O avanço do hidrogênio verde fabricado por empresas da China ganhou novo capítulo com o envio de sistemas de eletrólise para Brasil, Itália e Omã, segundo relato publicado em 23 de março de 2026. De acordo com informações da CleanTechnica, a chinesa Sungrow Hydrogen anunciou remessas consecutivas de seus equipamentos, em um movimento que reforça a presença do país no mercado global enquanto os Estados Unidos enfrentam incertezas em sua política doméstica para o setor.
O texto original afirma que a expansão do hidrogênio verde ocorre em um contexto de busca por descarbonização da cadeia de suprimentos, com impacto potencial sobre fertilizantes, refino, metanol, indústria química, processamento de alimentos e, em perspectiva, setores como aço e concreto. A reportagem também relaciona esse movimento ao uso de eletricidade de fontes renováveis em sistemas de eletrólise, tecnologia que separa o hidrogênio da água.
O que está em jogo no mercado global de hidrogênio verde?
Segundo a publicação, o hidrogênio verde é visto como uma alternativa ao hidrogênio produzido hoje com base em gás natural e carvão. A ideia é reduzir a dependência de combustíveis fósseis em cadeias industriais já consolidadas. Nesse cenário, o setor global de fertilizantes aparece como um dos principais consumidores de hidrogênio, especialmente por causa da produção de amônia.
A matéria destaca que a produção de fertilizantes à base de amônia depende fortemente do gás natural como fonte de hidrogênio. Por isso, mudanças na oferta energética e na origem desse insumo podem ter efeitos mais amplos sobre agricultura e indústria. No caso brasileiro, esse debate tem peso adicional porque a amônia é insumo central para fertilizantes usados pelo agronegócio, um dos principais setores da economia do país. O texto também menciona que alguns países têm recorrido à importação de sistemas de eletrólise fabricados na China como forma de acelerar projetos locais.
Quais projetos foram citados em Omã, Itália e Brasil?
No caso de Omã, a Sungrow Hydrogen destinou eletrolisadores para uma nova instalação de amônia verde da empresa indiana ACME Group. De acordo com a reportagem, o projeto prevê 160 megawatts em sistemas alcalinos de eletrólise na Zona Econômica Especial de Duqm, com meta de produzir 100 mil toneladas métricas de amônia verde por ano a partir do próximo ano.
A CleanTechnica informa ainda que um executivo da ACME, Arnava Sinha, apontou em entrevista anterior o perfil de energia renovável de Omã e um ambiente governamental favorável como fatores centrais para o empreendimento. O país é apresentado como uma nação produtora de petróleo que busca expandir sua economia para além do setor petrolífero, incluindo a agricultura.
Na Itália, a empresa chinesa estaria enviando um sistema PEM conteinerizado de três megawatts. Segundo o texto, ele deverá se tornar o primeiro sistema italiano de hidrogênio verde fora da rede elétrica, movido a energia solar e integrado a armazenamento de energia, com foco em transporte e outros usos industriais.
Para o Brasil, a reportagem cita outro sistema conteinerizado de eletrólise projetado para lidar com variações amplas na geração solar. O texto afirma que o equipamento atende a padrões internacionais, como ASME e ISO 22734, além de certificações locais como Inmetro e NR. Ainda segundo a publicação, a expectativa é que o sistema apoie testes de mistura de hidrogênio com gás natural, como parte da transição energética e do desenvolvimento do setor comercial de hidrogênio no país. Para o mercado brasileiro, esse tipo de projeto também dialoga com a matriz elétrica de forte participação renovável, especialmente hidrelétrica, e com o avanço da geração solar e eólica, que podem servir de base para a produção do combustível em horários de maior oferta de energia.
Como o texto compara China e Estados Unidos?
A reportagem sustenta que, enquanto a indústria chinesa de hidrogênio verde continuou a crescer, os Estados Unidos perderam impulso após mudanças de orientação política. O texto menciona que o programa Regional Clean Hydrogen Hubs havia sido lançado para ampliar e diversificar a oferta de hidrogênio para fertilizantes e outras indústrias, mas afirma que a iniciativa foi desmontada após a posse do presidente Donald Trump.
Na avaliação apresentada pela publicação, essa mudança abriu espaço para que empresas chinesas ampliassem sua presença internacional. Além das remessas para Omã, Itália e Brasil, a matéria diz que a Sungrow estabeleceu presença mais ampla na Europa, com destaque para uma nova instalação de pesquisa e desenvolvimento em hidrogênio verde na Alemanha.
Há outros projetos mencionados fora da China?
Sim. O texto também cita iniciativas nos Estados Unidos que permaneceram em andamento apesar da suspensão ou desistência de outros planos. Entre elas, aparece a startup texana Talusag, descrita como voltada à produção local de fertilizante de amônia verde com foco inicial em energia solar e no aproveitamento de excedentes de geração eólica.
A reportagem menciona ainda pesquisas da University of Illinois Chicago, lideradas pelo professor Meenesh Singh, para desenvolver um processo de produção de amônia em temperatura ambiente. Segundo o texto, a proposta busca permitir que agricultores produzam amônia em menor escala. O modelo de prova de conceito teria um centímetro quadrado, e o próximo passo seria ampliar a escala para 100 metros quadrados com parceria da General Ammonia Co.
Outros exemplos citados incluem um teste bem-sucedido de sistema de hidrogênio verde movido a energia solar em uma instalação da Duke Energy na Flórida e um acordo da empresa indiana Synergen Green Energy com a startup Electric Hydrogen para fornecer sistemas de eletrólise a um projeto de e-fuels nos Estados Unidos voltado à exportação.