimazaki — Pexels License (livre para uso)

O Tribunal do Júri de Osório, município do litoral norte do Rio Grande do Sul, proferiu, na última quarta-feira (8 de abril de 2026), a sentença condenatória contra o homem acusado de assassinar sua companheira, Nara Denise dos Santos, servidora pública do município. O crime, que apresentou contornos de extrema crueldade, resultou em uma pena total de 28 anos e dez meses de reclusão em regime inicial fechado. A decisão judicial determinou a execução imediata da sentença, mantendo a prisão preventiva do réu para garantir a ordem pública.

De acordo com informações do Ministério Público do Rio Grande do Sul, a acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Sávio Vaz Fagundes. O conselho de sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pela promotoria, reconhecendo que o réu praticou homicídio triplamente qualificado, em contexto de feminicídio, além do crime conexo de ocultação de cadáver. O caso gerou grande repercussão no litoral gaúcho pela frieza na execução e na tentativa de esconder o crime. O episódio também reflete a gravidade do cenário nacional, já que o Brasil figura entre os países com os maiores índices de feminicídio no mundo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Como ocorreu o crime contra a servidora em Osório?

As investigações apontaram que o assassinato ocorreu no dia 5 de janeiro de 2024, no interior da residência onde o casal coabitava. O crime foi desencadeado por uma discussão banal relacionada ao uso do cartão bancário da vítima. Durante o desentendimento, o agressor utilizou força física para desferir uma compressão cervical na vítima, resultando em sua morte por asfixia mecânica. O ato foi classificado como motivo fútil e meio cruel, dada a natureza do sofrimento imposto à servidora.

A relação íntima de afeto mantida entre o autor e a vítima foi um fator determinante para a qualificação de feminicídio. A legislação brasileira prevê penas mais rigorosas quando o crime ocorre em razão da condição do sexo feminino e no âmbito da violência doméstica. O Tribunal do Júri considerou que o réu agiu com total desprezo pela vida da companheira, aproveitando-se da convivência familiar para consumar o ato violento.

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Quais foram os métodos utilizados para ocultar o cadáver?

Após consumar o homicídio, o condenado adotou uma série de medidas para tentar se livrar das evidências e impedir a localização do corpo. Conforme o relato do Ministério Público do Rio Grande do Sul, houve tentativas iniciais de esquartejar e incendiar os restos mortais de Nara Denise dos Santos. Diante da dificuldade em realizar tais procedimentos, o réu optou por uma estratégia ainda mais drástica: ocultou o cadáver dentro de uma geladeira e o selou com concreto.

O equipamento doméstico com o corpo foi mantido dentro da própria residência, com o intuito de dificultar o trabalho das autoridades policiais e periciais. Essa etapa do crime resultou na condenação adicional por ocultação de cadáver. A perícia técnica foi fundamental para desvendar a localização da vítima e reunir as provas materiais necessárias para embasar a denúncia oferecida pelo promotor Sávio Vaz Fagundes.

Qual foi a pena final aplicada pela Justiça gaúcha?

A dosimetria da pena levou em consideração a gravidade das circunstâncias e as qualificadoras reconhecidas pelos jurados. O magistrado responsável pelo caso fixou a reprimenda em 28 anos e dez meses de reclusão. Os principais fatores que elevaram a sanção incluíram:

  • Homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, meio cruel e feminicídio);
  • Crime de ocultação de cadáver com o uso de concreto e eletrodoméstico;
  • Histórico de violência e as circunstâncias do crime no ambiente doméstico.

A manutenção da prisão preventiva foi justificada pela necessidade de assegurar a aplicação da lei penal e pela periculosidade demonstrada pelo agente no modo de execução do delito. Com a sentença de execução imediata, o réu permanecerá custodiado para o cumprimento da pena estabelecida, sem o direito de recorrer em liberdade. O desfecho do julgamento encerra um ciclo jurídico de um dos casos mais graves de feminicídio registrados recentemente na região de Osório.

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