A guerra no Irã já impacta as vendas de automóveis em todo o mundo ao provocar o fechamento do Estreito de Ormuz e forte alta no preço do petróleo. O conflito, em curso até 29 de março de 2026, interrompe cerca de 20% do suprimento global de petróleo, segundo análise do Federal Reserve Bank of Dallas, e pode elevar o barril para cerca de US$ 100 enquanto a rota permanecer bloqueada.
De acordo com informações do CleanTechnica, o fechamento do Estreito de Ormuz representa uma disrupção três a cinco vezes maior que as crises de 1973, 1979 e 1980. Se o Estreito de Bab el-Mandeb também for bloqueado pelo Iêmen, outros 4% do suprimento mundial de petróleo serão afetados. Para o Brasil, oscilações no preço internacional do barril costumam ter impacto sobre combustíveis e fretes, o que afeta os custos do transporte e do setor automotivo.
Como a alta do petróleo influencia o mercado automotivo?
A oferta de petróleo é inelástica no curto prazo, mas tende a se expandir no longo prazo com o aumento de preços. Já a demanda por combustíveis fósseis costuma ser inelástica tanto no curto quanto no longo prazo, embora a presença crescente de veículos elétricos esteja mudando esse cenário em diversos países.
Consumidores tendem a reagir de forma exagerada a picos repentinos de preço. Histórico de crises anteriores mostra que o medo de falta de combustível e preços elevados leva a maior procura por opções mais econômicas, embora o efeito muitas vezes diminua após alguns anos. No mercado brasileiro, esse movimento também pode influenciar a comparação de custo entre modelos a combustão, híbridos e elétricos, ainda que o país tenha forte presença de biocombustíveis como o etanol.
O que acontece com o mercado chinês de veículos?
As vendas de veículos elétricos na China mostraram-se um pouco fracas em 2026 após a redução de subsídios em cerca de R$ 27 mil por veículo a partir de 1º de janeiro. O país enfrenta grande capacidade ociosa tanto em veículos a combustão quanto elétricos. A estratégia tem sido aumentar as exportações e fechar algumas fábricas.
Com a alta dos preços do petróleo, fabricantes chineses podem se beneficiar de maior demanda tanto por elétricos quanto por híbridos e veículos a gasolina em regiões com infraestrutura de recarga limitada. Isso também é relevante para o Brasil, que vem recebendo mais marcas chinesas e ampliando a oferta de veículos eletrificados no mercado local.
Como o mercado americano está reagindo?
Nos Estados Unidos, o mercado de veículos elétricos viveu forte alta no terceiro trimestre de 2025 devido à corrida para obter o crédito fiscal de US$ 7.500 antes de seu fim. As vendas caíram significativamente nos meses seguintes. Modelos mais baratos da Tesla, Nissan, Chevrolet e outros receberam atenção moderada.
Nas semanas anteriores a 29 de março de 2026, porém, o interesse por veículos elétricos mais que dobrou conforme os preços da gasolina subiram cerca de um dólar em um mês. Montadoras como GM, Ford e Stellantis podem rever planos de produção de elétricos diante da nova realidade de combustível mais caro.
Qual o impacto esperado na Europa e demais mercados?
A Europa deve acelerar a transição para veículos elétricos, agora mais impulsionada por forças de mercado do que por regulamentação. Países sem indústria automotiva doméstica tendem a sofrer menos influência de narrativas contrárias aos elétricos.
Em nações importadoras, a alta dos combustíveis deve tornar os veículos elétricos mais atrativos economicamente, especialmente em mercados onde o custo de propriedade é fator decisivo.
Embora o texto original não deseje o prolongamento do conflito, reconhece que um dos poucos aspectos positivos indiretos pode ser o estímulo à adoção de carros elétricos em escala global. Mesmo que a guerra seja breve, o choque de preços e a percepção de vulnerabilidade aos combustíveis fósseis podem fazer com que consumidores de vários países considerem a economia e a estabilidade oferecidas pelos veículos elétricos.
Por outro lado, o conflito também pode incentivar maior exploração de petróleo em diversas regiões, caso a transição para a mobilidade elétrica não ocorra com velocidade suficiente nos próximos 10 a 20 anos.

