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Hemopa destaca inclusão de profissionais autistas no serviço público do Pará

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Profissional autista trabalha em ambiente de escritório, utilizando computador e documentos em mesa organizada.
Foto: Senado Federal / flickr (by)

Nesta quinta-feira, 02 de abril, data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) deu visibilidade à trajetória de servidores com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que integram seu quadro funcional. A iniciativa busca reforçar a importância da diversidade no ambiente institucional e destacar como a inclusão de profissionais neurodivergentes contribui para o aprimoramento da qualidade dos serviços de saúde prestados à população paraense. No cenário nacional, esse movimento reflete as diretrizes da Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012), que reconheceu o autismo como deficiência para todos os efeitos legais, garantindo amparo no acesso ao mercado de trabalho e aos concursos públicos em todo o Brasil.

De acordo com informações da Agência Pará, os servidores autistas atuam em diversas frentes da hemorrede estadual, desempenhando funções que abrangem desde o suporte administrativo estratégico até o atendimento direto aos doadores e pacientes. A presença desses profissionais reafirma que o diagnóstico de TEA não impõe limites à competência técnica, ao comprometimento profissional ou à responsabilidade necessária para o exercício do serviço público de excelência.

Como a inclusão impacta o ambiente de trabalho no Hemopa?

A atuação de servidores neurodivergentes no Hemopa é vista como um fator de humanização para a instituição. O secretário da Ouvidoria, Renan Alberto Gonçalves Pires, que atua no setor há quatro anos, compartilha sua perspectiva sobre a inserção de autistas no mercado de trabalho governamental. Para ele, embora existam avanços, o caminho para o respeito pleno e a eliminação de estigmas ainda exige esforços contínuos.

A inclusão ainda é, em muitos casos, limitada, principalmente quando se trata de respeito e de lidar com atitudes preconceituosas no dia a dia. Ao mesmo tempo, o trabalho também representa uma oportunidade importante de socialização, de conviver com outras pessoas fora do nosso círculo e de enfrentar novos desafios profissionais.

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Pires ressalta que a inclusão efetiva deve ultrapassar as barreiras do ambiente corporativo, alcançando as esferas familiar, social e educacional. O servidor enfatiza a necessidade de uma sociedade com mais empatia, garantindo que as oportunidades para pessoas autistas sejam reais e respeitem suas particularidades em todos os contextos de convivência.

Quais são os principais desafios para a gestão pública inclusiva?

O presidente da Fundação Hemopa, Paulo Bezerra, afirma que a valorização das diferenças é um dos pilares da gestão atual. Segundo o gestor, a diversidade entre os servidores impacta diretamente na forma como o serviço é entregue ao cidadão, resultando em um atendimento mais sensível e eficiente. Contudo, ele reconhece que a consolidação de uma cultura inclusiva é um processo em constante evolução.

Entre as prioridades listadas pela administração para fortalecer esse ecossistema de trabalho estão:

  • Adaptação contínua dos ambientes físicos e sensoriais da fundação;
  • Qualificação permanente das equipes para lidar com a neurodiversidade;
  • Fomento de uma cultura organizacional pautada no acolhimento e na participação plena;
  • Promoção de campanhas internas de conscientização contra o preconceito.

Qual é o cenário do autismo no Brasil segundo dados oficiais?

A discussão sobre a inclusão profissional ganha relevância diante dos dados estatísticos mais recentes. Levantamentos realizados pelo IBGE, com base no Censo Demográfico de 2022, indicam que o Brasil possui aproximadamente 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA. Esse contingente representa cerca de 1,2% da população brasileira, sendo este o primeiro retrato oficial detalhado sobre o tema no país, viabilizado pela Lei nº 13.861/2019, que tornou obrigatória a inclusão de perguntas sobre o autismo nos censos demográficos brasileiros.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo atua como um catalisador para essas discussões, tendo como metas principais:

  • Ampliar o conhecimento técnico e social sobre o espectro autista;
  • Combater o preconceito sistêmico no mercado de trabalho;
  • Incentivar políticas públicas de acessibilidade e suporte;
  • Garantir o direito à autonomia e ao desenvolvimento profissional.

Ao promover a inclusão, o Hemopa reafirma seu compromisso com a construção de um ambiente de trabalho pautado no respeito mútuo. A fundação destaca que a pluralidade de perfis entre seus colaboradores não apenas fortalece a estrutura administrativa, mas também consolida o papel do Estado na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos os cidadãos.

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